quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Superar

"Poesias e Devaneios", Nº 42


Superar não significa esquecer, assim como perdoar não é voltar a querer.

Superei, mas nunca esqueci, e nem pretendo,
Preciso das memórias para não esquecer onde não devo permanecer,

E não se trata de rancor,
Minha vida não tem espaço pra isso
É uma questão de amor,
De amor próprio,

Porque é preciso lembrar,
Pra não voltar a errar
Pra aprender que nem toda promessa é verdade,
Assim como nem toda lágrima é saudade,

E as minhas tem gosto de superação,
Já não doem mais,
O perdão foi a alforria do meu coração,
Apagou os últimos traços,

Desfez todos os laços,
Abraçou o presente,
Fez brotar a semente em meio uma desilusão
Porque perdoar é acreditar,  Que apesar dos pesares,

Novos tempos virão,
E onde existia passado, 
Desabrochará a renovação. 


Por Ricardo A. Brant, em Março de 2017

"E o futuro vai ser tão brilhante, que nem vamos precisar de olhos para ver..."

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O Lar que Jamais Tive

"Poesias e Devaneios", Nº 41


Que nessa terra que habito
Que nesse canto que resido
Habitável? talvez não...
De qual não houve recepção

Que estou e vou estando
Terra vil e céu em desando
Sem flores no seco pasto
Idiotices de um sonho fasto

Não me permito condescendência
Que de face minha verta
Lágrimas crus da indulgência

Terra que não ama
Lar que não acolhe
Lugar que não sou parte

Não há temor
Não há rancor
Não há amor 
Só resta aqui torpor

Não ficarei, em paz jamais
De mim pedir, paciência é demais
Pois onde há, suposto calor
Par de olhos, brilhante, torpor

Não é real, nunca será
Porque onde de fato está
Não será hoje nem aqui
Mas irei lá buscar

Onde pelos seus olhos serei devotado
E por seu coração perseverante
Pois daqui irei zarpar
E do seu coração, jamais abandonar

"Algum lugar onde não há tempo pra perder
Algum mundo onde mentiras valem mais que a verdade
Um espaço vazio em seu coração"






segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A importância do Perdão

"Reflexões Pessoais", Nº 28


Muitas vezes tentamos entender e colocar um sentido em situações e momentos pelos quais passamos.

Nos sentimos enganados, ludibriados, frustrados, odiosos, com raiva e com desejos de vingança, ao descobrirmos certas “verdades”.

Todos fomos machucados na vida. Todos fomos rejeitados por uma namorada (ou namorado), traídos por um amigo, passados para trás numa promoção, rejeitados pelos pais, ou vítimas de preconceito.

E acho que é natural sentir este tipo de coisa. É claro que com o tempo, a tendência é com o decorrer das nossas vidas e nosso amadurecimento natural, ir se desapegando e seguindo sua vida, se desenvolvendo, evoluindo, deixando estes sentimentos pra trás, e olhando sempre para frente.

Mas muitos ainda, por mais que não digam ou que não afirmem isso (nem pra eles mesmos), bem lá no fundo, ficam presos ao sentimento de revanchismo, vingança a quem os iludiu, enganou, traiu. Seja quem for, a maioria de nós acredita que as pessoas que nos feriram devem pagar pela dor que nos causaram; afinal, elas merecem ser castigadas, mesmo que inconscientemente (“nada como um dia atrás do outro”, ou “o mundo dá voltas”).

Mas simplesmente: perdoe! Não se trata de esquecer a maldade alheia ou minimizar o próprio sofrimento. Para ser capaz de um perdão verdadeiro e sadio basta entender que ele traz muito mais benefícios do que o rancor.

Infelizmente, o conceito de perdão de cada um pode limitar ou dificultar a capacidade de perdoar. Dizem que perdoar é coisa de gente fraca, medrosa, sem auto estima. Possuímos crenças negativas de que perdoar é aceitar de forma passiva tudo o que nos fizeram. Achamos que perdoar é aceitar agressões, desrespeito aos nossos direitos. Alguns afirmam: “eu não levo desaforo para casa!…” ou tipo “Que se foda! Sou assim mesmo!” Pergunto: Somos alguns destes? Devemos agir sempre assim? Será que a pessoa que perdoa demonstra fraqueza de caráter? NÃO, NÃO E NÃO!

Olhando somente para o escopo do tema Relacionamento:

Muitos dizem: “Ah, eu me dei muito mal com aquela pessoa”. É claro! E não foi por causa de nenhum tipo de “predestinação” ou algo que o valha. Porque se iludiram, pensaram que ela seria perfeita o tempo todo.

E então muitos dizem que não conseguem perdoar porque estão muito magoados. Porém, o problema não está no outro, pois era previsível que por mais especial que esta pessoa fosse, um dia acabaria agindo de forma diferente daquela que esperávamos. O erro está em nós, que não aceitamos as pessoas como elas são. Ainda mais nos dias de hoje, onde pode tudo!

Pergunto: Será que estamos aceitando as pessoas como elas são? Será que não estamos esperando muito dos outros? Será que estamos esperando lidar com seres utópicos e absolutamente altruístas? Sabemos que de angelicais e puros eles não tem nada, são humanos tanto quantos nós. Amigo, sem Aceitação, não há Perdão!

Um outro motivo para esquecermos as ofensas está na constatação de que o perdão traz um grande alívio para quem perdoa. Não é para quem é perdoado. Muitas vezes quem é perdoado não consegue se livrar da sua consciência, mas este também precisa aprender a se perdoar e a recomeçar novamente. O auto perdão também é importante. Para que reconhecendo os nossos erros encontremos forças para reformular nossas atitudes e começar uma nova vida.

Considerando a própria fragilidade, o indivíduo deve conceder-se a oportunidade de reparar os males praticados, reabilitando-se perante si mesmo e perante aqueles a quem haja prejudicado. O arrependimento, puro e simples, se não acompanhado da ação reparadora, é tão inócuo e prejudicial quanto a falta dele.

Perdoe a si mesmo pelos erros cometidos no passado e não fique se martirizando por isso. O auto perdão ajuda o amadurecimento moral, emocional, porque propicia clara visão responsabilidade, levando o indivíduo a cuidadosas reflexões, antes de tomar atitudes agressivas ou negligentes, precipitadas ou contraditórias no futuro.
Quando alguém se perdoa, aprende também a desculpar, oferecendo a mesma oportunidade ao seu próximo.

“O PERDÃO É SEMPRE PARA QUEM PERDOA”.

Não nos contaminemos pela raiva, pela cólera e pela mágoa. Vivamos em paz e com a nossa consciência tranquila pronta para merecer o perdão das pessoas que prejudicamos com os nossos atos, palavras e pensamentos, pois somente será perdoado aquele que perdoa. Essa é a lei.

Quando digo perdoar a pessoa que te prejudicou, não quero dizer que as coisas vão ser igual ao que era antes, que você vai ter que conviver com a pessoa, ou se relacionar com ela. Não, não e não. Você apenas aceita que a pessoa agiu daquela forma e que ela é assim e de certa forma você se protege e começa a andar pra frente rumo ao seu desenvolvimento e sua paz de espírito.

Quando perdoamos as pessoas que nos machucaram, não estamos dizendo que o que foi feito contra nós não teve importância (“não foi nada”) ou não deixou marcas profundas (aquelas a ferro e fogo). Essas perdas foram terríveis e fizeram grande diferença em nossa vida, mas nos ensinaram muitas coisas: tanto a não nos tornarmos vítimas novamente, como não fazermos o mesmo para terceiros e o principal, traz pra nós o aprendizado.

PERDOAR NÃO É ESQUECER. É LEMBRAR SEM SENTIR DOR. É NÃO LEVAR EM CONTA.

O sensato perdoa. Portanto, seja o que for e a quem for.

O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental na busca no auto-conhecimento.

Não perdoar nos dá a ilusão de força, de poder (“agora eu controlo”). Não perdoar ajuda a compensar a sensação de falta de poder que nós sentimos quando fomos machucados.
De fato, se trancarmos na prisão de nossa mente essas pessoas que nos prejudicaram, vamos nos sentir onipotentes (“agora é minha vez”) pela força do nosso ódio silencioso. Isso não é bom.

E, por último, não perdoar nos dá a ilusão de que não seremos machucados outra vez. Mantendo a dor viva, os olhos bem abertos para qualquer perigo em potencial, reduzimos o risco de voltamos a sofrer rejeição, traição ou qualquer outra forma de ferimento.
Mas será que os benefícios (iludidos) de não perdoar valem o preço que pagamos por armazenar essas mágoas, remoer esses sentimentos e nos agarrarmos com unhas e dentes à dor do passado? Será que vale a pena continuarmos alimentando a raiva, revidando com palavras ou com silêncio e assim nunca sentirmos o verdadeiro prazer de viver? Vale a pena corroer a alma dessa forma?

Claro que não! Simplesmente desapegue-se do passado e seja uma pessoa melhor pra você mesmo!!

O perdão se torna uma possibilidade quando a dor do passado cessa de reger nossas vidas; quando não precisarmos mais do ódio e do ressentimento como desculpas para obter menos da vida, do que queremos ou merecemos. Perdoar é chegar à conclusão de que já odiamos bastante e não queremos odiar mais; portanto, perdoar é usar a energia da vida, não para reprimir esses sentimentos, mas para quebrar o ciclo da dor se voltando para o futuro e não machucando outras pessoas como fomos machucados.

Há quem diga que perdoar é escolher entre se vingar e se aproximar, entre ser vítima ou sobrevivente. Na realidade, perdoar é um processo que vem de dentro. É uma libertação. Uma aceitação. Perdoar é aceitar que a coisas ruins podem e de fato acontecerem na vida das pessoas, e que as pessoas mesmo quando se envolvem, machucam e se machucam. Perdoar é um sentimento de bem-estar, é reconhecer que existe algo melhor que queremos fazer com a energia da vida e fazê-lo.


E creio que todos nós aqui somos sobreviventes rumo a um futuro de muitas batalhas, na busca de sermos melhores seres humanos.

"A raiva te torna menor, enquanto o perdão te força a crescer além do que você era."
Cherie Carter-Scott

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Você está acordado?

"Reflexões Pessoais", Nº 27


A mente humana possui diversos mecanismos vitais para a sobrevivência humana e o principal deles é o poder de abstração. Abstrair a nossa realidade é a programação natural que nos foi feita assim que nascemos e começamos a interpretar o mundo a nossa volta. Nosso cérebro foi moldado durante anos de evolução, entretanto isso não significa que estejamos livres de um grande defeito: viver no modo automático. 

A principal causa desse modo é não viver no presente, sempre pensando no passado e no futuro. Vivemos mortos em uma sociedade onde o fluxo de informação é tanto que o processamento não consegue ser totalmente consciente, lidamos de maneira automática durante a maior parte do processo.

Experimente se lembrar do que você comeu três dias atrás no almoço. Se não houver recordação sobre isso provavelmente você não estava lá, fazemos isso o tempo todo, estamos dormindo o tempo inteiro. 

A consciência nos foi tomada, após ondas e mais ondas de informação a fadiga mental é tanta que entrar em modo automático é questão de sobrevivência e manutenção da espécie, assim como viver no presente era primordial para os nossos ancestrais continuarem vivendo. 

Nossos antepassados tinham que viver um momento de cada vez se quisessem se manter vivos, pois não havia nenhuma outra forma de se proteger a não ser observar a realidade nua e crua, sem nenhum tipo de distorção. Hoje as necessidades mudaram, se passarmos a viver no presente e questionarmos o porque das nossas ações e atitudes a civilização não duraria sequer mais um dia, pois nada do que fazemos faz realmente algum sentido no presente. 

A sociedade está doente, vivemos por promessas de um futuro que nem sequer existe e por um passado que não pode ser alterado. Tomamos atitudes baseados em um amanhã que talvez nunca chegue e achamos isso perfeitamente racional e razoável, afinal todos fazem o mesmo. Jogamos o nosso individualismo em troca de um coletivo que sobrevive a cada dia por uma mera questão de formalidade e costume em seguir vivendo uma vida que nem sequer é sua, pois você não vive de corpo e alma cada momento.

É preciso admitir que falta vontade para viver. O corajoso é aquele que mesmo com medo enfrenta o problema. O medroso é tal qual como o corajoso, pois ambos possuem medo. O destemido é aquele que entendeu que o medo só prejudica a experiência e resolveu se abnegar, entendeu que o caminho do não ser é a melhor forma de se chegar ao objetivo, pois não sendo pode-se ser qualquer coisa na hora certa.

E você? Até quando vai se entregar ao medo e deixar de viver no presente? Até quando a desculpa para o seu fracasso vai ser aquilo que já aconteceu e não pode ser alterado? Até quando a desculpa para o seu fracasso vai ser aquilo que nem sequer existe ainda?

Viva a vida em sua plenitude. Observe o mundo em sua volta ao menos uma vez e encante-se. Tenha consciência de cada ação e atitude do seu corpo, cada passo, cada respirar, cada batimento cardíaco pelo menos por alguns instantes. O presente é tudo que existe, se você não consegue viver nele você não está vivendo, está fugindo.

Será que suas escolhas de vida foram tão ruins que você não consegue encará-las de frente? Será que você tem que viver a vida inteira fugindo de você mesmo e do mundo, como se fosse um criminoso, um traidor de si mesmo?

A maior parte dos problemas da sua vida são resultantes da falta de atenção. Mas, como ter atenção se você nem sequer está aqui? Você sempre está lá, nunca aqui no presente, onde tudo acontece. 

Acorde!

Aquela mulher que te deu um pé na bunda nunca te quis, mas você estava tão distraído vivendo no passado ou no futuro que se esqueceu de observar o desprezo e o oportunismo no olhar dela. 

Aquele amigo traidor nunca se preocupou com você, mas você estava tão bêbado que não conseguia perceber.

Aquele concurso que parecia distante estava tão próximo, mas você resolveu jogar as suas prioridades no lixo em prol de algum pensamento inútil que invadiu a sua cabeça. 

No presente não há pensamento, há ação. A atenção para se manter no presente é tanta que a possibilidade de pensar nem sequer existe.

Até quando você vai ser vítima do seu pensamento? Até quando vai viver em um mundo de ilusões?


Se liberte!

"Povos livres, lembrai-vos desta máxima: A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada."
Jean-Jacques Rousseau

sábado, 17 de junho de 2017

Síndrome da Rainha Vermelha na Vida Pessoal

"Reflexões Pessoais", Nº 26


A "Síndrome da Rainha Vermelha" é um conceito, um postulado de sociologia, publicado na forma de livro de não-ficção pelo autor e sociólogo Marcos Rolim.

Todo o conceito da obra é pensado para ser trabalhado em cima da segurança pública brasileira e suas deficiências.

A ideia surge de uma passagem específica de personagens específicos da obra de Lewis Caroll, "Alice Através do Espelho". É sobre a frustrante sensação da personagem Alice de que quanto mais se corre, mais se fica no mesmo lugar:

"..."Vamos , Alice , corra, corra mais". Exausta com o esforço, ela se frustra quando percebe que não saiu do lugar. No mundo da Rainha Vermelha é assim mesmo. Corre-se mais e mais, para não sair do lugar. Alias, é preciso correr muito para ficar no mesmo lugar..."

Alias a metáfora que é o escopo do tema pode nos levar a refletir não só sobre a segurança pública, mas também sobre outros temas e aspectos.

Quantas vezes na vida nos pegamos sofrendo de tal Síndrome? Exatamente assim, correndo contra o tempo implacável para exatamente FICAR NO MESMO LUGAR? Somos frustrados com o bombardeamento pelas mídias diversas sobre a possibilidade de todo mundo ter "seu lugar ao Sol", como se o "sonho americano" fosse extensível para nós aqui também nas terras verde-amarelas. 

Crescemos e amadurecemos em uma bolha social e filosófica onde nos é apregoado que com o simples esforço e um "querer" conseguiremos atingir nossos objetivos utópicos: sermos ricos, famosos, e até mesmo coisas que julgamos simples, como sermos reconhecidos e amados simplesmente pelo nosso caráter e nossa honra, e não simplesmente pelo que temos ou nossa aparência externa, cor da pele, etc.

É aí que chegamos ao ponto de perceber que estamos fazendo EXATAMENTE o que Alice fez: correndo, correndo, correndo e correndo com toda força para ficar no mesmo lugar: pagar nossas contas, acordar cedo, trabalhar em uma rotina monótona e angustiantemente previsível, sustentar ego e luxúria de uma sociedade pautada pela aparência e com uma profundidade tão "grande" quanto uma piscina infantil.

E como Alice, no livro de Lewis Caroll, nós mesmo acabamos se frustrando, e exaustos pelo esforço inutilmente desenvolvido, desistimos de tentar, de ser, de criar, e passamos apenas a existir, de forma vazia e automática, como uma legião de fantasmas, vivendo a vida no "modo automático".

E com o olhar vazio "das mil jardas": NASCEMOS COMO UM MORTO E MORREMOS COMO SE NUNCA TIVÉSSEMOS NASCIDO.

"...e quando a própria vida funciona como uma máquina de destruir sonhos e padronizar almas..."




terça-feira, 6 de junho de 2017

Por que eu acredito em Deus?

"Reflexões Pessoais", Nº 25



Uma pergunta que seria tão simples e ao mesmo tempo tão complexa: Porque eu acredito em Deus?

Primeiramente eu divido conceitos de forma bem clara e concisa em minha mente: Fé e Doutrina, Espiritualidade e Religião. Tais conceitos que a primeira vista poderiam ser considerados praticamente sinônimos, pra mim se opõem fortemente. Pra mim a doutrina estraga a fé, e a religião sufoca a espiritualidade.

Tendo em mente que divido claramente os conceitos retromencionados, já adianto que não sou religioso, tampouco, apesar de desnecessário dizer, sigo quaisquer doutrina de forma íntima. 

As pessoas costumam crer verdadeiramente em Deus por duas vias distintas: experiência pessoal/sobrenatural ou pela pura lógica. Desta forma, digo que minha crença em Deus, no Criador, se deu basicamente pela segunda alternativa. 

Nunca de fato pude sentir aquilo que muitos dizem sentir, e por isso cheguei a duvidar. Não poderia ter sido tão tolo.

Basicamente ao se compreender o ser humano como espécime biológico, podemos ter a noção de quão limitadas são nossas ferramentas de percepção do ambiente que nos cerca, da nossa auto-declarada "realidade". Tudo em nós é extremamente limitado, nosso cérebro nos oferece um modelo muito limitado da dita realidade para que possamos viver nossas vidas de acordo com nossos preceitos puramente biológico.

Desta forma lhes pergunto, como então que entenderíamos a lógica do Criador sendo nós mesmos a mera Criatura? Como entender a lógica de Algo que pode estar por trás da criação das próprias leis da física como conhecemos? 

É como se imaginássemos de alguma forma um computador tentando compreender o amor, ou o ódio, simplesmente não dá. O computador é criação nossa.

Não há como a Criatura entender a lógica do Criador, seria-nos muita presunção quiçá entender a sua existência ou não-existência, mesmo porque o próprio conceito de "existência" é algo muito limitado que nos é oferecido pelo nosso humilde cérebro. 

Creio em Deus, embora sou e serei sempre muito limitado para compreendê-lo.



"Somos apenas parte de um todo."





quarta-feira, 17 de maio de 2017

Há Infinita Ternura

"Poesias e Devaneios", Nº 40


Há infinita ternura
Ante o anoitecer
Os olhos do pássaro seduz
Buscando o que é impossível de ter

A ternura infinita se revela
Sob o sol de meio dia
Acordes do piano que apela
E acaricia a melodia

Talvez um dia o poeta chore
E suas lágrimas sejam ouvidas
Precedendo um tempo de amor
Onde as flores são bem-vindas

Meu amigo, um dia será
Com flores em cada porta
E as lágrimas vão secar
Num tempo que a vida conforta

Há infinita ternura
Ante o anoitecer
Os olhos do pássaro seduz
Buscando o que é impossível de ter




"Veja o mundo num grão de areia, veja o céu em um campo florido,
guarde o infinito na palma da mão, e a eternidade em uma hora de vida!"

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Quando o fim chega para um Velho Pescador

"Poesias e Devaneios", Nº 39


Uma só metade, sou, sucintamente
Brevemente, serei novo
Logo, inteiro, descano eternamente

As ondas trazem sal
Fúria, amor, tranqüilidade
Ondas lavam sobre mim
Trazem do mar a reciprocidade

Eu não consigo entender
O sol estava tão brilhante
Esses últimos goles, aqui vou estender

Dizem que por quão longe a casa se encontra
O mar é minha terra, meu senhor
Eu encontrei, enfim, meu lugar
Serei a costa por onde a onda adentra

Meu dever já foi lido, liberto
Os gritos já foram silenciados
De onde a água encontra a terra
Na costa onde vejo o mar aberto

Morte passada,
Tempo passado, 
Vamos dormir


Dedico essa pequena poesia às pessoas que a onda já levou, mas que ficarão pra sempre em nossos corações.

V. S. Rezende *1943 † 2017
A. Ribeiro *1937 † 2017


"Tudo é passageiro. E do fim, não se escapa."



sábado, 8 de abril de 2017

Carta: "Tempo é distância"

"Cartas Perdidas", Nº 23


Socorro/SP - 7 de agosto de 1998


Não sei ao certo porque lhe escrevo agora, e nem tenho tempo nem paciência mais para tal.

A questão é que de fato senti falta. E escrevo "senti falta" simplesmente, sem me referir objetivamente ao que ou à quem eu sinto de fato falta, mas deixo em aberto por exatamente não saber.

Não sei o que tem em mim que me representa uma saudade ou nostalgia tansa, mas a questão é que, sim, senti falta das cartas tolas que lhe envei um dia já, mas em um tom totalmente diferente.

Te amei demais por meio de palavras, tinta e papel, mas que poderia ter ebulido todos esses sentimentos presos aqui por outros meio, digamos, bem mais tangíveis. Sim, não devo ser tão frio e platônico a fim de falar que amava você de forma pura e te tomava como um anjo puro. Era de fato uma paixão bem mais profana que você possa imaginar, pois eu como um homem carnal te desejava em cada centímetro de pele sua, e poderia ter te devorado em êxtase, te arrancado cada gota de fôlego como uma mulher sendo um vulcão eruptivo. Ah sim, como teria!

Mas é vão falar sobre não-fatos, só devo reforçar que lhe escrevi agora porque quis tentar lembrar disso que existia em mim, e se esvaiu. Meus olhos têm ficado vazios a cada dia, semana, mês, enfim. Tenho me sentido estranho, me sinto esticado, como manteiga espalhada em um grande pedaço de pão, estou fino. Te escrevi por isso, senti falta, e sinto falta, talvez de você mesma, ou talvez daquele fogo, brilho no olhar que eu via no seu, mas que na verdade era eu mesmo. Como já me disseram uma vez, eu vejo em você o meu amor próprio, e amo você como se fosse um reflexo aperfeiçoado meu.

É disso que sinto falta, de fato, sim, ter um reflexo aperfeiçoado meu, eu perdi isso, perdi essa capacidade de ver isso em mim mesmo, mesmo que fatalmente eu tivesse outrora refletido isso em outra pessoa.

Mas isso nem importa muito, o importante é tentar dizer, pois você sumiu, não te vejo, sumiu até de meus sonhos, parece que realmente nem mesmo existiu.

Talvez no fundo eu nunca tenha deixado de te amar, mesmo que ainda ame uma sombra.


"Certas coisas são injustas e intempestivas, enfim! Devo me acostumar com esse fato, ela é desproporcional em muitos pontos."

domingo, 1 de janeiro de 2017

Eu sou um Lobo

"Curtas", Nº 32


Eu sou um lobo porque eu me encontro nas sombras e na dor.

Não existe felicidade derradeira senão aquela em que voltamos a ser o que sempre fomos na nossa natureza mais primitiva.

Eu busco as revelações de tudo que os sagrados contaram para os imprudentes nos sonhos de brasas frias sob os raios de sol que se dissipam sobre lagoas de sangue negro e cobras que comem pedaços de crianças das árvores de cordeiros no outono

O sofrimento eterno é a infelicidade dos homens ignorantes que nunca falham em buscar as profundezas de seus próprios corações e vêem somente a riqueza de um pobre mundo que sofre para esfolar seu próprio dorso com facadas de prata e agradecimento brutal.


"Em segundos, minutos ou anos, meus passos são soturnos."

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Lago de Lágrimas

"Poesias e Devaneios", Nº 38



Eu vou construir um lago de lágrimas. O lugar eu não sei onde, talvez num deserto, em um bosque, talvez em um lugar que ainda nem sei o nome. Talvez em um lugar que não seja físico.

O buraco será bem fundo, pois deverá guardar todo o conteúdo. As lágrimas eu irei depositar lá, ficará grande e melancólico.

Nem precisarei desviar um rio, pois só usarei as lágrimas, que serão captadas de todas os lugares.

Serão as lágrimas verdadeiras, amores desfeitos, amizades destruídas, paixões dispensadas. Serão lágrimas amargas, as vidas marcadas e as preces perdidas.

São as lágrimas da esperança, lágrimas da emoção, lágrimas da vontade.

Ficará grande, enorme.

E, no meio dele, vou construir uma casa. Uma pequena casinha, onde você poderá ir de vez em quando. Você está lá no meio do lago de lágrimas, cercado da tristeza, da saudade, das lamúrias. Cercado do passado e do futuro. Cercado de você, de mim, de tudo.

De amores não vividos, e planos não realizados.

Você ficará lá quando quiser visitar meu lago. Lá você verá o tamanho que ele é, é gigante.

Eu vou construir um lago de lágrimas.



"Se a felicidade for derradeira, a vida vai seguir seu curso."





terça-feira, 18 de outubro de 2016

Carta "Interminável Incompletude"

"Cartas Perdidas", Nº 22


Niterói/RJ -  22 de setembro de 2002

Oi. Hoje precisei te escrever.

Não me lembro de quando foi meu último sorriso.. Mas essa será, possivelmente, minha última lágrima..

Respiro... Profundamente... Pausadamente.. A noite silenciosa me faz outra vez entrar nessa monótona reflexão. Bem, aqui estou eu, empilhando sentimentos, momentos.. Esse silêncio me tira totalmente do trilho, e sussurros sombrios me invadem a mente... Por que deveria eu me importar com tudo isso agora..?! Qual o sentido dessas linhas escritas a essa altura..?! Talvez eu só esteja meio perdida.. Tem sido assim na maioria das vezes nos últimos anos..

Na verdade, nem sei.. Acho que, em algum ponto, adormeci por tanto tempo, que não percebi os dias se escorrerem por entre meus dedos. Tão depressa que nem tive a chance de me despedir.. Quando pude ver, eu vi.. Quando pude amar, eu amei.. Quando pude destilar minha dor, assim o fiz.

Mas hoje meu interior transforma-se em pranto ecoando em vão e, mesmo que em meus lábios escapem palavras doces de que tudo está tão bem quanto antes, agora nada me traz o sossego de outrora..

Eu já não me importo muito com o rumo que as coisas irão tomar daqui pra frente. Sinto, de certa maneira, saudades de coisas que se foram há tempos, mas isso não é mais suficiente para que eu queira revivê-las. Ainda há coisas e pessoas das quais gosto e gosto muito, acredite! Mas isso não me prende a nenhuma delas.

Por favor, saiba que sou e serei sempre grata a você! Mas insistir nisso seria loucura. Talvez eu devesse ter ouvido seus conselhos, todos eles (porque você me amou quando eu não fui capaz).. Mas o conhecido livre arbítrio me impulsiona sempre para ‘minhas’ escolhas erradas. Se ao menos você soubesse o quanto me arrependo..

Só é trágico esse arrependimento não fazer a mínima diferença. Sabe, poderia ser diferente..

Ou talvez era pra terminar assim.

[...]

''Eu não decidi ficar.. Eu não resolvi partir..''


sábado, 15 de outubro de 2016

Carta: "Pra não dizer outra coisa"

"Cartas Perdidas", Nº 21


Hospital São Vicente de Paulo, Rio de Janeiro/RJ
12 de Setembro de 2004



Não sei quem você consegue ser na minha mente, porque a existência é condicionada ao que a pessoa nos representa, isso não muda a fato que tudo tenta ser no que a gente entende.

Você simplesmente entrou e pulou na minha vida, é coisa impossível e infactível.

Você infelizmente entrou sim em minha mente, e fatalmente em meu coração, e em uma intensidade que não deveria ter sido.

Odeio ter que chegar ao ponto de escrever. Materializando uma ideia que já nasceu estranha, mas o provérbio é bem claro: Verba volant, scripta manent.

Ao materializar isso, deixo claro muita coisa.

Suas opções? Não é questão de opção nem de opinar, mas eu já entendi essa questão de “opinar” por assim dizer.

E eu também não sei se foi realmente a primeira carta. Talvez já devo ter escrito outras, para em seguida amassar e jogar fora.

Talvez eu tenha descartado porque tinha vícios de linguagem, vícios de concordância e vícios de uma coisa que eu nunca poderia tentar transmitir de forma correta. Isso está tudo errado.

Pode me achar distante e iludido, mas não estou tão longe, estou quase cara a cara. E não sou fraco assim, apesar de você me tornar mais ameno.

Sendo claro, eu te quero, e muito. Pra não dizer outra coisa.


"Tão perto, não importa quão longe, Não poderia ser muito mais vindo do coração"



terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Caminho de um Guerreiro

"Poesias e Devaneios", Nº 37


Minha alma, cerração
Coração, uma bomba
O medo dominou meu corpo
Em mil dúvidas, sem razão

Longas noites claras
Dias escuros, não tem volta
Obstinação, sem saber o que ver
A descobrir, não podia adiar

Suor e sangue, a liberdade
Finda na paz, com sacrifício e coragem
Auto-engajamento para respostas alcançar
Sem revolta não chegaria a nenhum lugar

Estado de caos, depois o de equilíbrio
Difícil enxergar se a alma vira o inimigo
Essência absurda. Existência contingencial
No fim, força e honra sempre serão vitais

Manchado de sangue enfim tudo claro
Entendi o caminho. Me transformei
Trilhei o meu caminho
E libertei meu disparo

"Uma alma sem respeito é uma morada em ruínas. Deve ser demolida para construir uma nova."

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Carta "Já faz um tempo.."

"Cartas Perdidas", Nº 20


Paraopeba/MG - 13 de janeiro de 2004

Sabe... Já faz um tempo que estou de volta em casa... E... Por tempo demais tenho relutado em lhe escrever... Mas agora, enquanto a silenciosa chuva insiste em cair lá fora nessa fria noite de maio, sinto-me na necessidade de transcrever tudo aquilo que tanto me ocupa a mente, martelando-a incessantemente.

Falando a língua de uma simplória adolescente, já faz um tempo que as coisas mudaram e acho que só eu não havia percebido. Já faz mesmo um tempo desde que o acaso tratou de nos apresentar, como meros amigos, e acabou por nos unir tão intimamente... E, neste momento, me pego nesse silêncio que tanto me incomoda, a ponto de eu mal funcionar, pensando em tudo...

As gotas que escorrem pela vidraça me trazem à lembrança teu riso tão sincronizado com o meu... Lembra-se das madrugadas gargalhando das piadas bobas..? Éramos apenas dois loucos (e olhando de perto, quem é normal?). Lembra-se das muitas mensagens de carinho trocadas nas noites de insônia? Lembra-se da última vez que esteve por perto? Foi esta a primeira vez que voltei a amar... E é estranho como o tempo passa tão rápido.

Eu acho que você deve estar ciente de que guardo todos os teus sorrisos em meu pensamento... E sabe, a cada vez que o telefone toca, sinto sua falta. Apesar de soar clichê, sinto MESMO sua falta.. Mas, ainda assim, ainda com toda essa vontade de te ter por perto, tenho medo... Tenho medo de que tudo se repita e que eu não seja capaz de suportar a dor uma vez mais. Tenho medo de que não conseguirei reencontrar-me frente à novas perdas... Tenho muito medo de que tudo seja tão passageiro tal qual é a vida.. Porque, é inevitável, eu sei, mas não quero me permitir sofrer. Só que, mais importante, não quero também que você se machuque. Não de novo. Não dessa vez..

Sabe o que mais? Pode parecer exagero - ou aquelas frases de boba apaixonada - mas eu sacrificaria minha felicidade para ver a sua.. Porque isso é importante pra mim. É sério! Simplesmente penso que tenho demasiada empatia por tudo isso a ponto de me esquecer de mim, não dá pra diminuir a intensidade de algo tão forte como o que sinto. E isso me apavora...

Não sei bem o que dizer, enfim... Talvez seja tudo isso apenas um sonho. Talvez nada disso faça sentido. Mas não há mesmo muita coisa que faça, nesse estado ilusório ao qual somos submetidos. Contudo, reitero: eu ainda estaria aqui mesmo com toda essa loucura...


P.S.: meu som preferido continua sendo o do teu riso.

"Eu ainda estaria aqui mesmo com 
toda essa loucura..."

domingo, 10 de julho de 2016

Esquinas e amores

"Poesias e Devaneios", Nº 36


Porque em cada esquina, em cada lacuna
Ruas vazias, a rua escura
Vento gelado, saudade batendo
Amor solitário, amor de loucura

Dia batendo, noite sem fim
fera rugindo, rubor pulsando
Sei de você não sei mais de mim
Sei de nós dois, paixão exalando

Minha presença, se faz tão presente
e sua ausência, em mim tão crescente
Em rondas sem fim, serei nobre infante
Em seu coração, seu mais doido amante

 
Pois que no fim tudo muda
Não haverá mais temor
Pois de ti mesmo só quero
O seu mais forte amor

Não temo minha morte
Nem da vida o rechaço
Pois vou te prender
Pra sempre no meu abraço 

 "Te prenderia pra sempre em meu abraço."


 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Doce e singular existência

"Curtas", Nº 31


Incógnitos são os paradoxos dessa existência. Se há algo sincronicamente complexo e simples, esta é a vida e seus fatos. Tão persistentes, mas ainda assim tão submissos ao imaginário.

Inúmeras são as fantasias, catalisadas como fato abstrato ligado ao fluxo ininterrupto do transcorrer existencial, estimulante das paixões - abstratas - camufladas nos corações.

O apego, intrínseco à natureza humana, progride à medida que se traz à tona a rendição de uma alma. Acrescentam-se ou retiram-se os fatos (em meio ao conflito de cada ser), nessa contradição irremediável em que se deve mergulhar buscando sua harmonia.


"O universo é uma harmonia de contrários." (Pitágoras)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Carta de Despedida

"Cartas Perdidas", Nº 19


Sete Lagoas/MG - 15 de Janeiro de 2004


Você sorriu pra mim. A música suave tocava no player. Claro que eu sabia que era ali que nossos caminhos se separariam. Você abraçou-me, olhando-me, então, nos olhos, como de costume. Segurei minhas palavras por um instante, mil pensamentos ruins em um mix ainda maior de lembranças boas.

O silêncio, outrora quebrado por risos e beijos intercalados a sussurros, agora reinava em tal magnitude que tornava a música insignificante a ponto de não ser ouvida por mim, confessa apaixonada por tal arte.

Você começou a falar. E a cada palavra pronunciada por seus lábios, eu tão somente me perguntava o porquê disso agora. Por que não depois? Ou por que não antes? Não entendia mesmo... Onde havia eu errado? Sim, porque o problema só poderia ser comigo. Não importava a mim quantas vezes você repetia não ser. Eu não aceitaria sua justificativa de que fosse você.

Por meses, me perguntei o que eu mudaria com uma segunda chance. Como eu aprenderia com meu erro (que nem mesmo existia). Mesmo dona de uma racionalidade, julgada por mim como inabalável, por meses me fechei num mundo recluso, sem saber como seguir em sua ausência. Procurava uma forma para entender as circunstâncias, o porquê de estar destruindo-me dia sim, dia não após sua partida.

[...]


Tolice seria negar que um dia te amei. Intensa e puramente. Verdadeira e escandalosamente. Mas o tempo passou, sabe. As noites em claro me fortaleceram, ensinaram-me a enxergar a necessidade de um fim para se ter, pois, um recomeço. E eu precisava me libertar de você, gravando isso em palavras. Consigo agora, sem lágrimas, agradecer-te por tudo que aprendi.

E sabe também, consigo ver, agora, que realmente o problema não era comigo. Mas também não era com você. Não era problema. Simplesmente não era pra ser.

"Não era problema. Simplesmente não era pra ser..."

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Carta "Nada de negar paixões"

"Cartas Perdidas", Nº 18


São Paulo/SP - 7 de agosto de 1998


Oi, queria te dizer que, na verdade eu sinto na obrigação de te escrever. Mesmo estando chovendo.

Eu sinto de certa forma saudades de você. É tão longe mas na verdade a nossa distância não se resume só a distância física.

É, realmente você consegue se lembrar de alguma coisa? O vinho embriagou suas lembranças? Consegue se lembrar de cada palavra? Olha, pensa bem, isso é complicado. O milênio se aproxima tão rápido quanto tudo passa. Eu tenho medo dessa passagem rápida do tempo, meu amor, tenho medo da passagem tudo.

Tenho medo de que tudo fique por assim, mas eu queria saber como eu dizer, pois 500 quilômetro não são suficientes pra isso. Eu nem ligo pra nada, nem mesmo pra essa chuva que vai de forma tão despretensiosa.

Fico aqui voltando a fita toda hora e escutando a mesma música, isso não vai mudar, nem ligo. É impossível eu sei, mentir que nunca te amei, que foi um sonho e acabou.

Mas não, eu lhe amei em todos os momentos que eu acho que somos conectados, e presumo que desde a vista primeira nossa.

Eu te amo e vou lhe batalhar em casa sorriso e sentimento, isso não me duvide. Estou aqui, nessa cidade tão grande, tão cheia de pessoas, mas tão vazia de você.


Te amo. Acho que, sempre amei você. Te beijaria até debaixo dessa chuva toda.

"Te beijaria até debaixo dessa chuva toda"


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Da chuva, o silêncio

"Reflexões Pessoais", Nº 24


Gosto de escrever sobre a chuva, sabe?

Gosto da chuva, propriamente dita.

Há na chuva um momento propício à  reflexão, ao alívio do cotidiano. Ja dizia Millôr Fernandes "Olha / Entre um pingo e outro / A chuva não molha". Tanta ideia que surge a partir desse pequeno tesouro escrito.

Um universo inteirinho no intervalo entre um pingo e outro, e ninguém se dá conta. Entre dois pingos, um rio de silêncio; mínimo, imperceptível.

Mas existe!

E é esse silêncio entre os pingos que consola. Deixa fluir...

 "Sempre que chove, tudo faz tanto tempo.."

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Não Gosto

"Poesias e Devaneios", Nº 35


Eu não entendo minha própria fé
de te mostrar o mundo todo
eu fico tolo
com o amor e esse teu cheiro de café

Eu não compreendo
teus sonhos de mulher
fico escrevendo e remoendo
um passado que ninguém mais quer

Eu não gosto quando você diz
que vai embora e me deixar aqui
Eu não gosto de quando você faz
essa carinha de mimada me pedindo cafuné

Às vezes penso que posso te deixar
às vezes penso que o mundo todo 
vai se acabar no ar
Menina eu amo até seu jeito de andar
me explica como é que eu faço pra esquecer
do teu olhar?

Eu não gosto quando você diz
que vai embora e me deixar aqui
Eu não gosto de quando você faz
essa carinha de mimada me pedindo cafuné

Por Alice Gonçalves

"Não vá..."

sábado, 21 de maio de 2016

Minha marca indelével ficará

"Curtas", Nº 30



Esse é o rumo natural das coisas. Vejo tudo de forma diferente, e todos os dias minha fé está voltada para isso.

As vezes as sombras tomam conta do meu coração, e sinto que talvez todo meu esforço possa ser em vão. Mas afinal, quem não tem esse medo, né?

Se a felicidade for derradeira, o rio vai seguir seu curso, não lutarei contra a correnteza.
Eu acredito, e fico feliz em ao menos ter deixado um legado. Se lhe fiz bem.


Minha marca indelével ficará, se acaso fatalmente minha estada em sua vida for abreviada.


"Eu lhe peço, eu imploro, quando a minha hora chegar, meu descanso, minha paz..."

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Esteja acima do bem e do mal

"Reflexões Pessoais", Nº 23


A importância de superar a visão benigna e maligna dos fatos, é de um fator de suma importância psicológica e comportamental, pois retrata de deixar seus respectivos conflitos de lado, para abrir o caminho para o autoconhecimento e desenvolvimento.

Superar o mal, é ignorá-lo e perdoá-lo com a consciência de esperar que ele, por si só, amadureça e desenvolva o bem que há nele.

Superar o bem, é saber que há lições para se tirar, tendo a sabedoria que um dia isso também irá passar.

Mas, o que as pessoas fazem? Entram exatamente nesses conflitos momentâneos, mostrando-se inteiramente e emocionalmente ligados às questões do bem e do mal. Não superam e não internalizam que há lições para se tirar de ambos os lados.

A revolta é o primeiro Sinal.

Tudo o que há de conflito, decorre da intolerância de um dos lados. Daí, a revolta se manifesta como um conflito interno que está sendo dissolvido pelo ego.

Cada qual tem as suas escolhas, mesmo que tais escolhas nos atinjam diretamente (conflitos pessoais). Porém, revoltar-se com essas escolhas, é também uma escolha sua e assim, é um conflito interno, por não transcender o bem e o mal.

Superar o bem e o mal, é tirar proveitos das questões do dia a dia, no intuito de evoluir e desenvolver o seu espírito, seu pensamento e a sua atitude. Se não fizer isso, a única coisa que perpetuará, é o conflito e o ódio consigo mesmo.



Absorva o bem contido no mal e faça dele seu.
Elimine o mal que há no bem e descarte-o sem hesitação.