terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Teologia do Quase

"Poesias e Devaneios", Nº 156

Agora, entender bem, que será sempre assim,
Te ter em sombras nulas, nunca em plenitude,
Um amor que não toca carne em mim,
Sangra lento na alma em inquietude.

Não é pulso, nem febre que consome,
Aparência vestida, livre de paixão,
Serotonina empresta, falso codinome
A um laço feito, frágil ilusão.

Batalha mora dentro, dentro do pensar,
É química ou não, mas clama oração,
Pois espírito insiste muito, em me chamar
Onde o corpo não tem, não terá salvação.

Consumação inexiste, é rara sempre fria,
Rasa, lívida, breve como o pó,
Um sopro rumoroso, que se perde em ventania,
Um quase-amor, quase-ardor, que nasce já em pó.

Respiras por favor, me toleras só calada,
Sem nunca ver enfim, que me fez cair,
E eu mato o ego, estima, da vaidade armada,
Para aprender, enfim, talvez, desse ego desistir.

Agora, entender bem, que será sempre assim,
Te ter em sombras nulas, nunca em plenitude,
Um amor que não toca carne, nem o amor que toca em mim,
Sangra lento na alma, sangra a alma em inquietude.




 Química no cérebro e ruína na alma,
o que não se vive na carne sangra no espírito.