domingo, 29 de janeiro de 2023

Hino do Mar

"Poesias e Devaneios", Nº 86

Nada
Nada é como deveria
Nada foi como deveria
Nada foi como você pensava

Você lutou tanto
E no final
Viu que tudo era
Inútil

Isso tudo foi
Isso tudo passou
Isso tudo cedeu
Isso tudo morreu

Eu queria ser
Eu queria lembrar
Eu queria amar
Eu queria

Você lutou tanto
E no final
O Amor afundou
Inútil

Nada
Nada é como deveria
Nada foi como deveria
Nada foi como você pensava





“A primeira viagem do Titanic deve render manchetes.”

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Apesar de tudo... Haverá!

"Poesias e Devaneios", Nº 85

Mesmo com as sombras que o acompanham
E os males que insistem em lhe recair
Você se reconstruirá e seguirá firme
Com otimismo e esperança a sorrir!

A cada dia será uma nova chance
De caminhar com passos firmes e seguros
Com o coração cheio de alegria e paz
E uma alma flamejante de futuros

Você encontrará o seu lugar
Ouvirá sua verdade interior
Sentirá a beleza dos sabores da vida
E verá as nuances em cada cor

Antes sem rumo, agora nos trilhos
Antes sombrio, agora brilhante e forte
Você nunca esquecerá do passado
Mas também não esmorecerá na sorte

A sombra pode te acompanhar
E a moléstia pode persistir
Mas com força e coragem no peito
Nada poderá fazer você desistir

Então siga em frente, sem desanimar
Acredite no que o futuro pode ser
Porque apesar de tudo, haverá
Sempre uma luz brilhando para você.

Mesmo com as sombras que o acompanham
E os males que insistem em lhe recair
Você se reconstruirá e seguirá firme
Com otimismo e esperança a sorri!





Há muito mais do que se vê à primeira vista,
E você tem a capacidade de ir além de si mesmo e fazer a diferença.






quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Carta: "Só que você mudou e me mudou!"

"Cartas Perdidas", Nº 35

Divinópolis/MG, 06 de Janeiro de 1993

De repente e sem muito preparo, te amo! E percebo em um momento que não deveria perceber, onde nada nos é favorável! Mas acredito que tudo isso é temporário, como tudo na vida!

Mas de fato “te amar” é algo que eu tive que refletir bastante, pois não é algo do meu feitio isso. Pois eu também faço parte do time dos “duros”.

Só que você mudou e me mudou!

Te amo no sentido de querer estar com você todo o tempo, e querer constituir um futuro do seu lado, e é um sentimento nobre e raro, pois não senti isso nessa década nem na passada... não sou um “lobo solitário” como sempre disseram alguns amigos próximos, mas depois que te conheci muita coisa mudou e horizontes se ampliaram, e alguns conceitos mudaram de fato... Te vi como um semelhante, com os mesmos objetivos, e vivendo sob os mesmos princípios norteantes de vida... além do que senti vontade imensa de constituir uma vida e uma família com você!

Ainda que eu contenha muitos defeitos e não saiba ao certo a amplitude dessa expressão, eu posso dizer sem traços de dúvidas...

Te amo, em demasia!




"O gosto do seu beijo ainda em minha boca eu sinto...
Forte demais para se esquecer..."



quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Mais Tarde

"Curtas", Nº 46

Mais tarde! Mais tarde!
Falo contigo mais tarde.
Ligo-te mais tarde.
Vejo-te mais tarde.
Vamos passear mais tarde.
Eu digo-te como me sinto mais tarde.
Mais tarde, saberás o quanto significas para mim.

Mais tarde, talvez nos amemos e talvez nos esqueçamos.
Guardamos tudo para depois e esquecemos que o "mais tarde" não é nosso!
Que as pessoas ′′depois′′ podem não estar mais conosco.
Que ′′mais tarde′′ podemos não ouvi-las mais, não vamos vê-las.
Que as crianças ′′depois′′ não são mais crianças, e que os pais são apenas uma memória.

Naquele ′′mais tarde′′ o dia transforma-se em noite, a noite em impotência, o sorriso em dor e a vida em memória.

′′ DEPOIS, SERÁ TARDE DEMAIS! ′′

Sê agora!

Por J. Brien



Adeus! És muito cara para que eu te tenha,
E bem conheces o teu próprio valor:
O privilégio de teu peso te liberta;
Minha devoção a ti é toda determinada.



terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Pandora

"Poesias e Devaneios", Nº 84

Não posso negar
Que ainda sinto medo
Que ainda tenho dúvidas…
Se um dia isso passa! 

Eu não posso negar
Que ainda me sinto assim
um tanto incompleto,
um tanto triste,
um tanto insatisfeito… 
um tanto nostálgico

Esperando o que não veio
Temendo o imponderável

Mas ainda assim
Há algo em mim
...que ainda resiste
Bem lá no fundo
Ao cansaço e a desistência 

Poderia chamar de "fé"
Mas à cabeça me vem 
Termo mais adequado:
é esperança. 

Ainda que por mim
A boca que beija 
É a mesma que esbraveja

Ainda que por nós
Nos amamos
Depois nos destruímos

Nos passos tortuosos
Assim nos amaremos
Pra depois nos destruirmos

Quando a ressaca passar
E nossa mente esfriar
Veremos do que restou
Veremos 
O que de nós sobrou

Não posso negar
Que ainda sinto medo
Que ainda tenho dúvidas…
Se um dia isso passa!  


Uma vez aberta, não há mais volta!



quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Não olhe para trás!

"Curtas", Nº 45

Não olhe para trás!

Não volte para onde um dia você foi feliz, é uma armadilha da melancolia, tudo terá mudado e nada será igual, nem mesmo você! Nada permanece imutável, até as pedras se dissolvem!

Não tente procurar as mesmas paisagens, nem as mesmas pessoas, as mesmas esquinas, os mesmos cheiros das mesmas flores... elas não estarão lá! O tempo, implacável, indigesto, joga sujo! E terá se encarregado de destruir tudo o que um dia te fez feliz e te acalentou.

Não volte para o lugar onde um dia você foi feliz, mantenha-o sempre na sua memória, como era, mas não volte.

Não volte ao passado, você já o conhece, a vida continua e há novos caminhos para percorrer! O futuro está à nossa espreita! E ele será tão brilhante que nem vamos precisar de olhos para ver!

Não olhe para trás!


"A vida é uma longa despedida de tudo aquilo que a gente ama."
Victor Hugo


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Eucatástrofe

"Poesias e Devaneios", Nº 83

Eu olhei dentro de mim
Para me encontrar
Para me purificar
Para cessar a dor

Do outro lado do rio
Uma vida se passa
Olhe no espelho
E você descobrirá

Eu nasci na solidão
Ela me apavorou
Um véu de neblina bem diante dos meus olhos
Eu andei nas sombras

Eu me afoguei na chuva
Eu encontrei o deserto
E eu nasci novamente
Do outro lado do rio

Uma vida se passa
Olhe no espelho
E você irá descobrir
Eu nasci na solidão

Ela me crucificou
Usando uma coroa de espinhos
Agora eu sou livre
Nasci para ser um homem

Vazio!
Me fez compreender
O que fica oculto nas profundezas do interior
Agora eu sou livre

Nasci para ser o homem
Mortalidade!
Varreu a areia para longe
Do que estava oculto nas profundezas do interior

Sonho disforme e sem nome
Absorto em camadas gélidas da vida
Canta a canção do que todos somos
Vazio!

Eu olhei dentro de mim
Para me encontrar
Para me purificar
Para cessar a dor



"Para me purificar
Para cessar a dor"

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Te extraño, pero no te buscaré

"Poesias e Devaneios", Nº 82

Te extraño, pero no te buscaré,
No te buscaré

Fue un amor tan grande
De aquel amor que yo tenía, lo guardaba
De aquel amor que usted tenía, lo guardaba
Es como un final y volver ayer

Fue un flechazo tan fugaz
Me quedé con ese calor que era tuyo
Yo me quede con ese amor que era nuestro
Es como una final y viceversa.

Habla me como te camelo yo
Quiéreme como te hablo yo
¿Qué tan improbable fue que uno llegara al otro?

Viene el anhelo
Cuando ves que no hay vuelta atrás
Incluso cuando quería morir
Celoso de ti, te extrañé

Para el amor no hay fronteras
Tiene presa cuando quiere
Quiero volar, navegar otros mares
Lleva un tiempo sin verse pero no se separa

Fue un flechazo tan fugaz
Me quedé con ese calor que era tuyo
Fue un amor tan grande
De aquel amor que yo tenía, lo guardaba

Te extraño, pero no te buscaré,
No te buscaré




¡Las despedidas son inevitables!

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Namárië

"Poesias e Devaneios", Nº 81

Ai! Como ouro caem as folhas ao vento,

longos anos inumeráveis como as asas das árvores!

Os longos anos se passaram como goles rápidos

do doce hidromel em salões altos

além do Oeste, sob as abóbadas azuis de Varda


Onde as estrelas tremem

na canção de sua voz, de santa e rainha.

Quem agora há de encher-me a taça outra vez?

Pois agora a Inflamadora, Varda, a Rainha das Estrelas,


Do Monte Semprebranco ergueu suas mãos como nuvens,

e todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;

e de uma terra cinzenta a escuridão se deita

sobre as ondas espumantes entre nós,


E a névoa cobra as joias de Calacirya para sempre.

Agora perdida, perdida para aqueles do leste está Valimar!

Adeus! Talvez hajas de encontrar Valimar!

Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la! Adeus!


Grande Mestre Tolkien



"O mal não pode criar nada de novo, só pode corromper e arruinar o que as forças do bem inventaram ou fizeram."
J.R.R. Tolkien





sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Solidão

"Curtas", Nº 44

Embora a solidão seja uma condição universal da vida, é importante lembrar que todos nós experimentamos momentos de conexão profunda e amor que nos permitem sair de nós mesmos. Embora possamos nos sentir sozinhos dentro de nossa própria pele e cabeça, podemos encontrar conforto e alegria em relacionamentos positivos com os outros. Quando os adolescentes descobrem a solidão, pode ser difícil para eles entenderem, mas com o tempo, muitos de nós percebem que a solidão é uma parte natural do crescimento e da vida. É verdade que a solidão pode ser desafiadora em momentos, mas é importante lembrar que também podemos encontrar muita beleza e significado em nossa vida, mesmo quando estamos sozinhos.





"A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais."

Arthur Schopenhauer

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

O Tempo Urge!

"Poesias e Devaneios", Nº 80

O tempo urge!

Do tempo e a vida, brotam chances!
E estas têm de ser aproveitadas,
Já que o viver se esfuma num momento!
“A morte é certa”… a maior das verdades,
Mas quantas vidas estão inacabadas
Por se entregarem ao sofrimento?
Há de ser aproveitado
Com aquilo que de melhor temos…
O que mais amamos, por perto ter!
Ao nosso nado, que se faça crescer!
E trilhar os caminhos do amor! No amor!
Não desperdiçar chances,
Valorizar as posse não física, e o que tens na mão!
Em tudo encontrar gratidão!
Viver não é amanhã… agora é!
Nunca haverá na vida maior bem
Que o bem que levamos no coração!

O tempo urge!

 


"Contra a foice do Tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.”


sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Anti-Epifania

"Poesias e Devaneios", Nº 79


O homem dorme. Sonha!
Querendo nunca acreditar
Como chegou a esse ponto
Sem ter como retornar!

Pelos caminhos que buscou
Nenhum o fez decifrar
O enigma da existência
Nunca desistiu de procurar

O espírito da verdade
Tão difícil encontrar
Resta apenas o desejo
De atingir outro lugar

Angústia. Acorda
Se pergunta o que fez
Descobriu o absoluto?
No fim é simples

Não importa o que és, mas o que irá te tornar
Não importa onde estás, mas onde tentará chegar
Nem importa o que tens, mas o que poderá mostrar
Liberta do que te pesas e talvez assim conseguirá

Dos teus feitos mais sublimes
Inúteis, não vão te transformar
Se apoiar no inexplicável
Nada vai se revelar

Das falhas tentativas humanas
Quase ínfimos são os caminhos a trilhar
Mistério obscuro e verdade inalcançável
No fim prevalecerá

Supremacia da razão, busca exata da realidade
Breve sensação de triunfo, perfeita mediocridade
Absurdo sobrenatural diante de tão falha mortalidade
Superar breve existência para conquistar a eternidade

O homem dorme. Sonha!
Querendo nunca acreditar
Como chegou a esse ponto
Sem ter como retornar!


Você conseguiu ser corajoso em seus pensamentos?
Imaginando ser capaz de ir lá e lidar com eles?
e se divertir ?
Você acha que você poderia ser a alma da festa ?


quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Ciclos

"Poesias e Devaneios", Nº 78

Ciclos não se repetem, se renovam
a vida não acaba, se refaz
um dia após o outro

Um dia...

Que a essência que me compõe
outrora erigida em meus poros
que nota-se, se resvala ao solo

Que meus sonhos flutuantes
regados à devaneios
que hoje erráticos e errantes

Que pressas fúteis
irreflexões sem lastro
que hoje esqueceram o caminho de casa

Que os desejos profanos
concupiscência imbecis
que expiraram com o vento

Que os vãs medos
consumições desalentadas
que se amiudaram no tapete

Ciclos não se repetem, se renovam
a vida não acaba, se refaz
um dia após o outro

Um dia...a essência que me compunha
outrora erigida em meus poros
HOJE se resvala ao solo

Um dia...


"A vida material ,representada simbolicamente como ouroboros: o tempo é a cabeça,
que traça a própria cauda, que representa a vida material, desde o nascimento até a morte..."


domingo, 21 de agosto de 2022

Enquanto dure!

"Curtas", Nº 43

Cumpriremos nossas metas da alma... que transpassa a cada segundo os pensamentos profundos.

Olharemos para as estrelas: infinitas, perenes e tão distantes!

Então olharemos para nós mesmos: finitos, efêmeros, tão vazios! Tão sozinhos em si mesmo!

Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é a resposta a meu - a meu mistério!

E o mistério da vida é o fim dela, pois tudo que é vivo, morre!

Mas há de ser infinito... enquanto dure!

"A nossa pálida razão esconde-nos o infinito."



terça-feira, 24 de maio de 2022

O Mito

"Poesias e Devaneios", Nº 77

Funciona sim!

Tudo que precisa é confiar em mim
Sem questionamentos ou reclamações
Deixa eu te vender as minhas ilusões

Aceita que é melhor viver
Comigo escolhendo o que é bom pra você
Vontade não é mais uma preocupação
Se estiver comendo aqui na minha mão
Vai ser mais fácil de te controlar

E enquanto eu finjo que me importo com quem enganei
Eu vou vencer

Quem quer liberdade
Quando pode ser igual
É o fim do individual
Que nasce com a morte
Da ideia original
Do pensamento racional
Pra virar só mais um na multidão

E se eu falhar
Deturpam minhas ideias pra me atrapalhar
Nunca é culpa minha talvez foi azar
Ou quem sabe eles querem censurar

Aquilo tudo que eu já falei
E em nome da igualdade alguns corpos eu deixei
Cair ao chão

Quem quer liberdade
Quando pode ser igual
É o fim do individual
Que nasce com a morte
Da ideia original
Do pensamento racional
Pra virar só mais um na multidão

Compartilhe tudo o que o não tem
Só não queira que eu faça também
Se eu omito o mito se mantém
Não vai sobrar nada pra ninguém 

É uma nova era
Concentração liberta
É tudo tão escuro
Não há lugar seguro
Agora eu vejo tudo igual 

 Por Wagner Thomazoni 


"Infelizmente, o autoritarismo ainda é o dono do mundo."
Juahrez Alves




quinta-feira, 5 de maio de 2022

Poucos Dias

"Poesias e Devaneios", Nº 76

Poucos dias
Só duas noites..
Só dois dias
Só dois beijos

Era você mas sem filtros...
nem óticos nem morais...
E me assombra ainda
Cheiro a gente nunca esquece!

Faz, que desse jeito só você sabe fazer
Olhos nos olhos, tanta vida pra viver
Charminho doce, pedacinho de você!

Diz a frase certa, só você sabe me abrir
É só assim que eu consigo descobrir
Como é gostoso me entregar e te sentir

É, quando se ama a gente finge que não vê
Que o tempo passa e mais um pouco de você
Melhor assim, bom pra você, melhor pra mim
E amanhã quem sabe a gente outra vez

Só mais uma vez, amanhã talvez
Só mais uma vez, amanhã não existe!
Só mais uma vez, amanhã acabou!

Amanhã acabou!
Só duas noites...
Só dois dias
Só dois beijos




"Existe uma possiblidade de eu pensar em você, só não sei qual é"

sexta-feira, 18 de março de 2022

Só te amarei até o fim da guerra

"Poesias e Devaneios", Nº 75 

Só te amarei até o fim da guerra
Você sempre soube
Agora mais próximo do fim chego
E nunca quis crer
Você está sozinha novamente
Minha alma estará contigo!

Por que o relógio ainda corre?
Se meu mundo não está mais girando?
Ouço sua voz pela fresta da porta
Você está sofrendo novamente
E eu apenas espero... 

Você despedaça meu coração!
Antes de ir arrepender
Chorei por você!
Minhas lágrimas virando sangue...
Me renderei ao inevitável!
E trago de volta pra você um pedaço do meu coração despedaçado

Eu lhe peço, eu lhe imploro
Quando a minha hora chegar... meu descanso, minha paz...
E quando não estiver mais aqui... lembre de mim!
Só te amarei até o fim da guerra 

"Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra."

Pablo Neruda


domingo, 6 de fevereiro de 2022

Sede

"Poesias e Devaneios", Nº 74

A sede de beber a água
sucumbe a sede de beber você

Mas você secou a fonte
Que a fonte seja você mesma

O ar e a água secou
Igual sua boca como um vento

Secou tudo, sua boca
E sua alma, como secou!

Era você! E nem é mais
Uma imagem distante!

Parece um quadro!
Mosaico mal pintado!

E no final, a sede sumiu
E no final, ela nunca existiu!

A sede de beber a água
sucumbe a sede de beber você

Água da minha sede
Bebo na sua fonte
Sou peixe na sua rede
Pôr do sol no seu horizonte


terça-feira, 21 de dezembro de 2021

O Vôo

"Poesias e Devaneios", Nº 73

É Interessante
Parece que as pessoas
Não notaram,
Ele levantou o vôo 
Em um pequeno espaço.
Subiu igual a um helicóptero,
Também aterrissou 
Com toda segurança 
Sem impacto e desestabilização,
É simplesmente fantástico. 
O problema não é morrer...
O problema é
Alcançar 100 anos
Sem nunca ter  vivido de verdade....



“Sacrifícios precisam ser feitos”

Otto Lilienthal



quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Lebensabschnittspartner

"Poesias e Devaneios", Nº 72

Bis zum fernen Wind!

Ich will dich so sehr wie ein Leben lang
aber was diesen blöden text angeht
der Text kann nichts sagen

Das Vorurteil des Textes sagt nichts
aber ich werde nie Glück sagen
in mein Gesicht gestempelt
wann hast du foto gemacht

auf der Bahnstrecke
und warten auf den Zug
wann hast du foto gemacht

am Rand der Tür
gedrucktes Lächeln
Aber was für ein Lächeln!
das Glück kommt

gerade wenn ich ihn sehe
auf dein Gesicht gedruckt
Ich habe gelernt dich zu lieben
 

liebe dein Lächeln
Du und alles, was es darstellt!
Aber bis jetzt...
Bis zum fernen Wind!

für mein Blume der drei Hügel



Du warst es schon immer!



quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Gitana, Añoranza!

"Poesias e Devaneios", Nº 71

Tu palabra formame
Tu sonrisa tómame
Arrestame, no me dejes ir
Y no quiero que te vayas

Gitana mi amor
Gitana, mi paz
Gitana, mi dulce
Gitana, Añoranza!

Te has ido
Lo dejo ir
No pude parar
De que te vayas

Mañana temprano
Después de que el sol
Sonríe al mundo
Lloraré del otro lado

Arrestame, no me dejes ir
Y no quiero que te vayas
Gitana, mi dulce
Gitana, Añoranza!


Es un amor tan grande
De aquel amor que yo tenía, lo guardaba
Es como un final y volver ayer






terça-feira, 23 de novembro de 2021

Sorriso Indireto

"Poesias e Devaneios", Nº 70


Indiretamente
Te vi, mas não te vi
Eu fingi não te ver

Te vi por um frame
Um lapso ou um segundo
Mas eu estava

Estava lá, pra te ver
Um lapso ou um segundo
Um frame, mas eu estava

Era um sorriso
Você nem sorriu
Era um olhar
E você nem olhou

Era você, real como o vento
Como a chuva que cai
Era você, real como você
Como só você seria de fato

Só você seria assim
Na fotografia é uma coisa
Na realidade é outra coisa
Você respira a cada segundo

Indiretamente
Te vi, mas não te vi
Eu fingi não te ver

"Sei que o meu coração pediria..."



quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Nem sempre será assim

"Reflexões Pessoais", Nº 33


Penso na dor dos amores perdidos. E penso numa fábula oriental. Mais ou menos assim: um rei pede ao homem mais sábio do reino que lhe escreva num papelzinho palavras para ler num momento de extrema aflição, um conforto da adversidade. O sábio cumpre a tarefa. Não muito tempo depois, o reino é invadido. O rei, sem saída, foge. Perdera tudo: poder, dinheiro, relevância. Ele então recorre ao bilhete do sábio. Ali está dito: “Nem sempre será assim”. O rei caído consegue, aos poucos, rearrumar suas forças. Retoma seu reino. E encontra o sábio. Ouve, agora no fausto reconquistado, no poder recuperado, mais uma vez a sentença:

“Nem sempre será assim”.

A frase resume o perpétuo vai-e-vém das elevações e quedas, a inconstância da sorte, a fugacidade de tudo que acontece sob o sol. Todo homem arrasado pelo final de um amor deveria ter no bolso um papelzinho com a advertência do sábio oriental. O sofrimento aparentemente insuportável vai desaparecer. O que parecia ser um inverno eterno dentro de nós receberá a visita redentora do sol que avisa que o verão ou já chegou ou está aí. A tristeza que estávamos certos de ser imortal revela-se frágil e é batida por uma lufada cálida de alegria.

"Rebrilham neles lembranças dos amores esquecidos"




segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Afinal, o quão melhor era a vida nos anos 90? Onde a internet entra nisso?

"Reflexões Pessoais", Nº 32


A vida nos anos 90 era melhor, a resposta rápida é essa. Bem melhor. Opinião obviamente pessoal.

Eu me refiro à vida social, à nossa existência como indivíduos. Sei que parece uma insanidade dizer isso, na época de nossas famigeradas "redes sociais", mas, em realidade, não é. Por quê? Ora, porque a perfeição está na imperfeição. Amor não é idealizar, mas elevar a própria imperfeição em si ao status de perfeição. E no que isto tem a ver com a minha afirmação inicial? Em um bocado de coisa.

A satisfação da internet não está no agora, mas lá no seu início e popularização. A internet era algo excitante até final da década passada. Depois, tornou-se algo invisível. A sua então excepcionalidade foi totalmente incorporada à nossa normalidade. Hoje em dia, a internet é quase como água e luz, algo invisível, que sequer notamos. A única revolução chama-se smartphone. Mas ele não é exatamente novo (foi em 2007 que a Apple lançou o que nós entendemos hoje pelo vocábulo). A verdadeira explosão de novidades se deu nos anos 90.

A nossa felicidade com uma tecnologia está quando ela se encontra no início para meados da sua popularização. Entrar na internet era algo genuinamente excitante nos anos 90 e começo dos 2000. Aí, veio a internet de banda larga e o serviço tornou-se irrelevante. Antigamente, os pacotes de velocidade eram extremamente importantes. Hoje? Quase que irrelevantes. Apenas notem as diferenças de preços entre os pacotes, onde o dobro de velocidade custa apenas uns 10 ou 15% a mais.

Isto é um indicativo mais do que suficiente de que a internet como tecnologia revolucionária desapareceu, ela se tornou o ar que respiramos. E o mesmo vale para o tempo das mercearias. O que sustenta a nossa excitação por algo é a dificuldade de consegui-la. Retire totalmente o obstáculo e o ímpeto por X eventualmente também se esvai consigo. O resultado dos avanços tecnológicos é que estamos mais entediados hoje do que nunca. Éramos felizes quando ainda contemplávamos o porvir, e não quando ele por fim chegou.

Quando contemplamos algo, nos permitimos sonhar com as suas (desconhecidas) possibilidades. Uma vez sabendo de diversos prós e contras de uma coisa plenamente desenvolvida, tudo obviamente muda. Nada nos escravizou mais do que a dobradinha internet + smartphone. Somente o que as redes sociais nos fazem de negativo é qualquer coisa de assombroso. 

Os melhores tempos já passaram. Acabou!


UOL, 22 de julho de 1997


domingo, 31 de outubro de 2021

Vazio Impreenchível

"Poesias e Devaneios", Nº 69

Vazio impreenchível
Vazio que não se preenche
Se tornará mais vazio
A cada tentativa

O copo cheio
O copo vazio
O copo virado...
A próxima rodada...

Mas tudo ser torna
Vazio e sonso
Sem sal
Sem pimenta

Se torna igual
Uma mesa vazia
Uma sala vazia 
Uma alma vazia

Mas o vazio impreenchível
Não vai ser nem nunca se preenche
Se tornará mais vazio
A cada tentativa!


Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim




segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Está trovejando

"Poesias e Devaneios", Nº 68

Está trovejando?

As coisas estão estranhas agora, mas sei que tudo passa!

Em tudo isso nos apegamos à pequenas coisas, ao cheiro da manhã, ao som da chuva, à brisa das cinco da tarde... coisas simples sabe?

A vida se torna pesada, cinza... fica tão chata quanto uma cólica renal... se torna um fardo pesado, como uma mochila carregada de pedras...

Mas sabe de uma coisa, aí lembro dos passarinhos quanto cantam após uma chuva bem pesada, e lembro daquele raio de sol teimoso que rasga as nuvens soturnas de chuva...

Tudo isso me ajuda a juntar forças para acalentar meu coração, e deixa-lo mais forte para enfrentar tudo que vier adiante.

E também eu sempre lerei aquele pedaço de papel, onde está escrito “Nem sempre será assim”... pois nos momentos mais tristes e angustiantes saberei que “Nem sempre será assim”... do mesmo modo, nos momentos mais radiantes e epifânicos, saberei que igualmente “Nem sempre será assim”, tudo é efêmero, da sua maneira, menos a fé, que é perene e sólida!

Ouvi um trovão, está mesmo trovejando? Ouço os pássaros, lá no fundo...

Tudo passa, e tudo fica na memória!

Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.

Salmos 91:10-12


domingo, 19 de setembro de 2021

Licença Poética

"Poesias e Devaneios", Nº 67

Ainda que tudo seja licença poética, nós andamos brincando com fogo e com a sorte recentemente. Até mesmo pensando coisas além da possibilidade...

Seguimos nós dois todos os caminhos errados possíveis, e estamos seguindo nesses caminhos tortos, seguimos assim!

E tudo não passou, no início, de uma conversa mal resolvida! Tudo isso...

Não muda nenhum pingo ou vírgula do nosso desejo, pois te desejei, mas naqueles dias eu te odiei... você seguiu sua vida e eu segui a minha, e em nenhum momento o amor foi embora, só manteve hibernado, enquanto a raiva era simulacro de sentimento!

Mas você sumiu... e se tornou um vício que não tem mais cura.... E de quem a culpa?

Só isso, não tem retorno, o desejo é um só, é tão sólido quando a rocha, e a rocha que se tornou nosso coração, mas que se derrete um pelo outro!

Não sei onde pode dar isso, só sei que te quero, e mais do que nunca...

Por mais infiéis que sejam esses nossos desejos, tornamos tudo que tocamos em algo sagrado, ainda que profano!

Ainda que tudo seja licença poética!



Me apaixonei pelo que eu inventei de você


quinta-feira, 8 de julho de 2021

Carta "As lembranças são melhores"

"Cartas Perdidas", Nº 34


Três Pontas/MG, 21 de Agosto de 2001

Bom demais são as lembranças né

Lembro até hoje, ficou procurando meu carro, deu risada da placa, era cidade de fora, de bem longe aliás, outro estado!

Muitas conversas

Fiquei hesitando, mas te roubei um beijo, depois mais um, depois perdi a conta de quantos foram, e perderemos a conta de muita coisa!

Perdemos a conta de quanto a vida cobra de qualquer forma, e quando não pagamos com dinheiro, vem a moeda do coração!

Você quis insistir em uma fantasia que iria fazer mal pra nós, e eu quis desistir na hora certa, porém fui seduzido pelo seu canto, que não era o da serei, mas era o da mais bela ninfa!

Você cantou, me seduziu, e assim foi, mas duvido muito que a vida poderia seguir assim, dessa forma que você imagina.

A vida seguiu, mas não da forma que a gente achou que deveria seguir né? Vim morar na cidade ao lado e você nem entendeu até hoje o motivo de tudo ter acabado!

Nem eu entendi, e foi o que ocorreu, tudo ocorreu dessa forma! A decepção para alguém moldado pelo romantismo hipócrita é inevitável.

Saímos machucados. E você saiu com meu coração de brinde, e ficará com ele até quando viver aparentemente.

É ruim, e eu vou inclusive participar do 31º Festival da Canção, e talvez você vai ver minhas fotos nos cartazes, eu vou ver suas fotos em meus sonhos!

E vamos ficar vendo essas coisas, sombras um do outro, e nem adianta tentar mudar nada!



Eu te amei, me entreguei
De um jeito que ninguém jamais se entregou




quinta-feira, 3 de junho de 2021

Foi e não voltou

"Poesias e Devaneios", Nº 66

Já pensei em seus lábios
Como você eu pensava

Pensava mal, muito mal confesso
Desprezei e muito não pensei

Era você que eu não queria
Não pensar e não olhar

Muito dias e muitos meses
Nunca mais ouvi falar

Tentei lembrar, tentei mesmo
Nem sabia, cores dos olhos

Era você, veio tudo
Na memória, tudo veio

Escrevi, papel e tinta
Mandei, texto físico e letras

Foi pra não voltar
Não voltou, mas que não voltei

Já pensei em seus lábios
Como você eu pensava



Então, como, quando a natureza te chama para que vás?




 

Coração Negro

"Poesias e Devaneios", Nº 65

Coração negro
Negro de tinta

Feito grafite
Ou carvão

De dor e lágrimas, tinta
Cinza!
Papel queimado

Sentir como era
Como foi
Nunca sentir
Como será
Nunca sentir
Como não foi

Não é
Não doeu
Nem doerá!

Sentir ou não sentir?

Você, leve como uma pluma
A dor, pesada como montanha

Coração negro
Negro de tinta



"O sofrimento eterno é a infelicidade dos homens ignorantes que nunca falham em buscar as profundezas de seus próprios corações e vêem somente a riqueza de um pobre mundo que sofre para esfolar seu próprio dorso com facadas de prata e agradecimento brutal."