sábado, 17 de junho de 2017

Síndrome da Rainha Vermelha na Vida Pessoal

"Reflexões Pessoais", Nº 26


A "Síndrome da Rainha Vermelha" é um conceito, um postulado de sociologia, publicado na forma de livro de não-ficção pelo autor e sociólogo Marcos Rolim.

Todo o conceito da obra é pensado para ser trabalhado em cima da segurança pública brasileira e suas deficiências.

A ideia surge de uma passagem específica de personagens específicos da obra de Lewis Caroll, "Alice Através do Espelho". É sobre a frustrante sensação da personagem Alice de que quanto mais se corre, mais se fica no mesmo lugar:

"..."Vamos , Alice , corra, corra mais". Exausta com o esforço, ela se frustra quando percebe que não saiu do lugar. No mundo da Rainha Vermelha é assim mesmo. Corre-se mais e mais, para não sair do lugar. Alias, é preciso correr muito para ficar no mesmo lugar..."

Alias a metáfora que é o escopo do tema pode nos levar a refletir não só sobre a segurança pública, mas também sobre outros temas e aspectos.

Quantas vezes na vida nos pegamos sofrendo de tal Síndrome? Exatamente assim, correndo contra o tempo implacável para exatamente FICAR NO MESMO LUGAR? Somos frustrados com o bombardeamento pelas mídias diversas sobre a possibilidade de todo mundo ter "seu lugar ao Sol", como se o "sonho americano" fosse extensível para nós aqui também nas terras verde-amarelas. 

Crescemos e amadurecemos em uma bolha social e filosófica onde nos é apregoado que com o simples esforço e um "querer" conseguiremos atingir nossos objetivos utópicos: sermos ricos, famosos, e até mesmo coisas que julgamos simples, como sermos reconhecidos e amados simplesmente pelo nosso caráter e nossa honra, e não simplesmente pelo que temos ou nossa aparência externa, cor da pele, etc.

É aí que chegamos ao ponto de perceber que estamos fazendo EXATAMENTE o que Alice fez: correndo, correndo, correndo e correndo com toda força para ficar no mesmo lugar: pagar nossas contas, acordar cedo, trabalhar em uma rotina monótona e angustiantemente previsível, sustentar ego e luxúria de uma sociedade pautada pela aparência e com uma profundidade tão "grande" quanto uma piscina infantil.

E como Alice, no livro de Lewis Caroll, nós mesmo acabamos se frustrando, e exaustos pelo esforço inutilmente desenvolvido, desistimos de tentar, de ser, de criar, e passamos apenas a existir, de forma vazia e automática, como uma legião de fantasmas, vivendo a vida no "modo automático".

E com o olhar vazio "das mil jardas": NASCEMOS COMO UM MORTO E MORREMOS COMO SE NUNCA TIVÉSSEMOS NASCIDO.

"...e quando a própria vida funciona como uma máquina de destruir sonhos e padronizar almas..."




terça-feira, 6 de junho de 2017

Por que eu acredito em Deus?

"Reflexões Pessoais", Nº 25



Uma pergunta que seria tão simples e ao mesmo tempo tão complexa: Porque eu acredito em Deus?

Primeiramente eu divido conceitos de forma bem clara e concisa em minha mente: Fé e Doutrina, Espiritualidade e Religião. Tais conceitos que a primeira vista poderiam ser considerados praticamente sinônimos, pra mim se opõem fortemente. Pra mim a doutrina estraga a fé, e a religião sufoca a espiritualidade.

Tendo em mente que divido claramente os conceitos retromencionados, já adianto que não sou religioso, tampouco, apesar de desnecessário dizer, sigo quaisquer doutrina de forma íntima. 

As pessoas costumam crer verdadeiramente em Deus por duas vias distintas: experiência pessoal/sobrenatural ou pela pura lógica. Desta forma, digo que minha crença em Deus, no Criador, se deu basicamente pela segunda alternativa. 

Nunca de fato pude sentir aquilo que muitos dizem sentir, e por isso cheguei a duvidar. Não poderia ter sido tão tolo.

Basicamente ao se compreender o ser humano como espécime biológico, podemos ter a noção de quão limitadas são nossas ferramentas de percepção do ambiente que nos cerca, da nossa auto-declarada "realidade". Tudo em nós é extremamente limitado, nosso cérebro nos oferece um modelo muito limitado da dita realidade para que possamos viver nossas vidas de acordo com nossos preceitos puramente biológico.

Desta forma lhes pergunto, como então que entenderíamos a lógica do Criador sendo nós mesmos a mera Criatura? Como entender a lógica de Algo que pode estar por trás da criação das próprias leis da física como conhecemos? 

É como se imaginássemos de alguma forma um computador tentando compreender o amor, ou o ódio, simplesmente não dá. O computador é criação nossa.

Não há como a Criatura entender a lógica do Criador, seria-nos muita presunção quiçá entender a sua existência ou não-existência, mesmo porque o próprio conceito de "existência" é algo muito limitado que nos é oferecido pelo nosso humilde cérebro. 

Creio em Deus, embora sou e serei sempre muito limitado para compreendê-lo.



"Somos apenas parte de um todo."





quarta-feira, 17 de maio de 2017

Há Infinita Ternura

"Poesias e Devaneios", Nº 40


Há infinita ternura
Ante o anoitecer
Os olhos do pássaro seduz
Buscando o que é impossível de ter

A ternura infinita se revela
Sob o sol de meio dia
Acordes do piano que apela
E acaricia a melodia

Talvez um dia o poeta chore
E suas lágrimas sejam ouvidas
Precedendo um tempo de amor
Onde as flores são bem-vindas

Meu amigo, um dia será
Com flores em cada porta
E as lágrimas vão secar
Num tempo que a vida conforta

Há infinita ternura
Ante o anoitecer
Os olhos do pássaro seduz
Buscando o que é impossível de ter




"Veja o mundo num grão de areia, veja o céu em um campo florido,
guarde o infinito na palma da mão, e a eternidade em uma hora de vida!"

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Quando o fim chega para um Velho Pescador

"Poesias e Devaneios", Nº 39


Uma só metade, sou, sucintamente
Brevemente, serei novo
Logo, inteiro, descano eternamente

As ondas trazem sal
Fúria, amor, tranqüilidade
Ondas lavam sobre mim
Trazem do mar a reciprocidade

Eu não consigo entender
O sol estava tão brilhante
Esses últimos goles, aqui vou estender

Dizem que por quão longe a casa se encontra
O mar é minha terra, meu senhor
Eu encontrei, enfim, meu lugar
Serei a costa por onde a onda adentra

Meu dever já foi lido, liberto
Os gritos já foram silenciados
De onde a água encontra a terra
Na costa onde vejo o mar aberto

Morte passada,
Tempo passado, 
Vamos dormir


Dedico essa pequena poesia às pessoas que a onda já levou, mas que ficarão pra sempre em nossos corações.

V. S. Rezende *1943 † 2017
A. Ribeiro *1937 † 2017


"Tudo é passageiro. E do fim, não se escapa."



sábado, 8 de abril de 2017

Carta: "Tempo é distância"

"Cartas Perdidas", Nº 23


Socorro/SP - 7 de agosto de 1998


Não sei ao certo porque lhe escrevo agora, e nem tenho tempo nem paciência mais para tal.

A questão é que de fato senti falta. E escrevo "senti falta" simplesmente, sem me referir objetivamente ao que ou à quem eu sinto de fato falta, mas deixo em aberto por exatamente não saber.

Não sei o que tem em mim que me representa uma saudade ou nostalgia tansa, mas a questão é que, sim, senti falta das cartas tolas que lhe envei um dia já, mas em um tom totalmente diferente.

Te amei demais por meio de palavras, tinta e papel, mas que poderia ter ebulido todos esses sentimentos presos aqui por outros meio, digamos, bem mais tangíveis. Sim, não devo ser tão frio e platônico a fim de falar que amava você de forma pura e te tomava como um anjo puro. Era de fato uma paixão bem mais profana que você possa imaginar, pois eu como um homem carnal te desejava em cada centímetro de pele sua, e poderia ter te devorado em êxtase, te arrancado cada gota de fôlego como uma mulher sendo um vulcão eruptivo. Ah sim, como teria!

Mas é vão falar sobre não-fatos, só devo reforçar que lhe escrevi agora porque quis tentar lembrar disso que existia em mim, e se esvaiu. Meus olhos têm ficado vazios a cada dia, semana, mês, enfim. Tenho me sentido estranho, me sinto esticado, como manteiga espalhada em um grande pedaço de pão, estou fino. Te escrevi por isso, senti falta, e sinto falta, talvez de você mesma, ou talvez daquele fogo, brilho no olhar que eu via no seu, mas que na verdade era eu mesmo. Como já me disseram uma vez, eu vejo em você o meu amor próprio, e amo você como se fosse um reflexo aperfeiçoado meu.

É disso que sinto falta, de fato, sim, ter um reflexo aperfeiçoado meu, eu perdi isso, perdi essa capacidade de ver isso em mim mesmo, mesmo que fatalmente eu tivesse outrora refletido isso em outra pessoa.

Mas isso nem importa muito, o importante é tentar dizer, pois você sumiu, não te vejo, sumiu até de meus sonhos, parece que realmente nem mesmo existiu.

Talvez no fundo eu nunca tenha deixado de te amar, mesmo que ainda ame uma sombra.


"Certas coisas são injustas e intempestivas, enfim! Devo me acostumar com esse fato, ela é desproporcional em muitos pontos."

domingo, 1 de janeiro de 2017

Eu sou um Lobo

"Curtas", Nº 32


Eu sou um lobo porque eu me encontro nas sombras e na dor.

Não existe felicidade derradeira senão aquela em que voltamos a ser o que sempre fomos na nossa natureza mais primitiva.

Eu busco as revelações de tudo que os sagrados contaram para os imprudentes nos sonhos de brasas frias sob os raios de sol que se dissipam sobre lagoas de sangue negro e cobras que comem pedaços de crianças das árvores de cordeiros no outono

O sofrimento eterno é a infelicidade dos homens ignorantes que nunca falham em buscar as profundezas de seus próprios corações e vêem somente a riqueza de um pobre mundo que sofre para esfolar seu próprio dorso com facadas de prata e agradecimento brutal.


"Em segundos, minutos ou anos, meus passos são soturnos."

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Lago de Lágrimas

"Poesias e Devaneios", Nº 38



Eu vou construir um lago de lágrimas. O lugar eu não sei onde, talvez num deserto, em um bosque, talvez em um lugar que ainda nem sei o nome. Talvez em um lugar que não seja físico.

O buraco será bem fundo, pois deverá guardar todo o conteúdo. As lágrimas eu irei depositar lá, ficará grande e melancólico.

Nem precisarei desviar um rio, pois só usarei as lágrimas, que serão captadas de todas os lugares.

Serão as lágrimas verdadeiras, amores desfeitos, amizades destruídas, paixões dispensadas. Serão lágrimas amargas, as vidas marcadas e as preces perdidas.

São as lágrimas da esperança, lágrimas da emoção, lágrimas da vontade.

Ficará grande, enorme.

E, no meio dele, vou construir uma casa. Uma pequena casinha, onde você poderá ir de vez em quando. Você está lá no meio do lago de lágrimas, cercado da tristeza, da saudade, das lamúrias. Cercado do passado e do futuro. Cercado de você, de mim, de tudo.

De amores não vividos, e planos não realizados.

Você ficará lá quando quiser visitar meu lago. Lá você verá o tamanho que ele é, é gigante.

Eu vou construir um lago de lágrimas.



"Se a felicidade for derradeira, a vida vai seguir seu curso."





terça-feira, 18 de outubro de 2016

Carta "Interminável Incompletude"

"Cartas Perdidas", Nº 22


Niterói/RJ -  22 de setembro de 2002

Oi. Hoje precisei te escrever.

Não me lembro de quando foi meu último sorriso.. Mas essa será, possivelmente, minha última lágrima..

Respiro... Profundamente... Pausadamente.. A noite silenciosa me faz outra vez entrar nessa monótona reflexão. Bem, aqui estou eu, empilhando sentimentos, momentos.. Esse silêncio me tira totalmente do trilho, e sussurros sombrios me invadem a mente... Por que deveria eu me importar com tudo isso agora..?! Qual o sentido dessas linhas escritas a essa altura..?! Talvez eu só esteja meio perdida.. Tem sido assim na maioria das vezes nos últimos anos..

Na verdade, nem sei.. Acho que, em algum ponto, adormeci por tanto tempo, que não percebi os dias se escorrerem por entre meus dedos. Tão depressa que nem tive a chance de me despedir.. Quando pude ver, eu vi.. Quando pude amar, eu amei.. Quando pude destilar minha dor, assim o fiz.

Mas hoje meu interior transforma-se em pranto ecoando em vão e, mesmo que em meus lábios escapem palavras doces de que tudo está tão bem quanto antes, agora nada me traz o sossego de outrora..

Eu já não me importo muito com o rumo que as coisas irão tomar daqui pra frente. Sinto, de certa maneira, saudades de coisas que se foram há tempos, mas isso não é mais suficiente para que eu queira revivê-las. Ainda há coisas e pessoas das quais gosto e gosto muito, acredite! Mas isso não me prende a nenhuma delas.

Por favor, saiba que sou e serei sempre grata a você! Mas insistir nisso seria loucura. Talvez eu devesse ter ouvido seus conselhos, todos eles (porque você me amou quando eu não fui capaz).. Mas o conhecido livre arbítrio me impulsiona sempre para ‘minhas’ escolhas erradas. Se ao menos você soubesse o quanto me arrependo..

Só é trágico esse arrependimento não fazer a mínima diferença. Sabe, poderia ser diferente..

Ou talvez era pra terminar assim.

[...]

''Eu não decidi ficar.. Eu não resolvi partir..''


sábado, 15 de outubro de 2016

Carta: "Pra não dizer outra coisa"

"Cartas Perdidas", Nº 21


Hospital São Vicente de Paulo, Rio de Janeiro/RJ
12 de Setembro de 2004



Não sei quem você consegue ser na minha mente, porque a existência é condicionada ao que a pessoa nos representa, isso não muda a fato que tudo tenta ser no que a gente entende.

Você simplesmente entrou e pulou na minha vida, é coisa impossível e infactível.

Você infelizmente entrou sim em minha mente, e fatalmente em meu coração, e em uma intensidade que não deveria ter sido.

Odeio ter que chegar ao ponto de escrever. Materializando uma ideia que já nasceu estranha, mas o provérbio é bem claro: Verba volant, scripta manent.

Ao materializar isso, deixo claro muita coisa.

Suas opções? Não é questão de opção nem de opinar, mas eu já entendi essa questão de “opinar” por assim dizer.

E eu também não sei se foi realmente a primeira carta. Talvez já devo ter escrito outras, para em seguida amassar e jogar fora.

Talvez eu tenha descartado porque tinha vícios de linguagem, vícios de concordância e vícios de uma coisa que eu nunca poderia tentar transmitir de forma correta. Isso está tudo errado.

Pode me achar distante e iludido, mas não estou tão longe, estou quase cara a cara. E não sou fraco assim, apesar de você me tornar mais ameno.

Sendo claro, eu te quero, e muito. Pra não dizer outra coisa.


"Tão perto, não importa quão longe, Não poderia ser muito mais vindo do coração"



terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Caminho de um Guerreiro

"Poesias e Devaneios", Nº 37


Minha alma, cerração
Coração, uma bomba
O medo dominou meu corpo
Em mil dúvidas, sem razão

Longas noites claras
Dias escuros, não tem volta
Obstinação, sem saber o que ver
A descobrir, não podia adiar

Suor e sangue, a liberdade
Finda na paz, com sacrifício e coragem
Auto-engajamento para respostas alcançar
Sem revolta não chegaria a nenhum lugar

Estado de caos, depois o de equilíbrio
Difícil enxergar se a alma vira o inimigo
Essência absurda. Existência contingencial
No fim, força e honra sempre serão vitais

Manchado de sangue enfim tudo claro
Entendi o caminho. Me transformei
Trilhei o meu caminho
E libertei meu disparo

"Uma alma sem respeito é uma morada em ruínas. Deve ser demolida para construir uma nova."

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Carta "Já faz um tempo.."

"Cartas Perdidas", Nº 20


Paraopeba/MG - 13 de janeiro de 2004

Sabe... Já faz um tempo que estou de volta em casa... E... Por tempo demais tenho relutado em lhe escrever... Mas agora, enquanto a silenciosa chuva insiste em cair lá fora nessa fria noite de maio, sinto-me na necessidade de transcrever tudo aquilo que tanto me ocupa a mente, martelando-a incessantemente.

Falando a língua de uma simplória adolescente, já faz um tempo que as coisas mudaram e acho que só eu não havia percebido. Já faz mesmo um tempo desde que o acaso tratou de nos apresentar, como meros amigos, e acabou por nos unir tão intimamente... E, neste momento, me pego nesse silêncio que tanto me incomoda, a ponto de eu mal funcionar, pensando em tudo...

As gotas que escorrem pela vidraça me trazem à lembrança teu riso tão sincronizado com o meu... Lembra-se das madrugadas gargalhando das piadas bobas..? Éramos apenas dois loucos (e olhando de perto, quem é normal?). Lembra-se das muitas mensagens de carinho trocadas nas noites de insônia? Lembra-se da última vez que esteve por perto? Foi esta a primeira vez que voltei a amar... E é estranho como o tempo passa tão rápido.

Eu acho que você deve estar ciente de que guardo todos os teus sorrisos em meu pensamento... E sabe, a cada vez que o telefone toca, sinto sua falta. Apesar de soar clichê, sinto MESMO sua falta.. Mas, ainda assim, ainda com toda essa vontade de te ter por perto, tenho medo... Tenho medo de que tudo se repita e que eu não seja capaz de suportar a dor uma vez mais. Tenho medo de que não conseguirei reencontrar-me frente à novas perdas... Tenho muito medo de que tudo seja tão passageiro tal qual é a vida.. Porque, é inevitável, eu sei, mas não quero me permitir sofrer. Só que, mais importante, não quero também que você se machuque. Não de novo. Não dessa vez..

Sabe o que mais? Pode parecer exagero - ou aquelas frases de boba apaixonada - mas eu sacrificaria minha felicidade para ver a sua.. Porque isso é importante pra mim. É sério! Simplesmente penso que tenho demasiada empatia por tudo isso a ponto de me esquecer de mim, não dá pra diminuir a intensidade de algo tão forte como o que sinto. E isso me apavora...

Não sei bem o que dizer, enfim... Talvez seja tudo isso apenas um sonho. Talvez nada disso faça sentido. Mas não há mesmo muita coisa que faça, nesse estado ilusório ao qual somos submetidos. Contudo, reitero: eu ainda estaria aqui mesmo com toda essa loucura...


P.S.: meu som preferido continua sendo o do teu riso.

"Eu ainda estaria aqui mesmo com 
toda essa loucura..."

domingo, 10 de julho de 2016

Esquinas e amores

"Poesias e Devaneios", Nº 36


Porque em cada esquina, em cada lacuna
Ruas vazias, a rua escura
Vento gelado, saudade batendo
Amor solitário, amor de loucura

Dia batendo, noite sem fim
fera rugindo, rubor pulsando
Sei de você não sei mais de mim
Sei de nós dois, paixão exalando

Minha presença, se faz tão presente
e sua ausência, em mim tão crescente
Em rondas sem fim, serei nobre infante
Em seu coração, seu mais doido amante

 
Pois que no fim tudo muda
Não haverá mais temor
Pois de ti mesmo só quero
O seu mais forte amor

Não temo minha morte
Nem da vida o rechaço
Pois vou te prender
Pra sempre no meu abraço 

 "Te prenderia pra sempre em meu abraço."


 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Doce e singular existência

"Curtas", Nº 31


Incógnitos são os paradoxos dessa existência. Se há algo sincronicamente complexo e simples, esta é a vida e seus fatos. Tão persistentes, mas ainda assim tão submissos ao imaginário.

Inúmeras são as fantasias, catalisadas como fato abstrato ligado ao fluxo ininterrupto do transcorrer existencial, estimulante das paixões - abstratas - camufladas nos corações.

O apego, intrínseco à natureza humana, progride à medida que se traz à tona a rendição de uma alma. Acrescentam-se ou retiram-se os fatos (em meio ao conflito de cada ser), nessa contradição irremediável em que se deve mergulhar buscando sua harmonia.


"O universo é uma harmonia de contrários." (Pitágoras)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Carta de Despedida

"Cartas Perdidas", Nº 19


Sete Lagoas/MG - 15 de Janeiro de 2004


Você sorriu pra mim. A música suave tocava no player. Claro que eu sabia que era ali que nossos caminhos se separariam. Você abraçou-me, olhando-me, então, nos olhos, como de costume. Segurei minhas palavras por um instante, mil pensamentos ruins em um mix ainda maior de lembranças boas.

O silêncio, outrora quebrado por risos e beijos intercalados a sussurros, agora reinava em tal magnitude que tornava a música insignificante a ponto de não ser ouvida por mim, confessa apaixonada por tal arte.

Você começou a falar. E a cada palavra pronunciada por seus lábios, eu tão somente me perguntava o porquê disso agora. Por que não depois? Ou por que não antes? Não entendia mesmo... Onde havia eu errado? Sim, porque o problema só poderia ser comigo. Não importava a mim quantas vezes você repetia não ser. Eu não aceitaria sua justificativa de que fosse você.

Por meses, me perguntei o que eu mudaria com uma segunda chance. Como eu aprenderia com meu erro (que nem mesmo existia). Mesmo dona de uma racionalidade, julgada por mim como inabalável, por meses me fechei num mundo recluso, sem saber como seguir em sua ausência. Procurava uma forma para entender as circunstâncias, o porquê de estar destruindo-me dia sim, dia não após sua partida.

[...]


Tolice seria negar que um dia te amei. Intensa e puramente. Verdadeira e escandalosamente. Mas o tempo passou, sabe. As noites em claro me fortaleceram, ensinaram-me a enxergar a necessidade de um fim para se ter, pois, um recomeço. E eu precisava me libertar de você, gravando isso em palavras. Consigo agora, sem lágrimas, agradecer-te por tudo que aprendi.

E sabe também, consigo ver, agora, que realmente o problema não era comigo. Mas também não era com você. Não era problema. Simplesmente não era pra ser.

"Não era problema. Simplesmente não era pra ser..."

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Carta "Nada de negar paixões"

"Cartas Perdidas", Nº 18


São Paulo/SP - 7 de agosto de 1998


Oi, queria te dizer que, na verdade eu sinto na obrigação de te escrever. Mesmo estando chovendo.

Eu sinto de certa forma saudades de você. É tão longe mas na verdade a nossa distância não se resume só a distância física.

É, realmente você consegue se lembrar de alguma coisa? O vinho embriagou suas lembranças? Consegue se lembrar de cada palavra? Olha, pensa bem, isso é complicado. O milênio se aproxima tão rápido quanto tudo passa. Eu tenho medo dessa passagem rápida do tempo, meu amor, tenho medo da passagem tudo.

Tenho medo de que tudo fique por assim, mas eu queria saber como eu dizer, pois 500 quilômetro não são suficientes pra isso. Eu nem ligo pra nada, nem mesmo pra essa chuva que vai de forma tão despretensiosa.

Fico aqui voltando a fita toda hora e escutando a mesma música, isso não vai mudar, nem ligo. É impossível eu sei, mentir que nunca te amei, que foi um sonho e acabou.

Mas não, eu lhe amei em todos os momentos que eu acho que somos conectados, e presumo que desde a vista primeira nossa.

Eu te amo e vou lhe batalhar em casa sorriso e sentimento, isso não me duvide. Estou aqui, nessa cidade tão grande, tão cheia de pessoas, mas tão vazia de você.


Te amo. Acho que, sempre amei você. Te beijaria até debaixo dessa chuva toda.

"Te beijaria até debaixo dessa chuva toda"


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Da chuva, o silêncio

"Reflexões Pessoais", Nº 24


Gosto de escrever sobre a chuva, sabe?

Gosto da chuva, propriamente dita.

Há na chuva um momento propício à  reflexão, ao alívio do cotidiano. Ja dizia Millôr Fernandes "Olha / Entre um pingo e outro / A chuva não molha". Tanta ideia que surge a partir desse pequeno tesouro escrito.

Um universo inteirinho no intervalo entre um pingo e outro, e ninguém se dá conta. Entre dois pingos, um rio de silêncio; mínimo, imperceptível.

Mas existe!

E é esse silêncio entre os pingos que consola. Deixa fluir...

 "Sempre que chove, tudo faz tanto tempo.."

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Não Gosto

"Poesias e Devaneios", Nº 35


Eu não entendo minha própria fé
de te mostrar o mundo todo
eu fico tolo
com o amor e esse teu cheiro de café

Eu não compreendo
teus sonhos de mulher
fico escrevendo e remoendo
um passado que ninguém mais quer

Eu não gosto quando você diz
que vai embora e me deixar aqui
Eu não gosto de quando você faz
essa carinha de mimada me pedindo cafuné

Às vezes penso que posso te deixar
às vezes penso que o mundo todo 
vai se acabar no ar
Menina eu amo até seu jeito de andar
me explica como é que eu faço pra esquecer
do teu olhar?

Eu não gosto quando você diz
que vai embora e me deixar aqui
Eu não gosto de quando você faz
essa carinha de mimada me pedindo cafuné

Por Alice Gonçalves

"Não vá..."

sábado, 21 de maio de 2016

Minha marca indelével ficará

"Curtas", Nº 30



Esse é o rumo natural das coisas. Vejo tudo de forma diferente, e todos os dias minha fé está voltada para isso.

As vezes as sombras tomam conta do meu coração, e sinto que talvez todo meu esforço possa ser em vão. Mas afinal, quem não tem esse medo, né?

Se a felicidade for derradeira, o rio vai seguir seu curso, não lutarei contra a correnteza.
Eu acredito, e fico feliz em ao menos ter deixado um legado. Se lhe fiz bem.


Minha marca indelével ficará, se acaso fatalmente minha estada em sua vida for abreviada.


"Eu lhe peço, eu imploro, quando a minha hora chegar, meu descanso, minha paz..."

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Esteja acima do bem e do mal

"Reflexões Pessoais", Nº 23


A importância de superar a visão benigna e maligna dos fatos, é de um fator de suma importância psicológica e comportamental, pois retrata de deixar seus respectivos conflitos de lado, para abrir o caminho para o autoconhecimento e desenvolvimento.

Superar o mal, é ignorá-lo e perdoá-lo com a consciência de esperar que ele, por si só, amadureça e desenvolva o bem que há nele.

Superar o bem, é saber que há lições para se tirar, tendo a sabedoria que um dia isso também irá passar.

Mas, o que as pessoas fazem? Entram exatamente nesses conflitos momentâneos, mostrando-se inteiramente e emocionalmente ligados às questões do bem e do mal. Não superam e não internalizam que há lições para se tirar de ambos os lados.

A revolta é o primeiro Sinal.

Tudo o que há de conflito, decorre da intolerância de um dos lados. Daí, a revolta se manifesta como um conflito interno que está sendo dissolvido pelo ego.

Cada qual tem as suas escolhas, mesmo que tais escolhas nos atinjam diretamente (conflitos pessoais). Porém, revoltar-se com essas escolhas, é também uma escolha sua e assim, é um conflito interno, por não transcender o bem e o mal.

Superar o bem e o mal, é tirar proveitos das questões do dia a dia, no intuito de evoluir e desenvolver o seu espírito, seu pensamento e a sua atitude. Se não fizer isso, a única coisa que perpetuará, é o conflito e o ódio consigo mesmo.



Absorva o bem contido no mal e faça dele seu.
Elimine o mal que há no bem e descarte-o sem hesitação.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Scientia potentia est. Mens sana in corpore sano.

"Reflexões Pessoais", Nº 22


Aqui se faz, aqui se paga.

Um homem sem poder, é um homem considerado fraco. Porque, poder é sinônimo de conhecimento. Todo conhecimento adquirido é, sem dúvidas, uma fonte inesgotável de poder. E o poder se diferencia dos fracassados.

Um homem fracassado só pode ser um homem sem conhecimento algum. Um homem que não buscou absolutamente nada. Leitura do ambiente se faz necessária, de forma extrema. 

Obviamente que não somos clarividentes, porém devemos ter um mínimo de antecipação do que vem pela frente.

Viver sua vida sem optar por conhecer, estudar e se empenhar pela sua melhora, física e psicológica. Ficar desprovido de conhecimento e de preparo, é estar na condição de gado. Você será vítima de si mesmo.

Eternamente. E um homem assim, é facilmente manipulável, pois a sua consciência não enxerga a realidade ampla. Enxerga apenas há um palmo de sua mão.

Como sempre é uma questão de escolha. Buscar pelo conhecimento ou não. Se resignar ou não. Sempre foi.

Daqui pra frente é guerra.


''...e quando estou fraco, SOU FORTE...''



domingo, 10 de abril de 2016

Relações químicas

"Curtas", Nº 29


O que não é físico eu penso que na prática sempre o é. São as bases eletro-químicas, todas elas, que são responsáveis por tudo isso.

Em cada lágrima ou cada sorriso existirá um gatilho microscópico que ira desencadear a reação mais adequada ou a sensação mais pertinente ao momento.

Serão, no fim das contas, os compostos químicos, e não as circunstâncias, que irão nos alegrar, ou nos derrotar. Apesar de momentos e fatos serem impactantes como uma flecha nos corações.

Por mais amargo que seja o momento, tudo passa.

Tudo passa e tudo VAI MELHORAR, sempre.

E o futuro vai ser tão brilhante, que nós nem vamos precisar de olhos para ver. 

 Existe algo que diz...que a vida continua e se entregar é uma bobagem

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Leis de Malcolm

"Curtas", Nº 28


Primeira lei: não vai dar certo

Segunda lei: vai piorar

Terceira lei: tudo é dor ou causa dor

Quarta lei: o mal sempre vence

Quinta lei: viver é sofrer

Sexta e última lei: [a vida] é só isso e acabou.

''Não há certeza, só uma estrada obscura.''

sexta-feira, 25 de março de 2016

Bem sentir, bem levar

"Poesias e Devaneios", Nº 34


Eu chamaria por alguém semelhante
Se semelhante eu fosse à alguém
Talvez vivesse no constante
Se o inconstante não fosse tão assim
Tão Perfeito

E tendo em mãos tanta energia, tanta vida
Me pergunto sobre o desejo de novas realidades
Só haverá fogo, se o combustível restar
E esse, à passos largos
É deturpado em litros de ganância e espinhos sem flores

Você me disse um dia
Que nesse lar só haveriam
Nuvens de promessas e chuva
Chuva da mais cristalina realidade

Pois que nos afoguemos então
em míseras risadas sinceras
E de todas as suas diferentes feridas
Que a maior seja aquela que melhor lhe representa

Vivi, eu sei, chorei também
Só que por mais doce que seja o teu caminho
É de igualdade
Igualdade que o mundo precisa

Por Raoni Loran


"...distante, de tudo..."



quarta-feira, 16 de março de 2016

Utopitização

"Reflexões Pessoais", Nº 21


Fechei o olho, pensei bastante e tentei vislumbrar uma palavra que NÃO existe...

UTOPITIZAÇÃO

...pronto, pesquisei no Google, ela não existe mesmo!

Acabo de cometer um neologismo, acabo de inventar uma palavra que não existe, definitivamente.

Mas pra que exatamente inventar uma palavra inexistente? E porque essa palavra?

Primeiramente vamos analisar a palavra-base:


utopia 
u.to.pi.a 
sf (gr ou+topo3+ia1) 1 O que está fora da realidade, que nunca foi realizado no passado nem poderá vir a sê-lo no futuro. 2 Plano ou sonho irrealizável ou de realização num futuro imprevisível; ideal. 3 Fantasia, quimera.


Tendo isso em mente fica fácil entender o significado disso. Temos a inerência, muitas vezes, de criar quimeras em nossas mentes, criar fantasias impossíveis e irrealizáveis, sonhos distantes e hercúleos, porém alimentamos essas coisas em nossas mentes como uma forma de alívio, um "ópio" mental para tocarmos em frente nossa irremediável vontade de voar, porém sem ter asas.

"Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las..."



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Carta: "Guardiã do Coração de Gelo"

"Cartas Perdidas", Nº 17


Nazário/GO - 26 de Agosto de 1996


Quando eu passei por lá eu sabia que seria inevitável. Inevitável mesmo porque seria bobagem. Mas deixei me levar.

"Tu que viestes de longe, enfrentastes muitas batalhas, que derramaste teu sangue por essas terras, numa terra imaginária ou real. Tu que roubaste meu olhar de uma vez por todas."

Foi você.

Dos cabelos tão negros quanto o céu sem lua, e da pele tão branca quanto leite, você que exala a fragrância de um amor inabalável, eu sabia desde o início.

Nem vou dizer o que tanto já foi dito, mas devo fazer uma última colocação pertinente.

Você ostenta um título, a "Guardiã do Tesouro", sim isso é inevitável e você levará pra sempre esse título, e ele irá junto com você para seu túmulo em um dia longínquo. 

Ora, faz muito sentido, porque eu fico tentando imaginar qual é o Tesouro.

Ele nada mais é que o Coração de Gelo. Criogênico, nefasto, maligno, destruidor de almas. Algo deveras pior do que tem dentro da Caixa de Pandora, porém é considerado assim um "tesouro."

Agora eu entendo, o tesouro que você têm guardado durante tanto tempo, apesar de ser o Coração de Gelo, pra mim sempre foi um tesouro, pois sempre o quis, independente de como... seu coração.

"O fio da sua espada me fere a carne. Seu olhar me fere a alma."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Lugar Esquecido

"Poesias e Devaneios", Nº 33



Às vezes na alvorada, soturna como o incógnito
Noite infindável, como uma estrada
Para além, para um lugar esquecido

Anos e vontades se esvaíram
Escondidos nas lágrimas eles ainda estão sozinhos
Resvalando num mar infinito de amargura
Aquelas almas imploram pelo fim

Apenas aguardando, sentados, num banco velho
Feito de madeira e metal, numa estação
Aguardam a chegada do trem na hora marcada

Algum lugar onde não teria tempo pra perder
Algum mundo onde mentiras valem mais que a verdade
Um coração vazio, abraços perdidos, beijos rasgados
Algum lugar que a esperança é sombria

Infortúnios e azares...
Sobreleva vidas e as assombra como um fantasma
Ela alimenta a ganância que bebe diretamente da fonte
E enriquece o mais forte

Olhos famintos prenderam as almas entorpecidas
Flutuando pelos céus eles cruzam o arco-íris

Para algum lugar esquecido...

"Você não vê as cicatrizes, você se torna divino."


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Umbral

"Curtas", Nº 27



No meio do nada, pensando sobre tudo. Tantos arrependimentos, tantas dúvidas. Tantos desamores, onde sibilam ventos, corta-me o cenho.

Onde não há sorte, onde dominam rancores, se eu tivesse enfim, feito o que deveria ter sido feito, onde eu deveria ter ido.

Não vejo minha sombra, eu sou a sombra, eu sou o tudo e o nada, eu sou o chão, e nele estou. Minhas mãos gélidas, tento fechar os braços em mim, para que o pouco calor que me resta não me abandone. Em vão.

Não sinto sede, mas mesmo assim estou sedento, eu sei. Onde estou? O que eu realmente sou agora? Tornei-me o que exatamente? Eu não lembro.

A falta de lembrança me intriga, mas não é tanto assim. Como se tivesse na ponta da língua.

Esperando aqui uma redenção que nunca viria. Meu passado não me pertence."Tudo fica guardado em si, deste momento para frente vais colher os frutos de sua fé ou de seu desamor."



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                      "Tudo fica guardado em si, deste momento para frente vais colher os frutos de sua fé ou de seu desamor."


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Acerca do Ódio

"Reflexões Pessoais", Nº 21



Hipocrisia, todos cânticos são ecos destoantes de palavras vis.  Ideologias imbecis. Alias, não são bem as ideologias, são coisas que falamos e que ouvimos, e nos enojamos de tanto ouvir e ouvir e simplesmente cansamos de tanta nojeira epistemológica. Me canso de ouvir palavras de ordem e palavras improvisadas.

Não falaremos agora de negativismo, mas eu falarei de coisas e sentimentos que me enervam à flor da pele. Eu, você e o resto, puro ódio disfarçado de um amor falso de filme romântico barato clichê.

Odiamos o ódio ou nós odiamos o fato de que odiar é “errado” no politicamente correto vigente atualmente? Eu não odeio o ódio, ele é mais útil que o desespero. Só basta saber cultivá-lo de forma correta, vamos conseguir canaliza-lo de forma eficiente, assim como se canaliza a energia atômica pra produzir energia elétrica ao invés de bombas mortais.

A vida é curta, muito curta, e a espera é longa. As estrelas, lá no alto desaparecem com o amanhecer, e sempre somem, porque eu estou lá praticamente todos os dias, vejo o céu negro se tornar azul escuro aos poucos, e ir esclarecendo, eu percebo que o mundo não para pra nos esperar.


Tão latente como o ódio é o amor, mas esse, prefiro não comentar.

Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra.