domingo, 15 de fevereiro de 2015

Carta de Johnny Cash à June

"Cartas Perdidas", Nº 10




Feliz aniversário, Princesa


Ficamos velhos e nos acostumamos um com o outro. Pensamos parecido. Lemos a mente um do outro. Sabemos o que o outro quer sem perguntar. Às vezes, nós irritamos um ao outro um bocado. Talvez, algumas vezes, tratamos um ao outro como garantido.  Mas de vez em quando, como hoje, refleti sobre isso e percebi o quão sortudo sou por compartilhar minha vida com a mulher mais incrível que já conheci. Você continua me fascinando e inspirando. Você me faz ser melhor. Você é o meu objeto de desejo, a razão #1 para a minha existência.

Eu te amo em demasia.

Feliz aniversário, Princesa.

Johnny




Saiba que aqui existe alguém que realmente está disposto a te fazer completa! Tão disposto como nunca estive, creio eu.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Carta: "A ausência de resposta responde por si"

"Cartas Perdidas", Nº 9


Campo Belo/MG - 16 de Outubro de 2008



"Conduz-se facilmente a crença alheia quando se tenta direcioná-las no rumo de suas tendências naturais: seus desejos e medos. As pessoas acreditam facilmente no que temem e no que desejam."


Sabe quando certas coisas são exatamente como pensamos quando duas pessoas pensam juntas? Mas também há uma ruptura de pensamentos e sonhos quando ambos não somos mais um.

Lembro de muitas coisas, coisas boas e ruins, abraços, lágrimas, saudade, angústia, medo, paz, noites longas ou curtas, risos, paixão, dúvidas e temores, planos, sonhos, ilusão, desilusão, amor puro e simples, esperança ou desesperança, o que restou?

Sei que seria fácil simplesmente dizer que estamos longe, de analisar a distancia que existe entre nós, de dizer todas as dificuldades que nos foram imputadas, mas não é bem assim que eu quero que seja feito. Mas também não me iludirei.

Poderia lembrar aqui dos momentos marcantes. Aquela viagem inesperada e repentina, aquela estadia no campo deserto, aquele natal tão perfeito onde que não haveria dor ou mágoas. Coisas imbecis, lembranças de um amor adolescente talvez.

Poderia ficar aqui discorrendo do quão grande foi e ainda é esse nosso amor ingênuo e maduro, sagaz e lívido, imbecil e tosco.

Mas tenho apenas uma folha, um lápis e pouco tempo para transmitir o que estaria sentindo agora, nada é fácil, a vida tem nos surpreendido a cada dia.

Não me arrisco a dizer nada. Porém posso ir além, poderia dizer sem nenhuma dúvida ou medo de errar que não existiria outra pessoa senão você mesma que eu me casaria. Não seria nenhum exagero, pois foi exatamente isso.

A "saudade", uma palavra esquisita que só existe na língua portuguesa... tem muitas facetas estranhas, e nostalgia é uma delas. Nostalgia de idealizar, talvez... e talvez eu mesmo esteja sendo leviano e tolo.

Todavia, não posso simplesmente guardar isso dentro de mim que nunca de fato morreu e repentinamente voltou a crescer e martelar na minha cabeça nas minhas pouquíssimas horas de sono, não nos próximos trinta anos, e chegar depois de você já ter uma vida traçada com outra pessoa, onde só irão restar lamentos. Não, acho que não é tarde o bastante.

Digo apenas “acho”, pois meu ceticismo ainda não me abandonou. E não vou ser utópico, nem ficar criando ilusões bobas, é perfeitamente possível todas as possibilidades, inclusive as negativas. E boa parte de mim não dá a mínima.

Não houve resposta, não achei que haveria mesmo, nunca contei com isso. A própria falta de resposta pra mim já é uma resposta. Isso me fez eu me condicionar ainda mais a mudar coisas dentro de mim, aprender a amar outra pessoa talvez.

E se falar que não arrependi de ter escrito, estaria mentindo. Há pontadas de arrependimento fatais por ter colocado meu pescoço à mostra pra suas presas afiadas de novo, sinto um certo nojo de mim mesmo de ter me exposto novamente, conforme é um ciclo e se repete sem mim (não vai repetir acho).


Mais sei que tu pensas em mim, nem que seja um pouquinho, nem que seja pra me odiar um tantinho por dia, mas pensa em mim. Ah, se pensa!


Mas não há espaço pra lágrimas.



"Acredite, o que eu faria por você eu não faria por mais ninguém..."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Espaço-Tempo falho

"Curtas", Nº 16


Só vou conseguir existir verdade, nesse exato espaço-tempo, quando estou escondido numa brecha do tempo estranha, que não existe aqui.

Quando não há pudor nem medo, vergonha nem fingimento, quando somos só desejo e confiança. Quando eu e você só existimos em uma brecha estanha no tempo, numa pequena partícula de existir.

Quando existe eu e você como nós, e nunca isso vai mudar! Isso vai mudar apenas em uma faceta quântica, porque tudo é temporário, mas também tudo é eterno...

O resto do tempo, e o resto de tudo, depois que tudo acaba, me sinto uma cópia falsificada de mim mesmo, me sinto uma sombra....

"Poderia ter simplesmente me envergonhado disso tudo que sinto e estou sentindo, mas não é bem assim"

Escrever

"Curtas", Nº 15


É no papel que eu encontro minha liberdade

Em cada letra ou palavra estranha que ninguém entende

É em cada rabisco de tinta no papel branco que eu deposito o que há de tudo em mim.

É exatamente em cada letra estranha ou palavra esquisita, é em tudo isso que eu consigo desabafar tudo que eu tento sentir.... tento....

Mas nada disso importa, porque quase ninguém chega a ler o que eu escrevo, e isso não é algo necessariamente ruim!

"não, não deixei nunca de sentir o que sinto por você"

domingo, 18 de janeiro de 2015

Acerca das perdas, ou a vida como equação negativa

"Reflexões Pessoais", Nº 15


Existem reflexões que devem ser feitas. E elas geralmente só são feitas quando não existem a euforia. Como já disseram, nós "sentimos a dor, mas não a ausência dela", tal fato se deve pela capacidade adaptativa da mente humana.

Ainda sobre nossa mente, podemos também dizer o infinito imediatismo que estamos fadados. De forma que somos também enfaticamente fadados a errar e voltar a cometer os mesmos erros por diversas vezes. Somos por ora incapazes de prever algo ou alguma consequência à longo prazo, dado a forma com que visualizamos as coisas.

Criamos ilusões rampeiras, para depositar toda nossa capacidade construtiva nessas ilusões. Construímos o edifício de nossas vidas muitas vezes sobre areia, e temos a péssima mania de idealizar situações impossíveis no mundo real.

Mas lógico, não vamos exagerar... Só as dúvidas ficam perneando a mente!
Porque afinal a vida seria equação negativa?

Quando tudo está uma merda existe a probabilidade de se tornar uma merda maior ainda. Nada é tão ruim que não possa piorar.

Fatores como saúde, clima, acasos inesperados, desentendimentos, decepções diversas nas nossas vidas com pessoas que achamos que podíamos confiar.

São fatores incontroláveis, você pode sair um dia de casa já deprimido pela vida miserável que leva e no meio do caminho para o trabalho cair uma tempestade maldita na minha cabeça....

E pior ainda no meio da tempestade você ser eletrocutado... Sim, cair UMA MERDA DE UM RAIO NA MERDA DA MINHA CABEÇA!

Nós não temos controle sobre o que nos cerca, na maioria das vezes estamos fudidos, achando que estamos num buraco, mas só estamos encrencados mesmo, ai, idiotas que somos achamos que a solução para os nossos problemas é algo infantil, imaginário, fictício! 

Criamos e vivemos um mundo de ilusão, sendo que as vezes acordar é doloroso, é mais gostoso ficar deitado em ‘’berço esplêndido”, mas melhor é acordar sim e bater de frente com a vida.

maldita tempestade!



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Além do que chamo de ilusão

"Poesias e Devaneios", Nº 16


Me sido transpassado...
Dos atos, as consequências...
Por ter sido prepotente, arrogante, insípido
Por fazer transbordar empáfia em cada palavra minha
Por não saber escolher, optando pelo pior


Mas também me sinto angustiado
Por também me sentir impotente em quase tudo
Por não ter o controle mais absoluto...
...do meu desejo e meus anseios
De me entregar à lascívia por um dia, e só, nunca mais
De simplesmente querer sumir, mas não poder de fato
De ter um álbum de fotografias em minha mente...
...impossível de ser rasgado, queimado ou descartado


E também me sinto encurralado
De não saber lidar comigo mesmo
De quando frases de efeitos ligam-me à histórias paralelas
Das vidas que não pude viver
De simplesmente querer estar em uma situação diferente


No final só vejo que
Abraços se desfazem
O sol se vai sempre
O café esfria
O refresco se torna morno e sem graça
Sorrisos são efêmeros
Minha cama fica menor a cada dia
Em meu rosto paira uma sombra
Meu espelho reflete aquele que ainda é adolescente por fora...
...mas por dentro adulto

Por mais que eu tente
Não irei mudar o tempo
Não irei mover montanhas
Não irei segurar o rio
Não irei alongar os dias...
...os quais ficarão mais curtos a medida do tempo

Não há mal que pra sempre perdure, diziam eles
Mas que mal que se instala na alma
Desacalenta o coração
Impossível de dizer como
Nem explicar

Um dia amei
Noutro, me despedi
Minha vida segue sendo
Uma sequência de interrupções abruptas...




"A minha sede é ferrenha,Mas meu corpo não morre"




domingo, 11 de janeiro de 2015

Algo curto sobre condicionamento mental

"Reflexões Pessoais", Nº 14


Faz faz um bom tempo que não tomo um banho quente, mas todas as vezes que abro o chuveiro sou recebido com a mesma carga de justificativas, tentando me convencer de mudar a chave para o banho quente. Com o tempo é fácil observar que os mesmos mecanismos de racionalização que sua mente cria para não tomar um banho frio, são os mesmos que usa para não sair de casa e ir correr no domingo a tarde. 

São as mesmas desculpas que o seguram quando resolve começar aquele projeto novo, pra realmente seguir em frente quando tudo parece que pode dar errado. Talvez realmente dê, mas algo muito forte diz que não.

Nosso cérebro repete seus argumentos e quando entendemos que estamos sendo enganados por nós mesmos, reconhecendo estes padrões, é mais fácil de cortar as desculpas e seguir em frente. Enfrentar a barreira da zona de conforto e observar como você se comporta é simples e resulta em grandes mudanças.

As escolhas erradas e os efeitos delas sobre mim simplesmente me esmagam.

Sou uma bomba relógio ambulante, prestes a explodir a qualquer momento.


"...Talvez seja sempre é tardio e utópico, ficará sempre no campo da conjectura"

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Dividido

"Curtas", Nº 14


Estamos divididos, e no final tudo se divide...
Uma sucessão de interrupções abruptas, assim defino minha vida.
Quem sabe a paz seja uma grande utopia... o amor, um grande engodo?
Mas não, procuramos sempre pela paz e pelo amor...
E passamos por sucessivas divisões

Onde seguir? Pra onde ir? O que ser? O que fazer? Esquerda ou direita? Medicina ou culinária?

Praticamente somos rasgados ao meio pelas oportunidades e dilemas que nos são apresentados.

A natureza nos torna anti-humano talvez? Talvez, quem sabe...
A natureza humana muitas vezes é anti-humana, feroz e selvagem...

Agora acerca de "universos" em que vivemos, ou que estão aí... mundos, sonhos, ilusões, fantasias, ou qualquer outra metáfora ou alegoria que se use...

Sou dividido entre três mundos...

Um deles eu já perdi...
O outro eu nunca tive...
O terceiro, no qual vivo, não o quero de jeito algum...


"...É apenas algo que não posso mais guardar só comigo..."

domingo, 4 de janeiro de 2015

Amanhece, e tudo continua igual

"Poesias e Devaneios", Nº 15



Algo soa...Cantam os pássaros urbanos, com aquele som estridente, me faz acordar, ao mesmo tempo me fazendo lembrar que nem dormi. Ao mesmo tempo se escuta sons de buzinas e motores. Quando os primeiros raios de luz se misturam à atmosfera amarfanhada, cinza e poluta. 

É melhor se levantar, tentar equilibrar a mente com o corpo doído de uma noite não dormida. Pela janela descorada só se vêem aquelas estruturas imponentes, árvores de pedra, os arranha-céus senhoris, eternos na minha imaginação, de destacam em meio a algo que não sei se é neblina ou conspurcação.

E no canto do quarto, lá está ela, minha escrivaninha, onde estão pilhas de papéis manuscritos, textos e devaneios de uma mente que transborda sentimento além da matéria, onde papel e tinta se fundem em uma estrutura quase-viva de pura afeição. 

Meus papeis, meus escritos, meus devaneios, postados todos em pilhas e mais pilhas, e ao lado descansa uma xícara de café amargo que já esfriou, assim como minha alma.

Meus olhos doem! Não por ter chorado, coisa que nem sei fazer mais. Eles doem pela atmosfera cáustica desse ambiente metropolitano, pela nódoa que circunda por todo canto, nem ao menos há pra onde fugir,

Nessa selva de pedra lá fora que é a cidade, aqui dentro não fica tão diferente, sendo que meu coração compartilha da mesma matéria-prima de que são feitos aquele edifícios augustos e impenetráveis, duros como rocha seca e estéril.

Noutro canto uma pequena estante exibe dois porta-retratos, porém um fato curioso é que eles estão vazios. As fotos que nele eram ostentadas já nem existe mais, foram destruídas, queimadas, rasgadas. As imagens físicas podem até nem existir, mas as que residem dentro das minhas lembranças, ah, essas são impossíveis de serem rasgadas.

E não são "fotos" estáticas, captação estéril de uma fração de um picossegundo, mas sim todo um filme, toda uma vida vivida, onde imagens, sensações, prazeres, cheiros, perfumes, sentimentos, tudo isso está entrelaçado e misturado, guardado bem no fundo do coração de pedra que ostento, e de lá nunca sairá.

A austeridade que demonstro, a frieza que exibo, se faz necessária tão somente pela falta que tudo isso me faz, assim como a luz do sol que mal consegue penetrar nesse ambiente lúgubre que é essa cidade, que exala um cheiro corrosivo de gasolina, tão corrosivo quanto lágrimas que eu já provei um dia, apesar de não provar.

Tudo faz parte, e continuará sendo assim. Talvez Augusto dos Anjos tivesse razão, mas eu ainda não assisti o formidável enterro de minha última quimera.

"Não existe ainda a palavra “saudade” para tudo isso, mas de certa forma é o que eu poderia definir"



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O Medo

"Poesias e Devaneios", Nº 14


Tenho medo
Medo de quê? De quem? Porque?
Tenho medo de morrer cedo, medo de viver muito
Muito medo de chuva, ou do sol também
Costumo ter medo da rua, medo das pessoas, medo das sombras
Tenho medo de amar, e também de odiar
Medo dos cantos, dos espelhos que me fitam
O medo é biológico, mas também psicológico, ou virtual, imaginário
Mas não esqueço que também tenho medo de me perder
Medo de esquecer quem realmente eu sou,
De saber quem eu era, ou fui, sei lá
Não sei ao certo o real motivo, motivo desse medo
Medo do ostracismo, real ou fictício
Mas ele virá
Mas com certeza, o pior dos medos
O real medo, é ficar sem o amor...
O amor de quem eu amo, ou amei, ou vou amar,
Pois com certeza não é medo de não ter ninguém
E sim não ter alguém que tanto quero, ou nunca deixei de querer
O resto é bobagem, não existe mais nenhum medo, a não ser esse...


"O grande mal, a grande aflição é o conjunto de lembranças. O passado se entrelaça com o presente de maneira abrupta e totalmente irreal"



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Acerca dos sonhos ruins

"Reflexões Pessoais", Nº 13


Os sonhos ruins não serão escritos. Assim como as experiências negativas, não quero reviver os sonhos ruins através de anotações. Infelizmente, assim como gosto amargo de um remédio, esses sonhos me servirão de alerta, de presságio ou mesmo me mostrará cenários totalmente utópicos.

É sabido, pois ultimamente me ocorre um sentimento estranho que simplesmente não deveria estar aqui. Que volta com uma força profética. Isso é estranho, pois simplesmente não deveria estar aqui.

Sonhos ruins sempre nos mostram lugares estranhos que nunca visitamos, porém são extremamente familiares, praticamente um deja-vú elevado ao cubo. São sentimentos e sensações realmente vívidas.

É importante ressaltar que por “sonho ruim” não estou falando exatamente de pesadelos que envolvem monstros ou coisas horripilantes, não mesmo, longe disso. Um pesadelo com um monstro é muito mais fácil de lidar, pois sabidamente eles não existem, voltando para a realidade num susto, logo vem o alívio.

Esse sonho ruim consiste basicamente na visão geral de um cenário criado por mim em minha vida real, principalmente por causa de escolhas erradas e impensadas. São aqueles sentimentos que estão represados no dia-a-dia, que irrompem bruscamente no sonho, e aí você vê a falta de controle que você tem de si mesmo!

Particularmente eu já quase perdi a capacidade de chorar na vida real, de forma que todos os anseios ficam represados assim. Mas não nos sonhos, lá não existem amarras ou austeridade emocional. Simplesmente desabamos em “lágrimas” virtuais (as vezes elas são até reais, quando percebemos que o travesseiro está todo molhado) choramos copiosamente, sem limite ou pudor, pois é o NOSSO universo, não seremos julgamos por ninguém, a não ser por nossa própria consciência.

E interessante é não saber nada sobre outras pessoas, e dessa forma nossa consciência tentará emular a mente de terceiros, gerando todos os cenários possíveis de possíveis reações por parte da pessoa. Infelizmente é uma experiência triste, pois quando vivenciamos o cenário utópico, vemos que estamos perdendo tempo na vida real e não correr atrás, e quando vêm o distópicos, vemos que a possibilidade real da perda é iminente, e percebemos que apesar daquela ilusão, dentro de nós nada mudou, NUNCA.


"São tempos sombrios, não há como negar. É a hora de decidir se devemos fazer o que é fácil ou o que é certo."

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Da Alma ao Texto

"Reflexões Pessoais", Nº 12


Ninguém compreende você, nunca na totalidade. E, mesmo que compreendessem, isso não vem ao caso, pois por vergonha ou medo seus segredos vão continuar seus, guardados lá no fundo da memória e, no máximo, divididos com o travesseiro.

Aqueles que têm dificuldade em expressar sentimentos ou medos, e que não se sentem prontos para buscar ajuda, frequentemente acabam afundando sozinhos em um universo sombrio e apático. Sofrem em silêncio, presos em um labirinto interno do qual parecem não encontrar saída.

Mas não deveria, aparentemente, pois o papel pode ser a saída, a válvula de escape. Quando se confidencia seus desejos e suas frustrações ao papel, você entra em contato direto com suas sensações mais importantes naquele momento. Fazendo isso, encontrar uma saída para um problema ou arrumar um jeito talvez. A escrita, ao fluir livremente, permite que você encontre, talvez, uma saída, um novo ângulo, uma resposta que antes parecia inalcançável.

Da maneira com que as palavras vão fluindo, talvez, pois a escrita permite o contato com a dor, sendo que devo salientar que a dor talvez seja mais útil que a alegria, na maioria das vezes. A alegria, sendo passageira, nos deixa bêbado e entorpecido, retirando parte da nossa capacidade de julgamento do real cenário. A dor, mesmo sendo amarga (tal qual o remédio, que tem gosto amargo), nos deixará totalmente à par das ameaças que nos circunda.

Dessa forma, tudo que está escrito está imortalizado, não serão apenas devaneios momentâneos, mas registram-se aqueles sentimentos ou aquelas dúvidas para consulta posterior. Tudo que é escrito torna-se imortal. 


"No papel, as emoções são percebidas mais claramente,
até a letra varia de acordo com o momento"

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Guerra Íntima

"Reflexões Pessoais", Nº 11


Serão dias de guerra! Batalhas intensas e lúgubres travadas diariamente! Mas não contra uma legião de guerreiros sedentos pela minha cabeça, não mesmo! O inimigo será eu mesmo! O que não fica atrás, em se tradando de tudo e todas as circunstâncias.

Ficarão pior os dias, ficarão mais escuros e frios, deverei ser fera por morar entre feras, e meus sonhos continuarão a me consumindo, fantasmas antigos me atormentarão e tentarão me fazer fraco, imagens distorcidas de uma realidade já também distorcida!

Não sucumbirei, não irei me refugiar em nenhuma ilusão. Bem, não é de total verdade que não haverei de continuar alimentando pelo menos uma, mas não vejo só como uma ilusão, e se assim for, não é uma ilusão perniciosa como as outras.


Deverei estar atento nos próximos passos, mas a guerra está prestes a começar!

"ser sóbrio em cada palavra minha, sei que serão dias de luta"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Um passo arriscado

"Reflexões Pessoais", Nº 10


Não serei utópico, a ponto de pensar que tudo será mil e uma maravilha, um mar de rosas.
 

A decisão deve ser tomada conscientemente, decidida na plenitude de livre-arbítrio. Sei que isso é duro, porque sendo assim, ninguém tem direito à culpa e a culpa é o abrandamento dos abatidos.

Devo ter ciência que tempos ruins virão, serão noites tortuosas e dias fugazes. A morte do ego será bastante necessária pelos dias que virão, os espelhos irão se tornar seus piores inimigos, bem como esses malditos sonhos que insistem em martelar-nos esses fantasmas nocivos.

Ora, seria muito fácil permanecer na tal zona de conforto, e cada vez mais me afundar nesse mar lamacento de ilusões imbecis, e de quebra levar outras pessoas no processo. Mas não, conforme diversas dúvidas, essa em particular, e me começa logo a surgirem respostas, ao menos um caminho possível.

"Como um fantasma que se refugia na solidão da natureza morta", dizia Augusto dos Anjos. Solidão é fardo, solitude é virtude. E são virtudes verdadeira que busco incessantemente! Em busca da verdadeira Paz, do engrandecimento pessoal, tanto físico como psicológico. Sim, é o que tenho buscado. Não estou em paz, e venho arrastando meus dias, tempo após tempo, me ferindo sem necessidade.

O que fazer quando se há uma teia de situações, te envolvendo a ponto de te imobilizar, como uma teia de uma aranha asquerosa e repugnante, pronto a te devorar como uma fera selvagem? É minha vida, a fera bestial faminta por minha alma, que vai se esvaindo cada vez mais.

Mas só queria realmente saber o momento certeiro. Enquanto isso, vou vivendo uma utopia. Só em sonhos doces, claros, porque os amargos na verdade não são sonho, são a realidade.


 "Ah! Dentro de toda a alma existe a prova, De que a dor como um dardo se renova, Quando o prazer barbaramente a ataca."



Manhã

"Poesias e Devaneios", Nº 13


Manhã calma, macia, gelada.

Manhã ácida, estafante, insuportável.

É o simples passo de um dia novo, de uma nova fase, de um erro que trará consequência.

Uma fase,  de uma escolha errada, e do abandono daquilo que se descobriu por ser o amor, passivo e ingrato, impossível de conviver. 

Daqui que se convencionou chamar de amor, dramático e ingrato.

Manhã sem sol, manhã sem ar, manhã maldita, que virá todos os dias.

Todos os dias da minha vida.

"Não haverá, nem será, nem virá a servir..."

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A Análise sobre alguém, por enquanto, vale o que pensamos sobre nós

"Contos", Nº 2



Estive analisando ele. Era meu papel, e pude constatar muitas coisas.

Ele não estava bem. Era óbvio. Ele estava mal, e todos estavam percebendo.
Frequentemente chorava quando estava sozinho, ficava em casa quase todos os finais de semana, ficava lá, alimentando diversas teorias, ficava escrevendo, escrevendo, e  alimentando uma tonelada de textos estranhos e obscuros, os quais não divulgava pra ninguém.

Ficava tão focado em seus objetivos, e digo “objetivos” como algo obscuro, obviamente. Ele estava tão isolado socialmente que seus objetivos talvez soariam obscuros para pessoas comuns. Ele era perfeccionista involuntário. Mas sua perfeição era imperfeita, pois lhe causava sofrimento.

Ele estava tão aficionado em um objetivo em específico. Mas no fundo ninguém conhecia na verdade o que era os objetivos reais por atingir seus objetivos.
Eu já conversei com ele algumas vezes, e o que eu digo é que não dá pra definir exatamente o que ele pensava.

Pelo pouco que pude observar, ele já teve um grande amor. Um enorme clichê na vida de um homem, tudo bem, mas faz parte pelo entendimento do que ele é. Estamos preocupado a toa? Não, obviamente, sabemos que esse ódio extremo de algo que não sei definir vai produzir algo grandioso, pro bem ou pro mal.

Ódio extremo? O que seria essa motivação?  Sua motivação encontra-se, pelo que eu pude entender, em suas decepções. E isso é interessante, pois nada maior que sentimentos fortes para motivar mudanças e algo grandioso, como o ódio.

Me desculpe, mas eu acredito no ódio como forma de motivação, ele em tese está certa. Fui contratado para analisa-lo e muito provavelmente depreciá-lo, porém não posso negar que estão tão de acordo com sua ideologia que infelizmente posso ter sido contaminado por ela, ou não, mas ele me falava sempre algumas reais.

Mas na verdade, por conviver com ele, pude aprender algumas coisas, sendo elas:

-Não podemos ser suscetíveis à qualquer ideologia que nos limitem como seres humanos.
-Somos passionais por natureza, mas isso não nos limita a sermos sempre passionais em todas as atitudes, e eu acho que é muito pelo contrário

-Um homem precisa ser muito forte para chorar em público. Assim, será preciso um homem ainda mais forte para rir dele, mas ainda sim, ele deverá evitar ai máximo chorar, seja em público ou particular.

- Independente de vontades e ideologias, somos seres basicamente movidos por desejos estranhos e muitas vezes irreais. Somos suscetíveis.

-Ilusões nos destroem, a idealização de pessoas podem nos destruir de forma impressionante e que nem imaginamos.

-Seres humanos são imperfeitos por si só, tão imperfeitos que muitos de nós consideramos outros seres humanos no mesmo patamar dos nossos como seres superiores à nós, e isso é um erro fugaz.


Não pude mais ficar tanto tempo pra acompanhar suas idéias, pois ele mesmo preferiu que eu me retirasse, preferi respeitar, principalmente pela disciplina.

O auto-respeito é a raiz da disciplina; a noção de dignidade cresce com a habilidade de dizer não a si mesmo.



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Utópico

"Curtas", Nº 13


Esse é um cenário improvável, mas devo ressaltar o meu desconhecimento do cenário atual. Esse cenário é o mais utópico possível. 

Ela descobre efetivamente o autor de algumas cartas, algo que ela procurou durante um bom tempo, e ela realmente não sabia quem o mesmo, mas eu descubro uma forma sutil (não sei qual) de me aproximar dela. 

E de fato ela tenha se encantado pelas palavras primeiramente (improvável), ela procurou tentar saber desesperadamente durante um tempo de quem era de fato a carta que foi deixada na caixa de correios em um certo dia, a qual estava anônima, e quando ela descobrir que for eu, ela irá desacreditar durante alguns segundos, sentirá um calafrio na espinha por saber que aquela antiga presença, aquele cara estranho e diferente, era realmente a pessoa apaixonado por ela.

Inacreditável seria a minha reação  de saber a alegria que ela teve, a alegria será compartilhada entre nós dois e nada terá que ser dito ou argumentado, simplesmente iremos cair um do noutro em um beijo extremamente apaixonado e intenso, e finalmente sentirei o gosto do seu beijo, o cheiro de sua pele e de seu cabelo, e é esse cheiro que eu terei certeza que é o que irei sentir pro resto da minha vida...


"É grande a satisfação que sinto ao saber de sua presença, seu caminhar, e eventual olhar..."

Certo, Errado

"Curtas", Nº 12


Virtualidade, não é realmente necessário, mas se tudo que se sente é intenso, porém muitas vezes pouco intenso, tudo fica fora de foco, sempre que antigos caminhos são percorridos de forma estranha e sem aquela permissividade que se poderia permitir! Nada é feito da maneira correta! O amor perdido continua perdido, e vai continuar perdido!

Ficar fixo no olhar? De que adianta, o que ela quer que eu faça, o que ela pode querer de mim? Oque eu posso oferecer à ela? 

Está tudo errado? Está tudo certo?

"como a convivência humana é complicada, os relacionamento são complicados! As cartas são tão efêmeras, pedaços de papel inertes"

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Não importo, estou correndo

"Reflexões Pessoais", Nº 9


Não poderia dizer que sei exatamente o que eu estou fazendo, pois de fato não sei.

Não saberia explicar, por mais que muitos me cobrem direto, até quando posso levar uma situação ambígua como essa, pois não posso afirmar com toda certeza.

Muito menos saber com todas as certezas do mundo quais serão, ou seriam, as possíveis consequências de tudo isso.

Sim, a zona de conforto deve ser abandonada o mais rápido possível, devemos sim arriscar.

Mas do que importa se uma nuvem aparece acima de minha cabeça, um feixe de luz vem brilhando? Simplesmente eu corri de tudo isso, muito simples, não?

Mas na prática eu mesmo não quero muito pensar nisso. Não ligo em nada pra supostas consequências que nem mesmo estão no plano das ideias. Quero simplesmente parar de pensar um pouco nisso, simplesmente vou correndo.

"É risível? Cada segundo de escrita poderia ser! Mas não me arrependo! "

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Não tenho nenhuma fotografia sua

"Poesias e Devaneios", Nº 12


Não tenho nenhuma fotografia sua. Não, e não adianta ficar impressionada, eu não tenho nenhuma foto sua, e isso me faz bem.

Não faço questão de ter uma imagem pré-fabricada sua, prefiro exatamente a imagem que tenho na minha memória e no meu coração, prefiro saber que você é viva em cada canto e em cada pixel de minha memória, prefiro ter você em cada centímetro de sorriso, os quais não foram pra mim.

Prefiro nunca ter uma fotografia tua, e nunca vou ter, pois sua imagem nunca deixará de ser viva em minha memória!

Sigo te amando, e te querendo.

"A questão é que eu sigo te amando! Sem você saber obviamente! "

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Desejo, Ensejo

"Poesias e Devaneios", Nº 11


Talvez, transbordando no papel, eu transbordo meus sentimentos.
Talvez, transbordando esperança, eu abandono meus discernimentos.
Mas eu digo que posso, posso insuflar cada desejo.
Em cada segundo poder configurar com cada ensejo
Não posso disse exatamente como te quero tanto
Mas só posso dizer que o amor vem, não dependendo de desejo, entretanto...

Te amo, te quero. 

"eu daria tudo agora pra saber a sua reação sobre tudo isso"

Ausência

"Reflexões Pessoais", Nº 8


A falta de continuidade. Normal, ou não. Duas ou talvez três pessoas acabam por me cobrar a repentina falta de texto aqui. Mas não há nada pra se fazer no momento. A falta de continuidade está aliada à minha desmotivação. 

Sim, ando desmotivado. Dúvidas e anseios. Normal ou não, sempre tentei manter mais ou menos um ritmo constante de escritas.

É fato que só passo a realmente existir no papel, em cada palavra letra ou vírgula. Isso é a essência do que eu realmente sou, pois não demonstro exatamente meu eu, de forma que quem me conhece talvez não me conheça por si só.

Triste é o fato de falar e não poder ouvir a resposta. Triste o fato de parte do que sentimos ser colocado no papel, ser lido por outra pessoa, mas não poder receber a resposta, ao menos que essa situação seja temporária, está durando mais tempo que o necessário, com praticamente nenhuma perspectiva de mudança a curto prazo. Estou levando a situação como posso.

"não irei ficar no anonimato por muito tempo"

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Esmaecer

"Poesias e Devaneios", Nº 10



Interpretações são necessárias...
Sentidos figurados não fazem fatos...
Palavras vão correndo velozmente...
Muitas vezes são mal notadas...
Quiçá lidas, ou interiorizadas...
A arte do monologo publico não é efêmera...
Trago comigo a solitude, a sombra do ser...
Sou simplesmente algo que fujo...
Derramas de letras, palavras, verbos...
Não disfarçarão suas atitudes insensatas...
De que fizeram ou de que amaram...
Ou até ainda amam...
Como eu amo...
Ou és indiferente?
A noite, a lua, o fim...

O fim?



"...provavelmente em pensamento, provavelmente não da forma que
eu queria, não da forma que deveria ter sido..."

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Tarde demais...

"Curtas", Nº 11


Tarde demais a conheci, por fim; cedo demais, sem conhecê-la, amei-a profundamente...

W. Shakespeare



"Pois afinal, te quero e cada vez mais!"