segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Ucronia

"Contos", Nº 3


Eu caí de paraquedas aqui? Eu estou preso em mim mesmo, 14 anos mais jovem, presumo. Mas, estou confuso.

Olha... Tinha certeza que era apenas minha consciência, a essência de mim, que havia, de uma forma ainda não compreendida por mim, se transferido daquela forma. Uma pessoa adulta presa no corpo de um jovem pré-púbere.

Eu simplesmente me assumi em um mundo que já não era mais meu há muito tempo, tendo que repentinamente conviver com coisas que não tinha mais nenhuma paciência. Mas eu simplesmente tinha que aceitar.

A verdade é que não faziam nem 5 minutos, de certo. Muito confuso. A porcaria do colégio, porque exatamente a porcaria do colégio? Nem lembro direito se eu realmente gostava ou não, mas eu presumo, que nos conhecimentos atuais um colégio para um jovem de 14 anos deveria sim ser uma porcaria de fato.

Provavelmente não era horário letivo, talvez o intervalo... Talvez, talvez, mas na prática, exatamente...

Eu estou muito, muito confuso. Eu, eu... eu nem sei como eu vim parar aqui? É como se eu tivesse vivido uma vida de 28 anos, com tudo que tem direito a vida nada simples de um adulto comum, e estou aqui no corpo de mim mesmo, 14 anos de idade? Será mesmo que eu “vim parar aqui” ou na verdade eu REALMENTE tenho 14 anos e estou sofrendo de algum raro distúrbio que me condiciona uma mentalidade de um homem de 28 anos, sem contudo aferir lembranças reais?

Mas que grande porcaria hein? Melhor me sentar aqui no banco...

Pensar, pensar, pensar... se eu tenho, ou tinha, ou terei, foda-se... 28 anos, qual minha profissão? Quais minhas ideologias, meus sonhos? Quais meus ódios? Onde eu moro, que carro eu tenho? Eu sou pai? Minha esposa é bonita... minha esposa!!!... nossa de repente parece que algo me tocou, sentindo uma pontada, de repente me vem um pouquinho de lembrança... cheiros, um cheiro bom de cabelo feminino... eu com 14 anos não devo conhecer o cheiro de cabelo feminino, né? Então, na pratica, se as lembranças não forem fruto desse possível surto, essas lembranças não pertencem a hoje, agora, exatamente, no ano de... que ano é mesmo?

Melhor ir ali correndo na diretoria da escola tentar achar um calendário, eu lembro onde fica? LEMBRO! Deu um estalo aqui agora na minha mente, eu sei onde estou! De repente me vem uma lembrança, mas não vívida, simplesmente uma lembrança longínqua de quando eu estudava no Colégio Objetivo São Marcos, uma lembrança de mais de década, eu tenho um mapa mental perfeito dessa escola, e eu estou fisicamente nele nesse exato momento! As coisas são bizarras! Muito!

De repente minha mente começou a ficar um pouco menos nublada, porque fui caminhando pra diretoria pra tentar ver um calendário, me situar, não queria de jeito nenhum conversar com ninguém, e de fato ninguém ainda tinha vindo falar comigo (eu meio que lembro que não era lá muito popular, de fato, então meus temores vão se concretizando), mas simplesmente estava tudo errado naquele ambiente, não vi UM smartphone, ninguém com a cabeça enfiada nos malditos smartphones como eu sei que são os jovens (e até adultos), onde estão os smartphones? Realmente, tá tudo errado!

Melhor ir rápido pra secretaria! Rápido, muito rápido... O chão, o chão, o chão tá vindo ao meu encontro, rápido demais, MERDA!

Que puta tropeço! Sorte que não tem ninguém por perto, acho que estou no saguão principal, mas espera aí... alguém, um rosto amigo. Porra,é o Lucas! Como ele tá novo, parece criança! Ai! Que dor no cotovelo!

_Mas que tombo, hein? ‘Cê tá bem, cara?
_Ah sim, obrigado, me ajuda aqui a levantar.
_’Cê tá esquisito, muito esquisito, qual o teu problema, viado?
_Ham?... Ah nada não, nada.

Bati o olho do lado, um calendário, e ele parecia um objeto de uso diário e não um item de antiquário ou museu, mas não conseguia entrar na minha mente nem a pau, o desenho era uma ilustração de praia, em letras garrafais, dava pra ler perfeitamente: SETEMBRO, 2001, acho que dia 29... Puta que pariu!

Mas acho que o Lucas tá olhando pra algo que caiu do meu bolso, acho que é isso, ele foi ali pegar...

_Acho que esse trem é teu, parece um papel dobrado...
ERA UMA FOTOGRAFIA!

Um objeto que simplesmente não deveria estar aqui, agora comigo... Mas porque estava? Não fiquei pensando muito como estava, mas quando peguei da mão do Lucas e desdobrei a foto, pude ver, era ELA.

A foto! eu a memorizei, cada linha, cada centímetro do teu rosto, do teu sorriso, a expressão dela, tudo. Quase posso ouvir a voz dela. Está tudo na minha mente, guardado onde ninguém pode tirar ou destruir...

Fiquei um bom tempo, acho que talvez 30 segundos, ou foram 5 minutos? Olhando? Simplesmente não pude conter comecei a chorar quieto, essa foto havia sido destruída, e por que simplesmente surge nessa circunstância, ela não deveria estar aqui! É totalmente anacrônico...

_Cara, o que foi? Quem é essa mulher? O que você tem?
_Olha... nada

Cada linha, cada centímetro, exatamente como ficou gravado à fogo na minha mente, uma linda menina, nos seus 19 ou 20 anos, olhos cor de mel penetrantes, cabelos escuros, um sorriso cativante... uma data, anacrônica, 04/02/2014, a data que a foto foi tomada, mas essa data na ocasião de agora seria considerada uma montagem grosseira, como o Lucas já observou.

_Essa data está errada, apesar de quem é uma mulher muito linda. Quem é? É tua mãe quando era jovem?
_Não, essa foto na verdade eu havia perdido, ou pelo menos achei que tinha sido perdida pra sempre, é a lembrança que tenho de alguém, o único alguém de fato.
_Não entendi nada, por que você está falando desse jeito? Está louco?

Com certeza era difícil mesmo pra um jovem mancebo de 14 anos compreender uma fala com certa carga de analogia, mas não me importei.

_Lucas, entenda, você é meu melhor amigo, você é e será durante os próximos quatorze anos, pelo menos, entenda que eu perdi essa foto, agora eu encontrei, só isso já valeu a pena, e outra coisa, essa menina linda, ela nasceu em 27 de setembro de 1996, então ela existe, ela é REAL, está aqui. Achei que esse mundo era irreal, coisa de algum distúrbio da minha mente, mas não, ela é real, felizmente tudo pode ser diferente.
_Cacete, você fumou orégano? Tá doidão? Só não entendi uma coisa, ‘cê tá me dizendo que essa mulher aí tem cinco anos de idade, de acordo com a data de nascimento dela aí na tua cabecinha, não é mesmo?
_Sim, essa foto é uma Ucronia!
_Uma o que? Ah, vai se foder, vamos embora pra sala logo, vai tocar o sinal!
_Vamos, vamos, sim.

Vamos indo pra sala, vamos e eu não ligo, eu não a perdi. Nunca vou a perder, eu sei tudo que vai acontecer, e tudo pode ser diferente a partir de HOJE.

"Quase posso ouvir a voz dela. Está tudo na minha mente, guardado onde ninguém pode tirar ou destruir..."



domingo, 20 de setembro de 2015

Acerca da Nostalgia

"Reflexões Pessoais", Nº 19


Nostalgia é algo normal?

Assumo dizer que sim, ou até talvez, pois tendemos a olhar para o passado como um mar de rosas. Ficamos imaginando como seria se tivéssemos feito isso ou aquilo, lembramos de oportunidades.

É comum ver adultos falando “...ah como era bom quando eu era criança'', ''como eu queria voltar a ser criança''.

Ele esquece das limitações da criança e só lembra das partes boas ( brincar, correr , etc) e se esquece por exemplo que quando era criança não podia dirigir, não podia ir pra onde queria, tinha limitações sobre com quem falar, tinha uma vida controlada pelos pais até porque a criança não sabe o que é melhor pra si.

Quanto mais aprendemos e mais conhecemos o mundo, mais observamos as suas falhas, seus defeitos, sua realidade. Mais precisamos ficar atentos aos que nos cercam pra que não nos passem a perna. Mais subimos, e quanto mais subiu mais gente tem pra puxar o tapete. 

É saudade do sossego e da despreocupação que tínhamos quando da infância e adolescência. 

É isso que todo o cara quer, viver despreocupadamente e de modo sossegado. Porém, quanto mais a realidade se abre, mais amarga se torna e mais preocupados ficamos. O que fazer? Se armar, pra tornarmo-nos as melhores versões de nós mesmos, por isso o desenvolvimento pessoal, o aprimoramento contínuo e eterno enquanto durarem nossas vidas. 

A saudade da inocência e da burrice nos é boas lembranças, mas esquecemos de que por trás de cada ato besta e inconsequente que tomávamos quando crianças ou adolescentes, em quase todas as vezes haviam adultos ou outras pessoas para nos prevenirem das consequências e quando isso não era possível, minimizá-las.

Agora, como adultos, não podemos mais nos entregar a isso. É simplesmente isso, da juventude para frente a vida da pessoa é só dele, só depende dele e tanto o sucesso quanto os fracassos deverão ser agora administrados por um homem, e não uma criança descuidada ou um adolescente impulsivo. 

Essa saudade é um modo de comparação... Aquela comparação do antes e do hoje, onde tu se perguntas: "Como as coisas mudaram tanto? E por que eu mudei tanto? Há como voltar ao menos um pouco para isso?” 

E a resposta, queira ou não é um grande NÃO. Esse é o fardo da vida, do tornar-se homem. Não devemos fugir disso, mas olhar atentamente para isso e compreender nosso eu atual e do que necessitamos para enfrentar os obstáculos que temos e alcançar o que queremos, sem muitos descuidos, sem impulsividade e deixando de lado o que é ruim na inocência infantil para não nos prejudicarmos e tropeçarmos em nossos próprios pés.
Você acha que admira o passado e olha o mundo de cima, está errado. 

Você ainda está escalando a montanha da vida, há muito o que subir, mas ao invés de andar está parado admirando o que deixou para trás, quando a verdadeira maravilha é chegar ao topo e admirar tudo lá de cima.

Por isso não se prenda ao passado, foque no teu objetivo do presente. O que sobrará são pegadas que serão cobertas por neve e das quais somente você lembrará, pois só você as caminhou e viveu. Os outros podem lembrar das pegadas, mas não serão vivas como na tua lembrança.

É um paradoxo : Uma criança morrendo de vontade de crescer pra fazer coisas de adulto e um adulto querendo voltar a  ser criança porque era uma época sem responsabilidades. Como dizem , a grama do vizinho é sempre mais verde.





O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Destilando veneno ideológico

"Poesias e Devaneios", Nº 25


Idiotas úteis. Imbecis fanáticos, amam de paixão figuras usurpadas de semideuses profanos. A todo pulmão entoam malditos cânticos verborrágicos, carregados de discursos, cuja composição é puro ranço dialético.

Não sentem a vida pulsar na frente dos seus olhos, não há razão para o seu viver, seus olhos estão vazios, suas vidas desperdiçadas das formas mais vazias possíveis.

Suas bandeiras são tão cinzas quanto seus versos, tortos e mentirosos.

Seus manifestos, compêndios, manais, guias, diários, panfletos: um belo banquete pra traças.

Sua moral é imoral, seus valores são desvalorizados, não há objetivo senão destruir tudo que foi edificado, erigido por anos, décadas, séculos de trabalho árduo e duro.

Sua desonestidade tamanha, assustará o pior dos vigaristas inclusive.

Idiotas úteis, malditos seres parasitas morais, vocês são o fruto da decadência moral e espiritual de uma sociedade relativística.

Lutarei até o fim das minhas forças pra combater a existência de cada uma das suas ideias. Lutarei e estou lutando.


Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário.



sábado, 29 de agosto de 2015

Casualmente

"Poesias e Devaneios", Nº 24


Inevitável seria é se eu nunca mais te encontrasse, inevitável seria é se você se desintegrasse desse mundo, e dos meus pensamentos. Arrisco a dizer que o primeiro é mais fácil que o segundo.

O que dizer “oi” que quer dizer nada, ou não digo é nada, mas um “oi” esquisito sai... 
Digo “oi’ que quer dizer mais que qualquer poema de amor complexo, mas olha só...
Quando dizia que te amava, você dizia que me odiava, e quando eu perguntava porque você me odiava, a justificativa era porque você me amava.

Qual amor sobrevive à chamas imbecis de paixões imbecis? Eram paixões imbecis? Eram fortes ou efêmeras?

Já te disse que isso iria acontecer, e duvido, duvido muito que você não se abalou, não se comoveu com o simples “oi”, e realmente duvido...

Olha, você pode achar que tudo é bobagem, eu não iria argumentar contra isso, mas só colocar a mão na consciência. 

Vamos achar os erros de ambos?  Não tenho a menor motivação pra isso...

Você segue olhando pra si e eu faço o mesmo, vamos existindo, fisicamente, e também dento um do outro.


"Quer que eu seja sua unica paixão? Acha isso possível?"

sábado, 15 de agosto de 2015

Acerca das Armas

"Reflexões Pessoais", Nº 18


Não digo que as guerras seriam totalmente inevitáveis. Infelizmente isso não é possível, nem que seriam desejáveis, muito menos isso.

Não irei brandir uma espada com prazer, não irei sangrar a carne com deleite. 
Não importa o que será dito a respeito. Sou pacífico, nunca serei pacifista. Jamais. 

Minha espada, atemporal, minha arma, a lâmina, ela pode variar na forma e no funcionamento. Se hoje carrego uma pistola semiautomática, eu carregaria há uns 600 anos atrás talvez uma boa e aguda lâmina.

lâmina, pesada o suficiente pra cortar o pescoço de quem queria fazer o mesmo comigo.

Não é seu pacifismo que me irrita. Você não almeja paz, você almeja, sobretudo, poder. Poder hipócrita.

Não estou aqui pra instaurar o paraíso, mas pra impedir que o inferno se instale de vez, pois ele está na iminência.

Seus argumentos não encontram respaldo na realidade, simplesmente isso. 
Não amo a capacidade que as armas tem de potencial ofensivo. As admiro por sua precisão e engenhosidade. Precisão desde de uma lâmina pesada como uma clava e tão afiada como um bisturi cirúrgico. Engenhosidade de uma arma de fogo automática moderna. Elas são ferramentas, extensão das nossas intenções.

Não amo as armas por que elas matam, eu amo o que minhas armas defendem.

"Todos os profetas armados venceram, e os desarmados foram destruídos."


                                          


sábado, 18 de julho de 2015

Livramento

"Poesias e Devaneios", Nº 23


Por breve momento, não soube o que fui
Por algumas horas nem sei aonde iria
Livramento! Há tempos não sentia mais
Achei minha verdade. Impossível retornar agora

Tal verdade simples, crua
Desnuda, cruel
Se mostra sincera e agressiva
Me rasga de dentro pra fora

Em um instante algo mudou a minha vida
Recordo tal segundo, esperança desmedida
Vi estranhas nuances, outras cores, formas
Superei meus piores horrores

Aonde o meu senso ainda vai me levar?
Não sei, tenho que estar pronto
Ter força, honra e sentir a vida
Sempre, sem chegada nem partida 

Abro os olhos, não sinto mais ódio
No fim foram-se todos os meus medos
Nobre doutrina. Esse lugar
Isso é serenidade

"Para que a insistência? Se não sabe nem o que é, muito menos de onde veio, e no fim o que se tornou..."

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Não negues a devassidão

"Poesias e Devaneios", Nº 22


Escreverei para que lembremos dela que está lá no canto
Que foi e continua, desprezada por quem mal lhe considera
Diz que sofre dia após dia, faz-nos crer que é real teu karma
Mas mal ligou para palavras sem jeito porém sinceras

Não se entrega sem um jogo devasso
Tem certeza que é única, uma rainha diva, estrela Dalva
Aberta às casualidades da carne e do deleite
Ingênua, porém, e ainda tem muito o que aprender na vida

Quer que enxergamos lá no fundo de seus olhos
O brilho da sua alma
Se é que existe
Atitudes impensadas, até vis
Perdeu-se o brilho da inocência
E há muito tempo não se olha mais no espelho
Com a singeleza de uma menina
Seu caminho foi sem volta
Você é o que é

E não sinto pena de ti.



"...busquemos a felicidade dentro da alma e não fora..."





terça-feira, 16 de junho de 2015

Rotina

"Curtas", Nº 21


Aurora se render, tarde tombar
Sol se vai, breve aceitar
Absurdo da vida. Noite a chegar
No escuro: dúvidas, suor, chama
Para a alvorada o apagar
E sob a luz primeira do dilúculo
Às cinzas do sistema retornar...
Não cessa, mas cessará um dia.



É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Insônia

"Curtas", Nº 20


Ele dorme, e inclusive sonha.
Querendo nunca acreditar como chegou a esse ponto
Sem ter como retornar mais, não tem jeito, já era.

E pelos caminhos e lugares que buscou, nenhum o fez decifrar.
E o enigma da existência ele nunca desistiu de procurar.

O mundo antes grande, ficou muito pequeno, e o espírito da verdade, esse tão difícil encontrar.
Resta apenas o desejo, o de atingir outro lugar.
Tudo se repete, nada mais aconteceu

Vem angústia e ele acorda. Se pergunta o que fez
Descobriu o absoluto? O mundo se tornou absurdo e improvável
No fim é simples

Tudo se repete, nada mais acontece
.


"A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece, Mas mesmo acordada a Humanidade esquece. Exatamente. Mas não durmo."


sábado, 6 de junho de 2015

Penumbra dos Homens

"Poesias e Devaneios", Nº 21


Não importa o que você é, mas o que irá se tornar
Não importa onde estás, mas onde tentará chegar
Nem importa o que tens, mas o que poderá mostrar
Liberta do que te pesas, talvez assim conseguirá

Dos teus feitos mais sublimes?
Inúteis, não vão te transformar
Se apoiar no inexplicável?
É Tédio. Nada vai se revelar!

Das tentativas humanas e tansas
Ínfimos os caminhos a trilhar
Verdade obscura, inalcançável
No fim prevalecerá 

Supremacia da razão, busca exata da realidade
Breve sensação de triunfo, perfeita mediocridade 
Absurdo sobrenatural, diante de falha mortalidade
Superar breve existência, conquistar a eternidade

Perca sua essência, e você morrerá dentro de si.



"Antes de mais nada lembremos que morreremos e seremos esquecidos.
Portanto, busquemos a felicidade dentro da alma e não fora.
Entreguemo-nos ao nosso Espírito. Somente ele estará conosco após a morte."






quarta-feira, 13 de maio de 2015

Progressão

"Poesias e Devaneios", Nº 20


Não importa o que seja dito, eu quero tanto ela, amo tanto aquela menina, sinto algo tão forte por ela! Muitas vezes nem penso em mim de fato! Você virou de fato minha vida, e a vida vira de ponta cabeça, os planos mudam, e tudo molda na tua imagem, aquela que me molda e me desfaz, sua essência é minha necessidade. Seu olhar me seduziu, me hipnotizou. Não tenho nenhuma dúvida que você me satisfaz, e vai ser minha luz, meu porto seguro, em todos os sentidos que eu tente sentir e pensar! Te amo!

...

O que sinto por você não muda! Incrível, porque tudo conspira contra o que sinto, mas nada vai mudar a vontade de ficar contigo! Todas as opiniões contra mim, simplesmente desconsidero, porque você se tornou minha amada. Todo amor é um desafio. Tudo é (em si) desafio. Você é tudo pelo qual eu pretendo lutar, és o desafio final da minha vida e não ligo pras adversidades. Sigo sempre te amando.

...

Entendo que isso não faça sentido, que eu sinta algo que não tenha motivação, mas isso só na mente dos mais pessimistas, normal, isso já estamos acostumados a lidar, pessoas amarguradas e que estão frustradas com a empolgação alheia. Mas não quero nem descrever isso nem outras coisas que eu costumo escutar. Sei que você não deu nenhum sinal, isso eu compreendo, porque é comum você estranhar o fato de eu não me identificar, ou talvez você estar em uma uma situação que não possa me responder corretamente, mas nem seria possível, ora, porque não me identifiquei até agora, porque talvez nunca foi objetivo disso. Mas continuo te amando.

...

Tenho sido ausente nas respostas porque eu penso que não é necessária a minha escrita. Mas talvez seja só impressão. Te vejo por aí, andando, nas ruas, e toda vez que te vejo arrepio totalmente, já estive tão perto de você, sempre soube que, desde a primeira vez que te vi senti algo diferente. Não necessariamente aquele famoso clichê de “amor à primeira vista”, não digo isso, mas algo no mínimo diferente. Tento controlar. Sei que eu devo tentar, não devo desistir nunca de você, afinal, você é “meu amor secreto”,  e nada pode mudar isso. Mas só sinto um pouco de fraqueza.


...

É sim, talvez não haja resposta, nem tem como cobrar de você. Mas meses de tentativas vãs de correspondências, isso acaba com um estoque enorme de paciência. Minha capacidade de romantismo, que já é pequena, está mais escassa ainda ultimamente! Infelizmente você nunca ajudou, pelo fato enfim de demonstrar sua total ausência, em contrapartida com a presença de outras pessoas, é você tanto aquela pessoa que que há anos era meu rumo, mas sua ausência tem me demonstrado sua real resposta. Pode ser clichê, mas eu ainda posso dizer que continuo te querendo. Não vou sofrer por isso, mas não controlo o que sinto.

...

Sinto de certa forma uma falta de gostar tanto, mas talvez eu ainda goste muito dela, aquela pessoa, linda garota, que tem um sorriso breve e único, mas era ela, ainda sim não vou lamentar tanto, pois de certa forma sei que tudo aquilo foi em vão, mas lógico, nunca jogamos todo sentimento fora.

...

Temos que ter pé no chão sempre, não é alguém que mal sabe de minha existência que vai ditar o ritmo da minha vida não é mesmo? Realmente, temos que ter o pé no chão.


...

Amores efêmeros, sorrisos efêmeros, brincadeiras efêmeras? Já escrevi tantos textos, mas acho que aprendi a ter pé no chão. Não consigo me entregar assim dessa forma.

...

Esteja além do bem e do mal. Extraia o bem que há no mal e tome para si. Retire o mal que há no bem e jogue-o fora. Conduz-se facilmente a crença alheia quando se tenta direcioná-las no rumo de suas tendências naturais: seus desejos e medos. As pessoas acreditam facilmente no que temem e no que desejam.

...

O Papel aceita tudo. A vida não.




"Mas claro que não vou simplesmente destruir essa vontade que tenho de ficar junto de você, não necessariamente. 
São de pequenos devaneios assim que tocamos a vida, não é mesmo?"






segunda-feira, 11 de maio de 2015

Escrevi num caderno velho enquanto pensava

"Curtas", Nº 19


A questão não é "o que os outros vão pensar", e sim "o que EU vou pensar que os outros vão pensar".

Eu me julgo. Eu é que penso o que os outros vão pensar sobre mim.

O meu ego é quem julga.

Eu não sou meu ego, nem sou minha personalidade.

A voz que fala na minha cabeça é uma ferramenta, ela não é eu.

Os limites são ensinados na nossa criação, mas eles não existem.


Todo mundo é algo infinito, a Consciência.



O divertido é caminhar colocando aquele que nós achamos que somos, 
com aquele que a gente é, com aquele que deseja ser sempre em conflito junto com todas as outras possibilidades

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Algo sobre correspondência, ou "Como Vou Achar Você"?

"Reflexões Pessoais", Nº 17


Escrita é pouco, mas a forma de comunicação nossa inexiste, e olha não duvido de você ser inundada delas, as formas mas diversas de comunicação, onde estão presentes...
Mas normal, mesmo que eu tenha que mudar, talvez eu mude móveis e lembranças do lugar, isso pouco faz sentido, porque não é algo já desgastado...

Não adianta eu querer medir amor... gosto tanto de você, até preciso deixar escondido.
Mas tem uma simetria latente, nossos nomes  mesmos são praticamente idênticos... mais um ponto pra nossa simetria...

Eu acho tão lindo isso, isso de ser estranho, e eu sinto que a beleza é mesmo tão transiente, é uma idealização que existe na mente... talvez seja isso...

Talvez amanhã eu perceba que a quimera seja inatingível, talvez eu prefira esconder no que eu possa sentir, mesmo porque isso não tem menor intenção de acontecer.

Mas a simetria deriva de nossos nomes. Eles são simétricos, seriam virtualmente idênticos, e vejo você com mesmo título que eu, versão feminina, se ostentar de uma forma que não achei que seria provável,  nome  e sobrenome juntos iguais quase mas a junção de meros nomes não significam nada praticamente...

Mas é meio inútil escrever, pois você não vai ler, mas isso deixa pra la, pois vamos esquecer disso tudo.



"Acredite em mim! Eu realmente te quero, realmente sigo te amando!"


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Somos Muitos

"Reflexões Pessoais", Nº 16


Você poderá cair, pode se machucar, pode se sentir sozinho, e até pensar em desistir. Vai estar à um passo de jogar a toalha. Mas não vai, sabe porque? Porque quando cair, nós iremos te levantar. Gostaria também de salientar que não sou nem nunca fui um bobo ou utópico apaixonado por causas inúteis... Não sou nem nunca fui um idealista. Porém não deixo de crer em MIM, em VOCÊ, em NÓS, sempre!

Quando ferido for, nós vamos te socorrer. E quanto estiver só, olhará para o lado e verá que estamos todos contigo!

É preciso suportar a dor, sentir o amargo gosto do sangue, para enfim poder visar a vitória. Mas não se preocupe, não fará isso sozinho, estou com você!

Não abandonamos nossos próximos, nossos irmãos, não negamos socorro, nem faltamos com solidariedade. Estamos unidos na mesma causa, mudar o rumo da história, mas não podemos fazer isso sozinho, precisamos de você, eu preciso de você! Precisa entender a sua importância nisso tudo!

Nunca se sentirá só, nunca irá ficar para trás, porque eu vou te carregar onde eu for, que sejam os perigos ou ameaças, eu vou estar na sua frente, diante do perigo. Sua vida vale mais do que a minha, então porque eu o deixarei para trás? Eu não posso garantir que sairá inteiro, mas posso garantir que você volte!

Estamos juntos, numa causa única, num sentimento único!


Só saiba o nosso nome. Na verdade não há, mas nós chamamos Legião, pois somos muitos.


"Se eu progredir, segue-me, se eu morrer, vinga-me, se eu recuar, mata-me"


sábado, 18 de abril de 2015

Há tempos não te vejo

"Curtas", Nº 18


Provavelmente devo de dizer que faz muito tempo que não te vejo pela rua. 

Talvez me falte sorte mesmo.  Já devo ter te falando o quão forte é a sensação quando vejo você, realmente um calafrio percorre todo meu corpo e fico meio que sem ação. 

Não existe ainda a palavra “saudade” para tudo isso, porque obviamente não há a falta da presença de ambos pra sentir ta sentimento...mas de certa forma é o que eu poderia definir, sinto saudade de ter ver por acaso andando pela rua! Muita saudade!

Não irei repetir que te amo mais, mas digo: Eu te amo!




Não era você

"Curtas", Nº 17


Olhei, era você, mas não exatamente você.

Era você só em minha mente, porque era só alguém muito parecida com você, alguém quem pelos trejeitos e traços, pode lembrar vagamente tua figura.

Mas lógico, nunca, jamais seria parecida contigo, ilusão minha.

A ilusão é contínua, porque o simples fato da tua visão é ilusão, porque você mesma nunca existiu.

"Porque será que o meu mundo fica tão confuso se estou perto de você?"




quarta-feira, 8 de abril de 2015

Uma conversa entre amigos

"Diálogos Efêmeros", Nº 2


_Mas de qualquer forma olha, esqueci de dizer, e meus mais sinceros sentimentos pela sua avó, meu amigo.

_Olha tudo bem, obrigado! De certa forma ainda estou mal, ela era muito querida por mim e por todos, quiçá até mais que minha mãe, se posso dizer dessa forma, e talvez eu esteja sendo profano.

_De maneira nenhuma, cada um sabe o que sente por outas pessoas, como nossos entes queridos.

_Sim verdade.

_Mas e você rapa, o que me conta? Há um bom tempo não conversamos!

_Bom, não te conto nada de novo pra falar a verdade.

_Nada mesmo?

_Quer sabe? Tem algo sim, mas você realmente quer saber?

_Bom, geralmente você acaba falando alguma coisa. Principalmente sobre seus devaneios. E eu acabo ouvindo, não é mesmo?

_É, você tem razão. Tenho algo a dizer.

_Bom! Fala então, ora!

_Bom, de novo eu sonhei com ela...

_Interessante! Conte-me mais então!

_Bom, você está cansado de saber, sabe sempre como são esses sonhos utópicos, e sabe como são bobos? Mas isso não é necessário pra você saber. Isso é mais um sonho utópico, afinal, é apenas uma bobeira minha, mas você sabe que sempre foi. Sabe aquele sonho bobo, você sabe, sempre classificou como bobo, porque aquele esquema estranho, tudo está escrito. Eu escrevo num poema estranho, um anjo estranho e selvagem, anjo do céu, que trouxe pra mim, a mais bonita, que o céu trouxe pra mim. Isso não é algo bobo e sem sentido, aquela menina boba que nunca existiu, mas de certo, sabe aquela menina que nunca existiu nas cartas bobas que não foram respondidas? A menina... não vou citar o nome dela aqui..., que todos esses nomes não serviram? Ela sim, aquela menina que falei pra ela e pra mãe dela, o nome dela pouco importa, mas sim, porque eu sonhei com ela, ela e e a mãe dela, e simples, tanto ela como ela bastante empolgadas comigo, ela muito apaixonada e empolgada, e fico muito interessado no momento que ela e a mãe dela está bastante interessada no meu discurso sobre meu valores particulares, mas no momento certo eu falo que era eu quem escrevi aquilo tudo... mas tudo aquilo era um sonho imbecil, e aí? Tudo acaba, desaba, e fica como uma água, um líquido, manteiga, algo imbecil, e não, náo é interessante eu tentar relatar muita coisa.
Na verdade é melhor deixar quieto.

_Sim, mas esse foi seu erro, ficar sempre no anônimo, ficar só nos relatos, e ninguém vai saber o que você sente, e ficar aí, de bobeira.


_Desculpa, mas é melhor ela nunca saber, NUNCA.


"meu amigo, só escute o que eu te digo..."

quinta-feira, 26 de março de 2015

Soneto nº 12

"Poesias e Devaneios", Nº 19


Quando conto as horas que passam no relógio,
E a noite medonha vem naufragar o dia;
Quando vejo a violeta esmaecida,
E minguar seu viço pelo tempo embranquecida;
Quando vejo a alta copa de folhagens despida,
Que protegiam o rebanho do calor com sua sombra,
E a relva do verão atada em feixes
Ser carregada em fardos em viagem;
Então, questiono tua beleza,
Que deve fenecer com o vagar dos anos,
Como a doçura e a beleza se abandonam,
E morrem tão rápido enquanto outras crescem;
Nada detém a foice do Tempo,
A não ser os filhos, para perpetuá-lo após tua partida...


William Shakespeare



"O tempo, ora amigo, ora inimigo. Ele sim é incessável."

terça-feira, 10 de março de 2015

Um Soneto

"Poesias e Devaneios", Nº 18


Salve o amor que a vida despedaça!
Embevecido, torpe e desgraçado
Amor febril, dor que nunca passa
Torturante sonho já sepultado

Salve a vida de eternos desenganos!
O ser parte de tudo, sem ser parte...
O ser estranho entre outros humanos
O viver na Terra ansiando a Marte!

E a solidão no cosmos que desejas
Já não é dura prisão, é liberdade
É o fugir das dores e das pelejas

A que a humana existência nos condena
Que ninguém ouse chama-me covarde!
Por buscar a existência mais plena





"Não sucumbirei, não irei me refugiar em nenhuma ilusão"


terça-feira, 3 de março de 2015

Desejo ter você

"Poesias e Devaneios", Nº 17



Pensar que um simples amor, que vira paixão
Não vai te ferir....
Pensar que já conhece tudo
Sabe tudo sobe as regras do amor, da paixão repentina
É tudo tão estranho....
É fácil se perder
E a gente nem percebe estar envolvido
É a vitória do amor e da paixão
E o desejo de te ter no coração, totalmente!
Não vai passar nunca isso, você está em mim!




"O quão forte é a sensação quando vejo você, realmente um calafrio percorre todo meu corpo 
e fico meio que sem ação..."