terça-feira, 18 de setembro de 2018

Ela é Ela, sempre foi Ela! (Gabriela)

"Poesias e Devaneios", Nº 46


Olhos carmim
Noite sem luz
Face sem rir
Frase bom fim
Sabe sorrir
Sabe amar
Tem seu tesouro
Sua pepita
Pedaço de ouro
Pequena Moça
Vida a seguir
Ama sem fim
Dia após dia
Sabe somar
Cada dia após
Sabe Lutar
Olha pra frente
Sem relembrar
Olha pra trás
Sem ressentir
Pinta sua vida
Tinta na Tela
Ela é ela
Sempre foi Ela! (Gabriela)

"olhos carmim, noite sem luz"

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Eclipse

"Poesias e Devaneios", Nº 45


Nada é como antes
Nunca é
O sol deu umas duas voltas, ou três, 
queimou suas costas ou seu rosto?

Tudo mudou, nada mudou
Tudo segue, nada segue
Eclipsou

Uma vida pra poder viver três
a gente pensa, pensa muito

Nunca pensa, sempre pensa, 
mas nunca para pra pensar
mas para sempre pra chorar

Eu fui embora, e fui mesmo
Mas nunca fui, contudo fui sim
Me diz por que fui?
E por que você não impediu?

Fui por que quis, e quis eu mesmo
A gente fez por merecer
E pensa nunca merecer
Merecemos o desmerecimento

Você tem, como seu ser
Eu sei a minha forma de existir
Eu sei a minha forma de tentar
Tentamos igual ser felizes

No amor
Na dor
Na esperança
No tentar
No errar

Eu pensei que você era você
Você pensou que eu eu não era eu
Você pensou que eu ia relevar
Você pensou que eu ia aceitar

A gente promete 
Promete prender
Um abraço eterno
Mas vem tudo
Tudo tapa tudo

Tudo é universo
Quasar e partícula
Imbecil eu saber
Que meu abraço eterno de prisão
Foi violado

Nenhum de nós dois sabe quem é um ao outro.
Um é Sol, outro Lua
Ambos somos o Eclipse

Há quem brilhe na segunda fila e se eclipse na primeira.




terça-feira, 7 de agosto de 2018

Carta: "Eu te Odeio porque te Amo!

"Cartas Perdidas", Nº 27


Salto Veloso/SC - 13 de Março de 1998


Vejo você, passo por você!

Eu finjo que não te vejo, toda vez que passo por você.

Eu acho que sou um bom ator, mas sou eu quem acho isso, talvez eu não seja de fato. Mas eu sei perfeitamente que você passa por mim, e toda vez que isso acontece, é como um “Tsunami” transpassando meu corpo, e é assim que eu sinto quando sei que seu olhar perfurou a minha existência.

Um dialeto épico e desnecessário, é assim, pode achar piegas, mas não é, sou uma muralha, sou uma pessoa grosseira como ponta de barranco, mas você é minha deriva de opinião!

Talvez a gente nunca chegue num consenso, e você, acho, tentou me encarar por alguns segundos. Percebi isso, sempre desvio o olhar, não tento encarar, pois és você como meu maior medo e desejo ao mesmo tempo, és como uma fera que devora minha alma ao imaginar que você é simplesmente um ser humano tão simples e efêmero como eu, pois tenho plena consciência da nossa finitude.

Somos eu e você, homem e mulher, plenamente compatíveis com a capacidade de nos implodir em um amor destruidor, mas inconscientes, de forma unilateral, no caso você, que isso existe.

Eu tenho medo de tentar entender que eu amo algo que eu nem entendo o que é, que é uma imagem que eu criei de você, mas você é uma pessoa de carne e osso, por isso eu acabo por amando você como pessoa, e a pessoa que é tão linda que me queima os olhos toda hora que eu resolvo te encarar. Por isso não encaro.

Mas não encaro por isso mesmo.

Eu te odeio por que te odeio, seu olhar me faz te amar, e te odiar! Mas te amo!

"Mas nem amanheceu você já me esqueceu
Mais uma vez você vai,leva um pedaço de mim"




quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Monstros que não existem

"Reflexões Pessoais", Nº 29



A modernidade criou uma sociedade ansiosa e neurótica, onde vivemos em uma constante corrida na qual não existe propósito no final dela. Não é por acaso que ensinamentos milenares de culturas do Oriente estão sendo espalhadas pelo Ocidente, pois a sociedade do Ocidente se encontra cada vez mais doente e vazia.

Hoje não conseguimos lidar com a ideia que o corpo físico morrerá, de que somos sozinhos, de que vivemos em um mundo idealizado por falsas crenças, de que somos insignificantes comparado com o Universo todo. 

Para viver uma existência tão insignificante o Ser humano idealiza esse conto de fadas onde o "Eu" está no centro, pois a ideia de que somos insignificantes e morreremos um dia, é considerada "pessimista" e radical, mesmo sendo a realidade. 

Acho que é de grande importância o homem tirar uns minutos do dia para refletir ou meditar, silenciar a mente e apenas "existir" pois dessa forma não se deixa a mente ociosa, refletimos sobre nossos objetivos, erros e analisamos nossas limitações, ou seja, um exercício de introspecção. 

Algo que percebo, principalmente em adolescentes e jovens adultos, é que suas mentes ociosas começam a teorizar sobre tudo e a criar monstros que nem existem, ao fazerem isso eles esquecem da máxima, que é silenciar a mente e buscar a paz de espírito, para poder lidar com todas as desilusões que acontecem no decorrer da vida.

Principalmente ao descobrirem como as coisas realmente são.

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." - João 8:32

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Canto da Fênix

"Poesias e Devaneios", Nº 44



Eu estou morrendo, e eu sei que  ainda ficará pior... eu lutei tanto até aqui que seria melhor morrer pra tentar de novo... 

E não importa quantas chances eu teria, não importa quantas vidas eu tivesse e até mesmo quantas vezes eu morresse...

Faria tudo de novo, no entanto... e assim será... eu estou virando cinzas pra depois me solidificar por completo... eu estou...

Saindo por baixo mas voltando por cima... uma questão de tempo, e eu sei disso... por isso, por mais que todos...

Tentem me colocar pra baixo e me fazer desistir, eu não o farei... eu irei até o fim, não importa como serão os caminhos...

Daqui pra frente... Voltarei pra vencer..

moriatur, et renascitur;


quarta-feira, 18 de julho de 2018

Carta: "De fato 'Jamais' é uma palavra muito forte"

"Cartas Perdidas", Nº 26


Leipzig - Saxônia (Alemanha Oriental), 08 de Novembro de 1989

Eu sei que jamais irei falar com você!  Talvez a palavra “jamais” seja um pouco forte, talvez tudo isso implique, e uns rumores de tudo mudar, mas a possibilidade é pequena mesmo, e sempre foi, e se apequena bastante com cada passagem de segundos do relógio inclusive!

Eu acho que as coisas estão estranhas e vão mudar, mas eu amava você desde antes de isso mesmo existir, e isso é muito sério!

Acho também que seremos do mesmo país, talvez, mas não sei mesmo se isso é necessário, porque eu mesmo já te considero dentro do meu coração. O problema é você fazer o mesmo processo!

Você povoou meus sonhos, um que eu tive esses dias eu até anotei, mas outro eu esqueci, que foi há um ou dois dias, mas eu sei que você está habitando o lar do meu subconsciente, e isso é irrevogável!

Eu nem sei explicar direito, mas de fato, quem sabe ao certo? O que explicar? Argumentos? Inexistem!

Você é a minha eterna Hanna Schröder, e nem é quem eu imagino quem seja. Eu criei uma outra “Hanna Schröder" na minha mente, obviamente alguém que nem existe de fato. Mas eu acho que você é tão real quanto possível, é você mesma!

Enquanto você povoar meus sonhos, eu verei você, e vou imaginar você exatamente como você não é! E Enquanto isso cada um de nós vive nossa vida de uma forma totalmente natural, como o fluxo de um rio! A água corre, com força, cruza o destino, o fluxo.

Você provavelmente não é quem eu penso que é, pois o que eu tenho em mim é uma imagem utópica, mas é impossível não construir uma imagem de alguém que está construída em meus sonhos faz tempo.


"Du siehst mich an und triffst meinen Blick, und ich renne nur weg, aber dein Auge bleibt auf mir."





terça-feira, 15 de maio de 2018

Percepção da passagem dos anos

"Curtas", Nº 35



Por que diabos a noção do tempo é mais lenta quando somos novos?

Talvez tenha a ver com proporção de sua memória.

Quando você tem um ano de idade, acrescentar mais um ano é viver em um só ano o dobro das experiências que tinha antes. Quando tem 10, esse ano a mais passa a ser 10%... mas quando você já tem 30, 40 ou mais sua memória registra como se a experiência nova fosse uma fração proporcionalmente menor. Acho que também tem o fato de que com o passar do tempo nós vamos tendo menos experiências novas (especialmente impactantes)... 

E pra fechar com chave de ouro, nossas vidas vão ficando cada vez mais rotineiras. Junta tudo isso e já viu, né?

E se, em uma suposição fantasiosa, fôssemos imortais, em dado momento, os anos pareceriam dias!

Até que a a mais completa loucura sublimasse totalmente nossa mente...

"...nada detém a foice do tempo..."

sábado, 7 de abril de 2018

Dois mundos, Um Sol

"Curtas", Nº 34


É engraçado pensar nisso.

Em dois mundos, o mesmo Sol.

Em dois mundo o mesmo calor.

Um mais perto, um mais longe.

Em dois mundos em um só vivemos.

Em dois mundos em um só morremos.

Dois mundos, Um Sol. Um sentimento e tudo é invertido.

Por motivos puramente científicos, tudo é invertido.

No Planeta Azul, o céu é azul.

No Planeta Vermelho, o céu é vermelho.

No Planeta Azul, o Sol se despede em vermelho.

No Planeta Vermelho, o Sol se despede em azul.



Diferenças do por do Sol no planeta Terra (esquerda) e planeta Marte (direita).


quarta-feira, 14 de março de 2018

Carta "No dia do seu Aniversário"

"Cartas Perdidas", Nº 25


Borda da Mata/MG - 15 de fevereiro de 1942



Você faz anos hoje meu amor.

E eu não sei qual seria o meu presente! Livros? Perfumes? Coisas de valor? Ou uma confiança simples, diferente...

"Livros" não servem não, meu querido... Não sou contrária, é a prosa ou a poesia; mas o livro é uma história já vivida, e uma coisa "mais nossa" eu preferia...

"Perfume" é uma lembrança passageira, e eu queria um presente que durasse. Que ficasse ao seu lado a vida inteira. E sempre, o nosso amor, lhe recordasse...

Um relógio, um anel ou um brilhante? Mas fico intimamente a hesitar: da vaidade você não é um amante. E que joia melhor que seu olhar?

Uma oração a Deus Nosso Senhor, faria você, feliz voltar, enfim? Não serve não, pois esse meu amor, é bem mais um presente para mim...

Um "verso"? ... Talvez não fosse mal. Mas sinto que ainda falta um certo "que".
Poesia é um presente tão banal. Tantos versos já fiz para você!

E eu fico nesta tola hesitação.
"Serve"? Não serve. "Serviria"? Não sei...
Nem mesmo serviria meu coração, pois este há muito tempo já lhe dei!

-Para você querido José, estes versos que na linguagem de outrem, traduz os meus sentimentos jubilosos de amor, nesta da que hoje se comemora, enchendo-nos de alegria e satisfação pelo seu natalício.

Mirtes

Salve!


Carta de Mirtes do Carmo Cobra endereçada para seu então namorado, José do Carmo Cobra em 1942, um da mais de sessenta cartas trocadas pelo casal,  estando esse exposta em uma moldura na residência da filha do casal em Borda da Mata, sul de Minas Gerais, senhora Maria do Carmo Cobra.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Dono de Minh'Alma

"Poesias e Devaneios", Nº 43



Noite adentro que resiste
A me envolver em breu, eterno e espesso
Agradeço ao Deus, Deus-Tudo e Universo
Pela minha alma inconquistável

Nas garras do destino e seus estragos
Sob os golpes que a contingência atira
Eu nunca me lamentei, tremi ou chorei
E trago minha cabeça, em sangue, ereta

Além deste oceano de angústias
Somente o terror das trevas se divisa
Porém o tempo, a consumir-se em ira
Não me amedronta, nem me martiriza

Não importa quão afunilado seja o portão
Quão carregado de maldições o pergaminho
Quão pesada a espada de escrutina o mundo
Eu sou o comandante da minha alma
Eu sou o senhor do meu destino!

O Universo me define
Deus me sustenta
E Eu me guio





"Doces são as melodias que se ouvem; mas as não ouvidas são ainda mais doces"


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Carta "Irmã, o carnaval acaba!"

"Cartas Perdidas", Nº 24


Piracicaba/SP - 08 de Março de 1999



Oi irmã!

Nem vou ficar tanto perdendo tempo com muita coisa, mas como estão as coisas? A mamãe, como ela está? E a nossa Galatea? Ela é o único ser aí que eu tenho certeza que vive sem temor nenhum aí, e com outra certeza ainda digo que essa nossa Galatea não sente uma Saudade. Essa "Saudade" eu fiz questão de destacar a palavra, porque eu realmente não sei, minha querida irmã.

Tudo fica estranho depois do carnaval, as pessoas no final das contas despem as máscaras. Mas isso eu nem mesmo ligo, mas tentar despir a alma, e principalmente a nossa, fica complicado!

O problema é que, por mais que você me alertou, eu me apaixonei, e foi uma paixão de carnaval! E isso vai passa da mesma forma que o carnaval passa. Ela não era formosa ou chamava a atenção de massas, ela era extremamente normal, mas no final ela não eram nem extremamente normal nem uma pessoa que passaria por minha vida como água por rocha na cachoeira.

A despeito do primeiro contato ser feito, ela estava totalmente ébria, fazendo piadas obscenas, ela não era a linda, mas era uma linda, uma moça mais que bela, e no momento embriagada, e tudo ao meu visto, naquele momento, seu corpo mediano, seu cabelo negro e pele branca, você estava totalmente embriagada. Eu de forma nenhuma levei a serio ela.

Eu jamais imaginaria que aquele seria o mais sincero contato da sua alma com a minha. Ela estaria totalmente embriagada durante toda conversa.  E a conversa foi bem obscena, não entrarei em muitos detalhes, ela foi incisiva, e me sugeria práticas sexuais obscenas, e eu não vou de fato entrar em detalhes com você.

Mas o problema de fato é uma questão antiga, e a gente sempre esquece, porém sempre esquecemos a máxima de tudo isso, e nossos sentimentos não são imunes.

A moça, até hoje, e isso fazem 2 anos, eu lembro dela, e como eu sei? A gente correspondeu entre 1995 e 1996 e nada mudou, ela de fato é a pessoa quem eu pensei que era, mas ela era mais, era estudante de engenharia, e era uma mulher que eu realmente me interessei, não era a mulher que eu desdenhei quando ela me abordou em estado de entorpecimento totalmente alienante, e totalmente ela jamais teria me abordado sem se esse tipo de situação.

As máscaras caem no carnaval, inclusive a minha. Ela usara uma mascara mas eu nao, eu de fato taria nessa situação vulnerável.

A gente se correspondeu por um bom tempo, mas ela jamais entendei, por algum momento, que eu amei ela, e a quis, a gente só trocava carda, mas a gente era somente dois imbecis do carnaval.

Jamais levei isso em conta, ela está cursando Engenharia, ela vai ver coisas simples pra mim como Física Aplicada, Geometria Analítica, e coisas que eu realmente não ligo, eu cai daquele eterno cilo vicioso, de achar que o amor leva a algum lugar.

Não, minha irmã, não vai dar muito certo, porque já estou apaixonado. Ela tem cabelos pretos, não é linda, mas é a mais linda do mundo! Ela tem olhos pretos e olhos que me metam. Ela me conhecem pelo rapaz que manda cartas pra ela, e isso faz tempo, a gente conversa e ela sabe que ela é quem é, e eu só sou quem eu sou com ela. 

Eu tinha medo, não do carnaval, como você me falou, mas de algo estranho!

Irmãzinha eu tenho medo de apaixonar, tenho medo. Mas o papel aceita tudo, então eu tento colocar isso, espero que esteja tudo bem aí, e, pelo amor de Deus, dê comida para a Galatea.


"Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei"


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Uma pequena explicação anedótica sobre Paixão e Amor

"Curtas", Nº 33


Definindo a paixão usando como desventuras medievais caricatas: imagine que és um bravo vassalo e que passará boa parte do seu tempo coletando os melhores equipamentos, armas e tesouros. Pois bem, quando conheces uma donzela, você receberá um feitiço, e caso caia nele, ela fará que abandones a tua armadura, dê-lhe todo o ouro que conquistara e abra o caminho bravamente para que os inimigos, monstros e demais criaturas sequer encostem nela.

Uma hora, ela irá embora, e lhe deixará sozinho, sem dinheiro, em um mundo desolado e que não tem pena de ti, e com um coração partido. Doravante, irá ficar riste por um momento, mas após um tempo, irá se recuperar e voltará a se equipar novamente, até que outra rapariga lhe encontre...

Se esta paixão for correspondida, ela corre o risco de poderes evoluir para o amor, quando(e se) chegares a este ponto, verás que os sacrifícios exigidos valeram a pena, e uma armadura secreta irá se encaixar em ti, deixando-o com atributos impossíveis de serem alcançados por outro modo.

Por isso que a paixão vale a pena, se fores correspondido, as defesas que você outrora abaixara retornarão muito mais poderosas, e com guardas postos pela outra pessoa que lhe ajudarão a controlar quem entra, e quem sai. Assim formando o que chamam de Amor.

Agora tereis cuidado, pois nem sempre seras totalmente correspondido, e, com o tempo, poderão aparecer alguns defeitos com a nova armadura.

Mas claro, tudo tão simples como uma bela caricatura que és esse pequeno texto.


"Há mais perigo em teus olhos do que em vinte espadas!"



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Superar

"Poesias e Devaneios", Nº 42


Superar não significa esquecer, assim como perdoar não é voltar a querer.

Superei, mas nunca esqueci, e nem pretendo,
Preciso das memórias para não esquecer onde não devo permanecer,

E não se trata de rancor,
Minha vida não tem espaço pra isso
É uma questão de amor,
De amor próprio,

Porque é preciso lembrar,
Pra não voltar a errar
Pra aprender que nem toda promessa é verdade,
Assim como nem toda lágrima é saudade,

E as minhas tem gosto de superação,
Já não doem mais,
O perdão foi a alforria do meu coração,
Apagou os últimos traços,

Desfez todos os laços,
Abraçou o presente,
Fez brotar a semente em meio uma desilusão
Porque perdoar é acreditar,  Que apesar dos pesares,

Novos tempos virão,
E onde existia passado, 
Desabrochará a renovação. 


Por Ricardo A. Brant, em Março de 2017

"E o futuro vai ser tão brilhante, que nem vamos precisar de olhos para ver..."

terça-feira, 10 de outubro de 2017

O Lar que Jamais Tive

"Poesias e Devaneios", Nº 41


Que nessa terra que habito
Que nesse canto que resido
Habitável? talvez não...
De qual não houve recepção

Que estou e vou estando
Terra vil e céu em desando
Sem flores no seco pasto
Idiotices de um sonho fasto

Não me permito condescendência
Que de face minha verta
Lágrimas crus da indulgência

Terra que não ama
Lar que não acolhe
Lugar que não sou parte

Não há temor
Não há rancor
Não há amor 
Só resta aqui torpor

Não ficarei, em paz jamais
De mim pedir, paciência é demais
Pois onde há, suposto calor
Par de olhos, brilhante, torpor

Não é real, nunca será
Porque onde de fato está
Não será hoje nem aqui
Mas irei lá buscar

Onde pelos seus olhos serei devotado
E por seu coração perseverante
Pois daqui irei zarpar
E do seu coração, jamais abandonar

"Algum lugar onde não há tempo pra perder
Algum mundo onde mentiras valem mais que a verdade
Um espaço vazio em seu coração"






segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A importância do Perdão

"Reflexões Pessoais", Nº 28


Muitas vezes tentamos entender e colocar um sentido em situações e momentos pelos quais passamos.

Nos sentimos enganados, ludibriados, frustrados, odiosos, com raiva e com desejos de vingança, ao descobrirmos certas “verdades”.

Todos fomos machucados na vida. Todos fomos rejeitados por uma namorada (ou namorado), traídos por um amigo, passados para trás numa promoção, rejeitados pelos pais, ou vítimas de preconceito.

E acho que é natural sentir este tipo de coisa. É claro que com o tempo, a tendência é com o decorrer das nossas vidas e nosso amadurecimento natural, ir se desapegando e seguindo sua vida, se desenvolvendo, evoluindo, deixando estes sentimentos pra trás, e olhando sempre para frente.

Mas muitos ainda, por mais que não digam ou que não afirmem isso (nem pra eles mesmos), bem lá no fundo, ficam presos ao sentimento de revanchismo, vingança a quem os iludiu, enganou, traiu. Seja quem for, a maioria de nós acredita que as pessoas que nos feriram devem pagar pela dor que nos causaram; afinal, elas merecem ser castigadas, mesmo que inconscientemente (“nada como um dia atrás do outro”, ou “o mundo dá voltas”).

Mas simplesmente: perdoe! Não se trata de esquecer a maldade alheia ou minimizar o próprio sofrimento. Para ser capaz de um perdão verdadeiro e sadio basta entender que ele traz muito mais benefícios do que o rancor.

Infelizmente, o conceito de perdão de cada um pode limitar ou dificultar a capacidade de perdoar. Dizem que perdoar é coisa de gente fraca, medrosa, sem auto estima. Possuímos crenças negativas de que perdoar é aceitar de forma passiva tudo o que nos fizeram. Achamos que perdoar é aceitar agressões, desrespeito aos nossos direitos. Alguns afirmam: “eu não levo desaforo para casa!…” ou tipo “Que se foda! Sou assim mesmo!” Pergunto: Somos alguns destes? Devemos agir sempre assim? Será que a pessoa que perdoa demonstra fraqueza de caráter? NÃO, NÃO E NÃO!

Olhando somente para o escopo do tema Relacionamento:

Muitos dizem: “Ah, eu me dei muito mal com aquela pessoa”. É claro! E não foi por causa de nenhum tipo de “predestinação” ou algo que o valha. Porque se iludiram, pensaram que ela seria perfeita o tempo todo.

E então muitos dizem que não conseguem perdoar porque estão muito magoados. Porém, o problema não está no outro, pois era previsível que por mais especial que esta pessoa fosse, um dia acabaria agindo de forma diferente daquela que esperávamos. O erro está em nós, que não aceitamos as pessoas como elas são. Ainda mais nos dias de hoje, onde pode tudo!

Pergunto: Será que estamos aceitando as pessoas como elas são? Será que não estamos esperando muito dos outros? Será que estamos esperando lidar com seres utópicos e absolutamente altruístas? Sabemos que de angelicais e puros eles não tem nada, são humanos tanto quantos nós. Amigo, sem Aceitação, não há Perdão!

Um outro motivo para esquecermos as ofensas está na constatação de que o perdão traz um grande alívio para quem perdoa. Não é para quem é perdoado. Muitas vezes quem é perdoado não consegue se livrar da sua consciência, mas este também precisa aprender a se perdoar e a recomeçar novamente. O auto perdão também é importante. Para que reconhecendo os nossos erros encontremos forças para reformular nossas atitudes e começar uma nova vida.

Considerando a própria fragilidade, o indivíduo deve conceder-se a oportunidade de reparar os males praticados, reabilitando-se perante si mesmo e perante aqueles a quem haja prejudicado. O arrependimento, puro e simples, se não acompanhado da ação reparadora, é tão inócuo e prejudicial quanto a falta dele.

Perdoe a si mesmo pelos erros cometidos no passado e não fique se martirizando por isso. O auto perdão ajuda o amadurecimento moral, emocional, porque propicia clara visão responsabilidade, levando o indivíduo a cuidadosas reflexões, antes de tomar atitudes agressivas ou negligentes, precipitadas ou contraditórias no futuro.
Quando alguém se perdoa, aprende também a desculpar, oferecendo a mesma oportunidade ao seu próximo.

“O PERDÃO É SEMPRE PARA QUEM PERDOA”.

Não nos contaminemos pela raiva, pela cólera e pela mágoa. Vivamos em paz e com a nossa consciência tranquila pronta para merecer o perdão das pessoas que prejudicamos com os nossos atos, palavras e pensamentos, pois somente será perdoado aquele que perdoa. Essa é a lei.

Quando digo perdoar a pessoa que te prejudicou, não quero dizer que as coisas vão ser igual ao que era antes, que você vai ter que conviver com a pessoa, ou se relacionar com ela. Não, não e não. Você apenas aceita que a pessoa agiu daquela forma e que ela é assim e de certa forma você se protege e começa a andar pra frente rumo ao seu desenvolvimento e sua paz de espírito.

Quando perdoamos as pessoas que nos machucaram, não estamos dizendo que o que foi feito contra nós não teve importância (“não foi nada”) ou não deixou marcas profundas (aquelas a ferro e fogo). Essas perdas foram terríveis e fizeram grande diferença em nossa vida, mas nos ensinaram muitas coisas: tanto a não nos tornarmos vítimas novamente, como não fazermos o mesmo para terceiros e o principal, traz pra nós o aprendizado.

PERDOAR NÃO É ESQUECER. É LEMBRAR SEM SENTIR DOR. É NÃO LEVAR EM CONTA.

O sensato perdoa. Portanto, seja o que for e a quem for.

O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental na busca no auto-conhecimento.

Não perdoar nos dá a ilusão de força, de poder (“agora eu controlo”). Não perdoar ajuda a compensar a sensação de falta de poder que nós sentimos quando fomos machucados.
De fato, se trancarmos na prisão de nossa mente essas pessoas que nos prejudicaram, vamos nos sentir onipotentes (“agora é minha vez”) pela força do nosso ódio silencioso. Isso não é bom.

E, por último, não perdoar nos dá a ilusão de que não seremos machucados outra vez. Mantendo a dor viva, os olhos bem abertos para qualquer perigo em potencial, reduzimos o risco de voltamos a sofrer rejeição, traição ou qualquer outra forma de ferimento.
Mas será que os benefícios (iludidos) de não perdoar valem o preço que pagamos por armazenar essas mágoas, remoer esses sentimentos e nos agarrarmos com unhas e dentes à dor do passado? Será que vale a pena continuarmos alimentando a raiva, revidando com palavras ou com silêncio e assim nunca sentirmos o verdadeiro prazer de viver? Vale a pena corroer a alma dessa forma?

Claro que não! Simplesmente desapegue-se do passado e seja uma pessoa melhor pra você mesmo!!

O perdão se torna uma possibilidade quando a dor do passado cessa de reger nossas vidas; quando não precisarmos mais do ódio e do ressentimento como desculpas para obter menos da vida, do que queremos ou merecemos. Perdoar é chegar à conclusão de que já odiamos bastante e não queremos odiar mais; portanto, perdoar é usar a energia da vida, não para reprimir esses sentimentos, mas para quebrar o ciclo da dor se voltando para o futuro e não machucando outras pessoas como fomos machucados.

Há quem diga que perdoar é escolher entre se vingar e se aproximar, entre ser vítima ou sobrevivente. Na realidade, perdoar é um processo que vem de dentro. É uma libertação. Uma aceitação. Perdoar é aceitar que a coisas ruins podem e de fato acontecerem na vida das pessoas, e que as pessoas mesmo quando se envolvem, machucam e se machucam. Perdoar é um sentimento de bem-estar, é reconhecer que existe algo melhor que queremos fazer com a energia da vida e fazê-lo.


E creio que todos nós aqui somos sobreviventes rumo a um futuro de muitas batalhas, na busca de sermos melhores seres humanos.

"A raiva te torna menor, enquanto o perdão te força a crescer além do que você era."
Cherie Carter-Scott

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Você está acordado?

"Reflexões Pessoais", Nº 27


A mente humana possui diversos mecanismos vitais para a sobrevivência humana e o principal deles é o poder de abstração. Abstrair a nossa realidade é a programação natural que nos foi feita assim que nascemos e começamos a interpretar o mundo a nossa volta. Nosso cérebro foi moldado durante anos de evolução, entretanto isso não significa que estejamos livres de um grande defeito: viver no modo automático. 

A principal causa desse modo é não viver no presente, sempre pensando no passado e no futuro. Vivemos mortos em uma sociedade onde o fluxo de informação é tanto que o processamento não consegue ser totalmente consciente, lidamos de maneira automática durante a maior parte do processo.

Experimente se lembrar do que você comeu três dias atrás no almoço. Se não houver recordação sobre isso provavelmente você não estava lá, fazemos isso o tempo todo, estamos dormindo o tempo inteiro. 

A consciência nos foi tomada, após ondas e mais ondas de informação a fadiga mental é tanta que entrar em modo automático é questão de sobrevivência e manutenção da espécie, assim como viver no presente era primordial para os nossos ancestrais continuarem vivendo. 

Nossos antepassados tinham que viver um momento de cada vez se quisessem se manter vivos, pois não havia nenhuma outra forma de se proteger a não ser observar a realidade nua e crua, sem nenhum tipo de distorção. Hoje as necessidades mudaram, se passarmos a viver no presente e questionarmos o porque das nossas ações e atitudes a civilização não duraria sequer mais um dia, pois nada do que fazemos faz realmente algum sentido no presente. 

A sociedade está doente, vivemos por promessas de um futuro que nem sequer existe e por um passado que não pode ser alterado. Tomamos atitudes baseados em um amanhã que talvez nunca chegue e achamos isso perfeitamente racional e razoável, afinal todos fazem o mesmo. Jogamos o nosso individualismo em troca de um coletivo que sobrevive a cada dia por uma mera questão de formalidade e costume em seguir vivendo uma vida que nem sequer é sua, pois você não vive de corpo e alma cada momento.

É preciso admitir que falta vontade para viver. O corajoso é aquele que mesmo com medo enfrenta o problema. O medroso é tal qual como o corajoso, pois ambos possuem medo. O destemido é aquele que entendeu que o medo só prejudica a experiência e resolveu se abnegar, entendeu que o caminho do não ser é a melhor forma de se chegar ao objetivo, pois não sendo pode-se ser qualquer coisa na hora certa.

E você? Até quando vai se entregar ao medo e deixar de viver no presente? Até quando a desculpa para o seu fracasso vai ser aquilo que já aconteceu e não pode ser alterado? Até quando a desculpa para o seu fracasso vai ser aquilo que nem sequer existe ainda?

Viva a vida em sua plenitude. Observe o mundo em sua volta ao menos uma vez e encante-se. Tenha consciência de cada ação e atitude do seu corpo, cada passo, cada respirar, cada batimento cardíaco pelo menos por alguns instantes. O presente é tudo que existe, se você não consegue viver nele você não está vivendo, está fugindo.

Será que suas escolhas de vida foram tão ruins que você não consegue encará-las de frente? Será que você tem que viver a vida inteira fugindo de você mesmo e do mundo, como se fosse um criminoso, um traidor de si mesmo?

A maior parte dos problemas da sua vida são resultantes da falta de atenção. Mas, como ter atenção se você nem sequer está aqui? Você sempre está lá, nunca aqui no presente, onde tudo acontece. 

Acorde!

Aquela mulher que te deu um pé na bunda nunca te quis, mas você estava tão distraído vivendo no passado ou no futuro que se esqueceu de observar o desprezo e o oportunismo no olhar dela. 

Aquele amigo traidor nunca se preocupou com você, mas você estava tão bêbado que não conseguia perceber.

Aquele concurso que parecia distante estava tão próximo, mas você resolveu jogar as suas prioridades no lixo em prol de algum pensamento inútil que invadiu a sua cabeça. 

No presente não há pensamento, há ação. A atenção para se manter no presente é tanta que a possibilidade de pensar nem sequer existe.

Até quando você vai ser vítima do seu pensamento? Até quando vai viver em um mundo de ilusões?


Se liberte!

"Povos livres, lembrai-vos desta máxima: A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada."
Jean-Jacques Rousseau

sábado, 17 de junho de 2017

Síndrome da Rainha Vermelha na Vida Pessoal

"Reflexões Pessoais", Nº 26


A "Síndrome da Rainha Vermelha" é um conceito, um postulado de sociologia, publicado na forma de livro de não-ficção pelo autor e sociólogo Marcos Rolim.

Todo o conceito da obra é pensado para ser trabalhado em cima da segurança pública brasileira e suas deficiências.

A ideia surge de uma passagem específica de personagens específicos da obra de Lewis Caroll, "Alice Através do Espelho". É sobre a frustrante sensação da personagem Alice de que quanto mais se corre, mais se fica no mesmo lugar:

"..."Vamos , Alice , corra, corra mais". Exausta com o esforço, ela se frustra quando percebe que não saiu do lugar. No mundo da Rainha Vermelha é assim mesmo. Corre-se mais e mais, para não sair do lugar. Alias, é preciso correr muito para ficar no mesmo lugar..."

Alias a metáfora que é o escopo do tema pode nos levar a refletir não só sobre a segurança pública, mas também sobre outros temas e aspectos.

Quantas vezes na vida nos pegamos sofrendo de tal Síndrome? Exatamente assim, correndo contra o tempo implacável para exatamente FICAR NO MESMO LUGAR? Somos frustrados com o bombardeamento pelas mídias diversas sobre a possibilidade de todo mundo ter "seu lugar ao Sol", como se o "sonho americano" fosse extensível para nós aqui também nas terras verde-amarelas. 

Crescemos e amadurecemos em uma bolha social e filosófica onde nos é apregoado que com o simples esforço e um "querer" conseguiremos atingir nossos objetivos utópicos: sermos ricos, famosos, e até mesmo coisas que julgamos simples, como sermos reconhecidos e amados simplesmente pelo nosso caráter e nossa honra, e não simplesmente pelo que temos ou nossa aparência externa, cor da pele, etc.

É aí que chegamos ao ponto de perceber que estamos fazendo EXATAMENTE o que Alice fez: correndo, correndo, correndo e correndo com toda força para ficar no mesmo lugar: pagar nossas contas, acordar cedo, trabalhar em uma rotina monótona e angustiantemente previsível, sustentar ego e luxúria de uma sociedade pautada pela aparência e com uma profundidade tão "grande" quanto uma piscina infantil.

E como Alice, no livro de Lewis Caroll, nós mesmo acabamos se frustrando, e exaustos pelo esforço inutilmente desenvolvido, desistimos de tentar, de ser, de criar, e passamos apenas a existir, de forma vazia e automática, como uma legião de fantasmas, vivendo a vida no "modo automático".

E com o olhar vazio "das mil jardas": NASCEMOS COMO UM MORTO E MORREMOS COMO SE NUNCA TIVÉSSEMOS NASCIDO.

"...e quando a própria vida funciona como uma máquina de destruir sonhos e padronizar almas..."




terça-feira, 6 de junho de 2017

Por que eu acredito em Deus?

"Reflexões Pessoais", Nº 25



Uma pergunta que seria tão simples e ao mesmo tempo tão complexa: Porque eu acredito em Deus?

Primeiramente eu divido conceitos de forma bem clara e concisa em minha mente: Fé e Doutrina, Espiritualidade e Religião. Tais conceitos que a primeira vista poderiam ser considerados praticamente sinônimos, pra mim se opõem fortemente. Pra mim a doutrina estraga a fé, e a religião sufoca a espiritualidade.

Tendo em mente que divido claramente os conceitos retromencionados, já adianto que não sou religioso, tampouco, apesar de desnecessário dizer, sigo quaisquer doutrina de forma íntima. 

As pessoas costumam crer verdadeiramente em Deus por duas vias distintas: experiência pessoal/sobrenatural ou pela pura lógica. Desta forma, digo que minha crença em Deus, no Criador, se deu basicamente pela segunda alternativa. 

Nunca de fato pude sentir aquilo que muitos dizem sentir, e por isso cheguei a duvidar. Não poderia ter sido tão tolo.

Basicamente ao se compreender o ser humano como espécime biológico, podemos ter a noção de quão limitadas são nossas ferramentas de percepção do ambiente que nos cerca, da nossa auto-declarada "realidade". Tudo em nós é extremamente limitado, nosso cérebro nos oferece um modelo muito limitado da dita realidade para que possamos viver nossas vidas de acordo com nossos preceitos puramente biológico.

Desta forma lhes pergunto, como então que entenderíamos a lógica do Criador sendo nós mesmos a mera Criatura? Como entender a lógica de Algo que pode estar por trás da criação das próprias leis da física como conhecemos? 

É como se imaginássemos de alguma forma um computador tentando compreender o amor, ou o ódio, simplesmente não dá. O computador é criação nossa.

Não há como a Criatura entender a lógica do Criador, seria-nos muita presunção quiçá entender a sua existência ou não-existência, mesmo porque o próprio conceito de "existência" é algo muito limitado que nos é oferecido pelo nosso humilde cérebro. 

Creio em Deus, embora sou e serei sempre muito limitado para compreendê-lo.



"Somos apenas parte de um todo."





quarta-feira, 17 de maio de 2017

Há Infinita Ternura

"Poesias e Devaneios", Nº 40


Há infinita ternura
Ante o anoitecer
Os olhos do pássaro seduz
Buscando o que é impossível de ter

A ternura infinita se revela
Sob o sol de meio dia
Acordes do piano que apela
E acaricia a melodia

Talvez um dia o poeta chore
E suas lágrimas sejam ouvidas
Precedendo um tempo de amor
Onde as flores são bem-vindas

Meu amigo, um dia será
Com flores em cada porta
E as lágrimas vão secar
Num tempo que a vida conforta

Há infinita ternura
Ante o anoitecer
Os olhos do pássaro seduz
Buscando o que é impossível de ter




"Veja o mundo num grão de areia, veja o céu em um campo florido,
guarde o infinito na palma da mão, e a eternidade em uma hora de vida!"