"Poesias e Devaneios", Nº 159
Há noites em que contemplo o que nunca foi meu,
não como quem exige — mas como quem aceita.
A lua paira intacta no alto do céu,
luz que me toca… mas não se deita em minhas mãos.
Aprendi no fogo que amar não é possuir,
é permanecer quando tudo em mim quer fugir.
O querer constrói castelos de névoa,
mas a decisão firma os pés no chão ardente.
Busquei ter — e quase me perdi.
Pois quem tenta segurar o vento
acaba soltando a própria alma.
No incêndio do orgulho, fui reduzido a cinzas,
e ali descobri que ser vale mais que ter.
Se nada me pertence, ainda assim posso escolher.
Escolher ficar, escolher cuidar, escolher honrar.
Não controlo o retorno, nem a resposta,
mas posso controlar a entrega.
E quando o tempo apagar as brasas da memória,
quero olhar para trás e dizer: eu fui fiel.
Não alcancei todas as luas,
mas mantive acesa a chama que me foi confiada!
Não alcancei o seu coração
mas mantive acesa a chama que me foi confiada!
(Primeira Epístola aos Coríntios 13:4,7)

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