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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Tenacidade

"Poesias e Devaneios", Nº 150

Existe em nós…
Uma força vital, positiva!
Que nos retém,
Que nos dá sustento,
Nos ajuda a suportar a vida…

Mesmo quando o peso aperta,
Mesmo quando tudo parece escorregar,
Ela permanece, silenciosa,
Como brasa que não se apaga,
Como raiz que segura a árvore na tempestade.

Ela não promete facilidade,
Não nos poupa da dor,
Mas nos mantém aqui, respirando,
Entre quedas e tropeços,
Entre medos e esperanças.

E mesmo que às vezes resvale de nós,
Ainda existe, esperando o toque suave de nossas mãos
Para reacender o calor que nos sustenta.
Existe em nós…

Existe!



Não seja demasiadamente ímpio e não seja tolo;
por que morrer antes do tempo?

Eclesiastes 7:17

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Sobre o Ontem

"Poesias e Devaneios", Nº 148

Antes, vivíamos o dia
em nome dele mesmo, inteiro,
sem pressa pelo amanhã,
com o tempo por companheiro.

Esses dias já existiram,
e ainda vivem, escondidos,
em cantos que o tempo esquece,
nos vãos do céu mais perdido.

Todos veem só o que mostras,
tua forma, tua aparência,
mas poucos tocam a essência
que habita tua consciência.

Há quem entenda sozinho,
com lucidez verdadeira;
outros só seguem o rastro
de uma mente passageira.

E há os que nada percebem,
nem por si, nem por reflexo —
tateiam o mundo em vão,
sem rumo, sem nexo, sem nexo.

Antes, vivíamos o dia
em nome dele mesmo, inteiro,
sem pressa pelo amanhã,
com o tempo por companheiro.

Antes, vivíamos o DIA!


"Absolutamente o centro invisível 
de todos os atos e de todos os fatos!"




sexta-feira, 18 de julho de 2025

Impronunciável

"Poesias e Devaneios", Nº 147

Deitados, teu corpo no meu repousava,
O silêncio dizia o que a voz não ousava.
Olhávamos juntos o nada no além,
Como viemos parar aqui, ninguém tem.

Não foi o espaço que nos aproximou,
Mas o tempo estranho que nos alinhou.
Partículas soltas, em rota desigual,
Tocando-se agora num gesto vital.

O suor amargo, mistura febril,
Tinha o sabor do prazer sutil.
Nosso amor, em um ápice doce e cru,
Explodia em silêncio, nu contra nu.

Queríamos dizer, mas não havia som,
A língua falha onde o pulso dá tom.
E assim calamos, com o peito a gritar,
O que só um coração pode sussurrar.

Então aceitamos, sem mais tradução,
Que há coisas que vivem só na pulsação.
Não se dizem com fala ou razão exata,
Mas brilham no toque de alma entrecortada.

E nesse silêncio, selamos o final,
Com um suspiro longo, quase imortal.
No compasso do peito, um sussurro instável
NEOQEAV, impronunciável.
NEOQEAV, impronunciável!
NEOQEAV



NEOQEAV

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Sementes da Glória

"Poesias e Devaneios", Nº 145

Dias cinzentos, dor e espinho,
Caminho de fé, mesmo sozinho.
Pois sei que há luz além da estrada,
Promessa viva, jamais apagada!

Lágrima hoje, que ao chão se lança,
Manhã vestida, viço e esperança.
O pranto que agora que, o peito invade,
É só prelúdio da eternidade.

A Palavra fala com doce firmeza:
Que a dor não vence a real beleza.
A glória espera, pura, escondida,
Por trás da Cruz, renasce a vida.

E quando a alma estiver cansada,
Sem cor, sem norte, sem nem ter mais nada,
Lembrarei: há de haver manhãs serenas,
E risos brotarão de nossas penas.

Sim, um dia, com alma leve e sã,
Riremos juntos da dor tão vã.
Pois cada queda, cada ferida,
Foi como degrau para eterna vida...

Pois cada queda, cada ferida,
Foi como degrau para eterna vida!


Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente
não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. 

Romanos 8:18




terça-feira, 8 de abril de 2025

Nada se perdeu

"Poesias e Devaneios", Nº 144


Não se perde
o que não foi.
Morte cede,
mas não dói.

Dói o riso
sem calor,
vida é um piso
sem valor.

Nada some,
tudo arde.
Perde o nome
quem não guarde.

Não se ilude,
nem se engana.
Perde a atitude,
morre a chama.

Guarde a alma,
siga em pé.
Perda é calma
quando é fé.

Nada se perdeu
Tudo se perdeu
Eu já te perdi
E já me parti

Não se perde
o que não foi.
Morte cede,
mas não dói.

Mas não dói!



Não se perde
o que não foi.
Morte cede,
mas não dói.

quinta-feira, 27 de março de 2025

Platão de volta à Caverna

"Poesias e Devaneios", Nº 143

Tudo muda, tudo passa, é constante,
Mas às vezes é preciso recuar,
Não por medo, não por ser hesitante,
Mas para melhor se preparar.

Lá fora, Platão, o que encontrou?
Além de dor, ruínas, pranto?
Fogo que arde e tudo queimou,
Deixando no peito um negro manto.

As luzes brilhavam, mas não eram o céu,
E sim as chamas do próprio inferno,
Queimando a pele, rasgando o véu,
Num ciclo cruel, frio e eterno.

Foi você quem se quebrou, quem caiu,
Não os outros, não o destino,
Se entregou à dor, ao desvario,
Agora é sombra no próprio caminho.

Volte à caverna, mas não para estagnar,
Ali se fortalece, ali se refaz,
Pois o fogo ensina, o fogo a forjar,
Espírito forte que ruge voraz.

Pequeno agora, mas logo gigante,
Como o ferro se torna aço no braseiro,
Mundo te espera, segue avante,
Com alma forjada em fogo guerreiro!

AGORA PEQUENO
DEPOIS, GRANDE!


SIC PARVIS MAGNA!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

NEOQEAV

"Poesias e Devaneios", Nº 141

Você, que o tempo levou,
Tua sombra ficou.
O teu nome, vento soprou,
e a saudade ficou!

Riso brando, muito distante,
um eco preso, paira no ar.
Teu olhar doce e errante,
que não canso de buscar.

Horas giram sem pressa,
Na torre que tudo vê.
O tempo sempre atravessa,
mas não leva o que é de fé.

Vento, lembranças,
como folhas pelo chão.
E nelas dançam esperanças,
de um passado em vão.

Se a vida apaga pegadas,
como areia beira-mar,
por que nas noites caladas
teu abraço vem me achar?

Se o tempo apaga traços,
do que fomos um dia,
por que ainda nos meus braços
teu abraço é poesia?

Mas saudade pesa!
feito a brisa, não se vai.
Teu perfume, um jeito perfeito,
de prender no que já não cai.

Mesmo que tempo insista,
a te levar para tão longe,
tua voz na lembrança persista,
feito um sonho que me esconde.

Se a vida apaga pegadas,
como areia beira-mar,
por que nas noites caladas
teu abraço vem me achar?

Me sobra pouco assim
Apenas lembranças vãs
Mas uma sigla enfim
NEOQEAV


 


"Nunca esqueça o quanto..."

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Sem a Espera

"Poesias e Devaneios", Nº 140


Sem a espera
Não há decepção
Sem o pecado
Não há condenação

Sem a promessa,
Não há traição.
Sem chama acesa,
Não há escuridão.

O tempo que varre,
E apaga os rastros,
O ontem some
Em ventos tão vastos.

O eterno que falha,
O sonho que esfria,
Ainda há um brilho
Dentro da nostalgia.

No vão dos dias,
A vida ensina:
Nada é pra sempre,
Somente a rotina.

Mas se há recomeço,
Há nova estrada,
Mesmo que o "pra sempre"
Seja cilada.

Mas sem a espera
Não há decepção
E sem o pecado
Não há condenação!


O "pra sempre" é uma ilusão que se desfaz no tempo,
mas recomeços são inevitáveis.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Recomeços

"Poesias e Devaneios", Nº 139 


O "pra sempre" não é mais do que uma ideia que se desmancha,
um eco distante que atravessa noites silenciosas.
As promessas, tão cheias de certeza no momento,
acabam se dissolvendo no turbilhão da vida,
deixando apenas aquele vazio desconfortável.

O tempo, com sua sabedoria implacável,
não poupa ninguém: ele desfaz até o eterno.
Aquilo que parecia sólido, fervoroso,
vira sombra, um rastro pálido de um amor que já foi.

O "pra sempre" é como um oásis no deserto,
algo que a gente quer tocar, mas que desaparece na aproximação.
E mesmo assim, a gente se apega,
como se pudesse escapar das mãos impiedosas do tempo.

Mas no fim, resta apenas a lembrança,
um sussurro antigo perdido no vento.
E mesmo que doa, ainda insistimos,
pois há beleza no que é passageiro.

O "pra sempre" não morre, só adormece,
nas entrelinhas de cartas esquecidas.
E às vezes, em um suspiro distraído,
ele desperta, mesmo que por um instante.

E o vazio que sobra não é só dor.
É também espaço — espaço para o novo,
para renascer e reaprender a viver,
porque talvez o único "pra sempre" que existe
seja o ciclo constante de recomeços.




Porque talvez o único "para sempre" real
seja o eterno ciclo de recomeços.


sábado, 15 de fevereiro de 2025

Moirai

"Poesias e Devaneios", Nº 138


Um grito ecoou na caverna sombria,
o povo assustado não quis avançar.
O fazendeiro, com sua ousadia,
resolveu sozinho o mistério enfrentar.

Uma lâmina firme, a luz tremulante,
passos incertos na escuridão.
Viu um homem, olhar vacilante,
sangue tingindo sua própria mão.

O vulto fugiu sem qualquer resposta,
mas um novo grito logo chamou.
No chão de pedra, mulher exposta,
o sangue em seu corpo a vida roubou.

"Saia daqui!" gritou, agonizando,
antes que a morte a viesse buscar.
Seu sangue no homem foi respingando,
a lâmina rubra, sem nada cortar.

Correu para fora, buscar solução,
mas no caminho alguém o parou.
“Explique-se já!” veio a acusação,
e o medo seu peito apertou.

A lâmina fria cravou-se em seu peito,
a vida esvaiu-se sem nem compreender.
O destino, cruel, lhe armou um enredo,
onde inocentes não podem vencer.

O chão gelado acolheu seu fim,
No breu da gruta, silente e ruim.
Sem voz, sem culpa, sem direção,
Morreu na sombra e sem acusação.

"Nada mais via ou sentia, seu coração parou 
e tudo acabou ali."



quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

RMS

"Poesias e Devaneios", Nº 137

O oceano está frio, sem calor,
E eu fico aqui, sem muito a dizer,
O vento corta, sinto o rancor,
O frio cresce, difícil de entender.

Eu quero saber até onde vamos,
Reclamar e cobrar o que é nosso,
Daquela companhia, que nunca nos damos,
Por que aceitá-la, sendo um poço de desgosto?

O mar não mente, ele só avisa,
Que o tempo de espera está se esgotando,
E quem cala, quem finge que improvisa,
Está vendo o futuro desmoronando.

A maldita espera nos faz pensar,
Que o certo não é mais tão seguro,
Mas mesmo assim, continuamos a lutar,
No frio que nos envolve, ainda é puro.

O oceano, esse grande segredo,
Fala sem palavras, mas com força imensa,
E no fim, sabemos, é só o que ficou,
A luta pelo certo, por mais que o medo faça suspense.


"E no fim, sabemos, é só o que ficou,
A luta pelo certo, por mais que o medo faça suspense."

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Ostrakon

"Poesias e Devaneios", Nº 136

Sonhei com as maravilhas da vida!
Guardadas nos corações aquecidos pelo amor,
Nos gestos silenciosos das almas sóbrias,
Que, um dia, conheciam o sabor da completude.

Busco as revelações que os sagrados murmúrios
Derramaram sobre os imprudentes em suas brasas frias,
Sob raios de sol que se dissipam como ecos,
Sobre lagoas de sangue negro e folhas de faia no outono.

Mas tudo se residirá no esquecimento!
O sofrimento eterno nasce na ignorância dos homens,
Que escavam em seus corações apenas para encontrar
A ilusão de uma riqueza em um mundo que sangra.

Esfolam seu dorso com facadas de prata,
Agradecendo com brutalidade a dor que lhes fere,
Enquanto tudo que possuem se desfaz como névoa,
E o tempo os lança ao vazio de sua própria sombra.

A beladona dança entre as piscadas honestas,
Sombras destilando pragas recém-nascidas,
O calor que devora é o ventre dos antigos sonhos,
Antes que a maldade moldasse seu rosto eterno.

Mas tudo se residirá no esquecimento!
O sol bate como tambores nos corações,
Um som surdo devorando a memória,
Um ruído que consome o próprio eco!

Me esqueçam! Me esqueçam! Me esqueçam!

Gravem meu nome em uma concha maldita,
E peço apenas o mais sublime presente:
O alívio sereno do esquecimento absoluto.
Pra quem merece, pra quem merecerá!

E assim proclamo: tudo será esquecido!
E em um grito que rompe o silêncio,
Rogo mais uma vez:
Me esqueçam! Me esqueçam! Me esqueçam!

E pra que, a ultima vez, não fui claro o suficiente:

Me esqueçam! Me esqueçam! Me esqueçam!



"Gravem meu nome em uma concha maldita!"






sábado, 4 de janeiro de 2025

Siga sua vida, vá pra casa!

"Poesias e Devaneios", Nº 135

Vá, vá em frente, siga sua missão,
Aos poucos, todos mostram quem são.
Seja firme, não se deixe enganar,
Os falsos sempre acabam por se revelar.

Deixe a luz em seu peito brilhar,
Seja você, não tente mudar.
A liberdade é sua, abrace com fervor,
E use Deus como seu condutor.

Caminhe ao Ilê, seu destino buscar,
Não deixe ninguém sua mente dobrar.
Faça do seu coração seu verdadeiro lar,
E da sua força, um farol a iluminar.

Não se prenda às correntes da ilusão,
Seja o dono único do seu coração.
A verdade em você é a maior vitória,
Escreva com coragem a sua história.

Então vá, sem medo, com fé no olhar,
A estrada é sua, não deixe de andar.
Seja você, no caminho ou na solidão,
Deus te guiará, és tua própria razão.

Vá, vá em frente, siga sua missão,
Aos poucos, todos mostram quem são.
Seja firme, não se deixe enganar,
Os falsos sempre acabam por se revelar!



Ogum onilê...Onilê Ogum
A boa do Ilê...Onilê Ogum




terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Dois Mil e Vinte e Quatro

"Poesias e Devaneios", Nº 134

Vá, e não ouse retornar,
Não traga mais sombras para este lugar!
Deixaste marcas na pele e no coração,
Marcas ruins, de dor e de retidão.

Não há pena, mas também não há rancor,
Esta volta ao redor do sol foi só dissabor.
Lições ficaram, mas a que custo?
Te quero distante, teu peso é injusto.

No tempo e no espaço, desejo-te perdido,
Que teu eco se apague, teu rastro esquecido.
Te digo adeus sem olhar para trás,
Carrego esperança, e nada mais.

O sol renasce, traz nova estação,
Leva contigo a mágoa, deixa o perdão.
Te deixo nas páginas que não vou reler,
Adeus, passado, é hora de renascer.

Adeus, enfim, teu ciclo findou,
Dois mil e vinte e quatro, teu tempo passou.
Recebo o futuro com alma aberta,
Pois cada adeus é uma porta certa!

Vá, e não ouse retornar!



O sol renasce, traz nova estação,
Leva contigo a mágoa, deixa o perdão.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Não existe o "Pra sempre"

"Poesias e Devaneios", Nº 133

Não existe o "pra sempre" além do próprio vazio,
Um eco que se perde em noites de solidão.
Promessas dissolvidas no breu do desvario,
Deixando só silêncio em meio à escuridão.

O Tempo, velho sábio, devora o que é eterno,
Transforma em pó as juras feitas com fervor.
Coração que outrora era, quente e também terno,
Agora só reside a sombra e o rancor.

O pra sempre é miragem, é um sonho fugaz,
Que a vida, com suas dores, insiste em desfazer.
A eternidade, por si só é, um momento audaz,
De acreditar que algo pode nunca morrer.

No vazio que sobra, há um novo alvorecer,
Uma ideia que se desmancha, mas outra vai florescer
E o que finda não morre, vai apenas renascer,
Pois o pra sempre, no fim de tudo, é viver e aprender

Não existe o "pra sempre" além do próprio vazio,
Um eco que se perde em noites de solidão.
Promessas dissolvidas no breu do desvario,
Deixando só silêncio em meio à escuridão.




"Agora está tão longe, vê
A linha do horizonte me distrai"


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

O Cheiro Dela

"Poesias e Devaneios", Nº 132

O cheiro era bom, desses que ficam na alma,
Um aroma que abraça, que nunca se esquece.
Talvez fosse dela, ou só da calma
Que vinha dos seus braços onde o mundo adormece.

Era cheiro de saudade, com intenção de ficar,
Um perfume que a memória insiste em guardar.
Cheiro de mulher, desejo a pairar,
Algo que, em mim, parecia se encaixar.

A gente se abraçava mais do que o costume,
Num tempo que parava, só pra nos caber.
E o beijo tardava, mas não foi amargume,
Era sonho palpável, quase a acontecer.

Hoje ilusão, mas tão bem desenhada,
Pelo sistema límbico, guardião de enganos.
Baseada no real, assim foi moldada,
Reflexo perfeito, de outros tantos planos.

Só que o cheiro ficou, e nunca vai partir,
Uma lembrança tão forte, que toca e me aquece.
Se era dela ou de sonhos, pouco importa definir,
Pois ainda é o melhor que em mim permanece. 


_“Eu vou dizer o que você quer ou vou dizer o
que não quer ouvir, e é isso que você quer saber?
Você quer saber a verdade?"


sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Soneto da Decepção

"Poesias e Devaneios", Nº 131

Entre papéis desgastados, despejo minhas angústias,
porque o papel é o receptáculo das dores e aceita tudo.
Fizeste o que consideraste justo,
e na tua alma, encontraste um alívio que te bastasse.
Aquele amor que eu dizia ser tão imenso
não era uma invenção, mas um pulsar constante.
Vivia em mim com a força de um sonho,
presente em cada noite, em cada silêncio.
Mas agora, pergunto-me com insistência:
quem realmente habitava esses sonhos?
Tu deixaste de existir naquele instante exato,
quando teus olhos se cruzaram!
Com outra presença ao meu lado.
A mulher que eu conhecia evaporou-se no ar,
desfez-se como névoa ao toque da realidade.
O que restou foi negação, incessante e firme,
e a certeza de que nunca voltaríamos a ser os mesmos.
Na dor desse reconhecimento, algo novo nasce,
uma nova identidade moldada por cicatrizes.
Compreendi, afinal, que amava apenas uma sombra,
mas nessa sombra, descobri a essência do perdão.
Agradeço-te e a Deus por não me ter dado outra chance,
pois amaríamos fantasmas, tu e eu,
presos em uma memória de algo que já não existe!


Com outra presença ao meu lado.
A mulher que eu conhecia evaporou-se no ar,
desfez-se como névoa ao toque da realidade.



  

domingo, 24 de novembro de 2024

Interlúdio da Floresta

"Poesias e Devaneios", Nº 130

No véu da névoa, o silêncio ecoa,
A floresta murmura, melodia tão boa.
Cipós tremulam, ritmo do vento,
Segredos antigos, guardam o momento.

Folhas dançam, balé natural,
Luzes filtradas criam um portal.
Trilha sonora, suave e envolvente,
Toca o coração, quem estará presente?

Cada passo, um salto de fé,
Entre inimigos que a sombra revé.
Na calma da música, és um abrigo,
Lembrete sutil: você tem consigo.

Harmonia! Verde e som,
Aventura dura, mas leva ao tom.
De que na jornada, o belo é essência,
Haverá desafio, nova uma experiência.

Oh, doce Interlúdio, encanto sem fim!
Entre brisa cipós, o mistério em mim.
Tu és mais que isso, emoção pura,
Um pedaço da alma, eterna...segura!




Sob o véu da floresta, a brisa se desfaz

sábado, 9 de novembro de 2024

Sobrou uma foto

"Poesias e Devaneios", Nº 129

Sobrou uma foto! Foi sob um sol quente que posamos para uma foto, que era uma pequena capela em uma cidade que estávamos visitando, interior de SP, em uma festa de aniversário.

Sendo assim enfim posamos, e a foto ficou perfeita, um olhando para o outro, em mais uma tarde mais que perfeita.

Mas olha só, tudo perfeito, e era lindo, como ríamos aos sons de risadas alheias, e conversas, e foi seguindo mais uma tarde maravilhosa.

Minhas tensões era coisas banais de assuntos banais, pois eu vivia efemeridades e em uma certeza de falta de dúvida, era eu e você, e sempre contra o mundo...

...contava com isso, e jamais duvidaria, na altura daquela vivência... não duvidaria

Mas não vivemos de futurações e conjecturas e nem pensando em como a gente acha que vai ser tudo...

Hoje só sobra uma sombra e um rancor, que me fez acreditar que existia alguma sobra ou resquício de sentimento, mas na pratica nunca houve e nunca haveria de haver nada de sentimentos da sua parte, pois você nunca foi mais do que uma casca vazia de um grande nada.

Era só uma sombra e uma ilusão, onde depositei o ouro que não tinha, e foi-se todo ouro inexistente, fiquei devendo até o talo em tudo no sentido não monetário.

Eu estou devendo à mim mesmo pela perda da dignidade de me entregar à um ser que nada valeu depois da quinta ordem de grandeza de um nada, mas eu entendo que nada poderia corresponder à alguma coisa, então entendo que você tem um potencial enorme, pois isso ficará marcado como uma mácula.

Mas essa mácula sempre será merecida, pois quem confia é o responsável e fiador por todo advento que vier, e eu fui, então tudo que aconteceu foi responsabilidade prima minha, e você é apenas um subproduto de tudo que eu deixei entrar na minha vida!

Você é tão somente a consequência das minhas escolhas erradas, mas não só a única, só que me lembra e faz lembra-te como um fantasma de erradas escolhas indeléveis, e será sempre assim, um ser que nunca sairá da minha mente, apesar de ela ir "apagando as beiradas", o núcleo ficará, que que é você: um fruto muito ruim e amargo de uma escolha muito errada!

Foi sob um sol quente que posamos para uma foto, que era uma pequena capela em uma cidade que estávamos visitando, em uma festa de aniversário, mas sobrou uma foto!


Sobrou uma foto, e aqui está antes que
jogue-a fora.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Saudade Profana

"Poesias e Devaneios", Nº 128

Sinto saudade de 1993… um ano que, ao olhar de longe, parece ter sido feito de momentos perfeitos. Pelo menos a primeira metade, aquela que carrego com um carinho quase nostálgico, como se fosse uma fotografia amarelada pelo tempo. Tudo era bom, tudo tinha um brilho suave e confortante. Foi uma época em que as coisas simplesmente pareciam fluir, as oportunidades estavam ali, espalhadas pelo caminho, esperando para serem colhidas! E eram muitas! Caíam aos montes pelo chão com um estrondoso barulho, igual jaca madura caindo do pé! Era uma época onde eu me sentia imortal, invencível, quase um super-herói da Marvel!

E eu as deixei passar. Cada uma delas. Oportunidades que surgiram, tão claras, tão óbvias, e que eu, por alguma razão, não soube aproveitar. Desperdicei cada chance como se o tempo fosse infinito, como se o ano não tivesse um fim. E agora, aqui estou, sentindo o peso da saudade de algo que eu poderia ter vivido de forma mais plena, mais presente. Mas na época, não percebi. O que parecia eterno agora se dissolve em lembranças! Me tornei profissional e desperdiçar as melhores oportunidades que a vida me deu! O deus ex machina que me salvou, duas, três ou quatro vezes! Ele sempre estava apto mecanicamente para me salvar, assim como a antiga e original metáfora grega!

Mas, ainda assim, a saudade é forte. Sinto falta daquela leveza, saudade de tudo que foi perdido, enterrado... com ou sem razão! Saudade daquela sensação de que o mundo estava à disposição. Mesmo com os erros, mesmo com as escolhas que não fiz, 1993 me abraça em pensamentos com uma doçura melancólica. Foi tudo tão bom… E a parte mais difícil de aceitar é que, mesmo sabendo que deixei escapar tanta coisa, ainda carrego essa saudade. Uma saudade boa, como se a memória pudesse apagar os tropeços e deixar só os momentos em que tudo parecia perfeito. 

Agora é visar basicamente 1995, e depois de um 1994 quase findado e confuso, cheio de altos e baixos, parece que as coisas finalmente podem finalmente tomar forma. Não posso negar que o esse mesmo 1994 em quase sua totalidade foi basicamente frustrante, cheio de promessas não cumpridas e decepções que me fizeram questionar muito do que esperava. Era como se 1994 tivesse o potencial de ser um grande ano, mas faltou algo — talvez foco, talvez sorte. Eu queria mais, mas tudo parecia se arrastar, sem o brilho que esperava. O que faltou na verdade é a boa e velha VERGONHA NA CARA.

Agora, olhando para 1995, sinto um otimismo cauteloso. Aprendi com 1994 a não criar expectativas irreais, mas também a não me deixar abater pelos contratempos. Vejo que o em breve novo ano tem suas oportunidades, mas estou mais consciente, mais realista. Sei que não basta o ano ser bom por si só, eu preciso estar pronto para agarrar o que vier, mesmo que de forma imperfeita. Se 1993 foi o ano que eu desperdicei e 1994 o ano em que me perdi, 1995 é a chance de encontrar equilíbrio. Não será perfeito, mas talvez, dessa vez, seja o suficiente.



"Não será perfeito, mas talvez, dessa vez, seja o suficiente."