segunda-feira, 23 de maio de 2016

Não Gosto

"Poesias e Devaneios", Nº 35


Eu não entendo minha própria fé
de te mostrar o mundo todo
eu fico tolo
com o amor e esse teu cheiro de café

Eu não compreendo
teus sonhos de mulher
fico escrevendo e remoendo
um passado que ninguém mais quer

Eu não gosto quando você diz
que vai embora e me deixar aqui
Eu não gosto de quando você faz
essa carinha de mimada me pedindo cafuné

Às vezes penso que posso te deixar
às vezes penso que o mundo todo 
vai se acabar no ar
Menina eu amo até seu jeito de andar
me explica como é que eu faço pra esquecer
do teu olhar?

Eu não gosto quando você diz
que vai embora e me deixar aqui
Eu não gosto de quando você faz
essa carinha de mimada me pedindo cafuné

Por Alice Gonçalves

"Não vá..."

sábado, 21 de maio de 2016

Minha marca indelével ficará

"Curtas", Nº 30



Esse é o rumo natural das coisas. Vejo tudo de forma diferente, e todos os dias minha fé está voltada para isso.

As vezes as sombras tomam conta do meu coração, e sinto que talvez todo meu esforço possa ser em vão. Mas afinal, quem não tem esse medo, né?

Se a felicidade for derradeira, o rio vai seguir seu curso, não lutarei contra a correnteza.
Eu acredito, e fico feliz em ao menos ter deixado um legado. Se lhe fiz bem.


Minha marca indelével ficará, se acaso fatalmente minha estada em sua vida for abreviada.


"Eu lhe peço, eu imploro, quando a minha hora chegar, meu descanso, minha paz..."

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Esteja acima do bem e do mal

"Reflexões Pessoais", Nº 23


A importância de superar a visão benigna e maligna dos fatos, é de um fator de suma importância psicológica e comportamental, pois retrata de deixar seus respectivos conflitos de lado, para abrir o caminho para o autoconhecimento e desenvolvimento.

Superar o mal, é ignorá-lo e perdoá-lo com a consciência de esperar que ele, por si só, amadureça e desenvolva o bem que há nele.

Superar o bem, é saber que há lições para se tirar, tendo a sabedoria que um dia isso também irá passar.

Mas, o que as pessoas fazem? Entram exatamente nesses conflitos momentâneos, mostrando-se inteiramente e emocionalmente ligados às questões do bem e do mal. Não superam e não internalizam que há lições para se tirar de ambos os lados.

A revolta é o primeiro Sinal.

Tudo o que há de conflito, decorre da intolerância de um dos lados. Daí, a revolta se manifesta como um conflito interno que está sendo dissolvido pelo ego.

Cada qual tem as suas escolhas, mesmo que tais escolhas nos atinjam diretamente (conflitos pessoais). Porém, revoltar-se com essas escolhas, é também uma escolha sua e assim, é um conflito interno, por não transcender o bem e o mal.

Superar o bem e o mal, é tirar proveitos das questões do dia a dia, no intuito de evoluir e desenvolver o seu espírito, seu pensamento e a sua atitude. Se não fizer isso, a única coisa que perpetuará, é o conflito e o ódio consigo mesmo.



Absorva o bem contido no mal e faça dele seu.
Elimine o mal que há no bem e descarte-o sem hesitação.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Scientia potentia est. Mens sana in corpore sano.

"Reflexões Pessoais", Nº 22


Aqui se faz, aqui se paga.

Um homem sem poder, é um homem considerado fraco. Porque, poder é sinônimo de conhecimento. Todo conhecimento adquirido é, sem dúvidas, uma fonte inesgotável de poder. E o poder se diferencia dos fracassados.

Um homem fracassado só pode ser um homem sem conhecimento algum. Um homem que não buscou absolutamente nada. Leitura do ambiente se faz necessária, de forma extrema. 

Obviamente que não somos clarividentes, porém devemos ter um mínimo de antecipação do que vem pela frente.

Viver sua vida sem optar por conhecer, estudar e se empenhar pela sua melhora, física e psicológica. Ficar desprovido de conhecimento e de preparo, é estar na condição de gado. Você será vítima de si mesmo.

Eternamente. E um homem assim, é facilmente manipulável, pois a sua consciência não enxerga a realidade ampla. Enxerga apenas há um palmo de sua mão.

Como sempre é uma questão de escolha. Buscar pelo conhecimento ou não. Se resignar ou não. Sempre foi.

Daqui pra frente é guerra.


''...e quando estou fraco, SOU FORTE...''



domingo, 10 de abril de 2016

Relações químicas

"Curtas", Nº 29


O que não é físico eu penso que na prática sempre o é. São as bases eletro-químicas, todas elas, que são responsáveis por tudo isso.

Em cada lágrima ou cada sorriso existirá um gatilho microscópico que ira desencadear a reação mais adequada ou a sensação mais pertinente ao momento.

Serão, no fim das contas, os compostos químicos, e não as circunstâncias, que irão nos alegrar, ou nos derrotar. Apesar de momentos e fatos serem impactantes como uma flecha nos corações.

Por mais amargo que seja o momento, tudo passa.

Tudo passa e tudo VAI MELHORAR, sempre.

E o futuro vai ser tão brilhante, que nós nem vamos precisar de olhos para ver. 

 Existe algo que diz...que a vida continua e se entregar é uma bobagem

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Leis de Malcolm

"Curtas", Nº 28


Primeira lei: não vai dar certo

Segunda lei: vai piorar

Terceira lei: tudo é dor ou causa dor

Quarta lei: o mal sempre vence

Quinta lei: viver é sofrer

Sexta e última lei: [a vida] é só isso e acabou.

''Não há certeza, só uma estrada obscura.''

sexta-feira, 25 de março de 2016

Bem sentir, bem levar

"Poesias e Devaneios", Nº 34


Eu chamaria por alguém semelhante
Se semelhante eu fosse à alguém
Talvez vivesse no constante
Se o inconstante não fosse tão assim
Tão Perfeito

E tendo em mãos tanta energia, tanta vida
Me pergunto sobre o desejo de novas realidades
Só haverá fogo, se o combustível restar
E esse, à passos largos
É deturpado em litros de ganância e espinhos sem flores

Você me disse um dia
Que nesse lar só haveriam
Nuvens de promessas e chuva
Chuva da mais cristalina realidade

Pois que nos afoguemos então
em míseras risadas sinceras
E de todas as suas diferentes feridas
Que a maior seja aquela que melhor lhe representa

Vivi, eu sei, chorei também
Só que por mais doce que seja o teu caminho
É de igualdade
Igualdade que o mundo precisa

Por Raoni Loran


"...distante, de tudo..."



quarta-feira, 16 de março de 2016

Utopitização

"Reflexões Pessoais", Nº 21


Fechei o olho, pensei bastante e tentei vislumbrar uma palavra que NÃO existe...

UTOPITIZAÇÃO

...pronto, pesquisei no Google, ela não existe mesmo!

Acabo de cometer um neologismo, acabo de inventar uma palavra que não existe, definitivamente.

Mas pra que exatamente inventar uma palavra inexistente? E porque essa palavra?

Primeiramente vamos analisar a palavra-base:


utopia 
u.to.pi.a 
sf (gr ou+topo3+ia1) 1 O que está fora da realidade, que nunca foi realizado no passado nem poderá vir a sê-lo no futuro. 2 Plano ou sonho irrealizável ou de realização num futuro imprevisível; ideal. 3 Fantasia, quimera.


Tendo isso em mente fica fácil entender o significado disso. Temos a inerência, muitas vezes, de criar quimeras em nossas mentes, criar fantasias impossíveis e irrealizáveis, sonhos distantes e hercúleos, porém alimentamos essas coisas em nossas mentes como uma forma de alívio, um "ópio" mental para tocarmos em frente nossa irremediável vontade de voar, porém sem ter asas.

"Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las..."



domingo, 21 de fevereiro de 2016

Carta: "Guardiã do Coração de Gelo"

"Cartas Perdidas", Nº 17


Nazário/GO - 26 de Agosto de 1996


Quando eu passei por lá eu sabia que seria inevitável. Inevitável mesmo porque seria bobagem. Mas deixei me levar.

"Tu que viestes de longe, enfrentastes muitas batalhas, que derramaste teu sangue por essas terras, numa terra imaginária ou real. Tu que roubaste meu olhar de uma vez por todas."

Foi você.

Dos cabelos tão negros quanto o céu sem lua, e da pele tão branca quanto leite, você que exala a fragrância de um amor inabalável, eu sabia desde o início.

Nem vou dizer o que tanto já foi dito, mas devo fazer uma última colocação pertinente.

Você ostenta um título, a "Guardiã do Tesouro", sim isso é inevitável e você levará pra sempre esse título, e ele irá junto com você para seu túmulo em um dia longínquo. 

Ora, faz muito sentido, porque eu fico tentando imaginar qual é o Tesouro.

Ele nada mais é que o Coração de Gelo. Criogênico, nefasto, maligno, destruidor de almas. Algo deveras pior do que tem dentro da Caixa de Pandora, porém é considerado assim um "tesouro."

Agora eu entendo, o tesouro que você têm guardado durante tanto tempo, apesar de ser o Coração de Gelo, pra mim sempre foi um tesouro, pois sempre o quis, independente de como... seu coração.

"O fio da sua espada me fere a carne. Seu olhar me fere a alma."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Lugar Esquecido

"Poesias e Devaneios", Nº 33



Às vezes na alvorada, soturna como o incógnito
Noite infindável, como uma estrada
Para além, para um lugar esquecido

Anos e vontades se esvaíram
Escondidos nas lágrimas eles ainda estão sozinhos
Resvalando num mar infinito de amargura
Aquelas almas imploram pelo fim

Apenas aguardando, sentados, num banco velho
Feito de madeira e metal, numa estação
Aguardam a chegada do trem na hora marcada

Algum lugar onde não teria tempo pra perder
Algum mundo onde mentiras valem mais que a verdade
Um coração vazio, abraços perdidos, beijos rasgados
Algum lugar que a esperança é sombria

Infortúnios e azares...
Sobreleva vidas e as assombra como um fantasma
Ela alimenta a ganância que bebe diretamente da fonte
E enriquece o mais forte

Olhos famintos prenderam as almas entorpecidas
Flutuando pelos céus eles cruzam o arco-íris

Para algum lugar esquecido...

"Você não vê as cicatrizes, você se torna divino."


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Umbral

"Curtas", Nº 27



No meio do nada, pensando sobre tudo. Tantos arrependimentos, tantas dúvidas. Tantos desamores, onde sibilam ventos, corta-me o cenho.

Onde não há sorte, onde dominam rancores, se eu tivesse enfim, feito o que deveria ter sido feito, onde eu deveria ter ido.

Não vejo minha sombra, eu sou a sombra, eu sou o tudo e o nada, eu sou o chão, e nele estou. Minhas mãos gélidas, tento fechar os braços em mim, para que o pouco calor que me resta não me abandone. Em vão.

Não sinto sede, mas mesmo assim estou sedento, eu sei. Onde estou? O que eu realmente sou agora? Tornei-me o que exatamente? Eu não lembro.

A falta de lembrança me intriga, mas não é tanto assim. Como se tivesse na ponta da língua.

Esperando aqui uma redenção que nunca viria. Meu passado não me pertence."Tudo fica guardado em si, deste momento para frente vais colher os frutos de sua fé ou de seu desamor."



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                      "Tudo fica guardado em si, deste momento para frente vais colher os frutos de sua fé ou de seu desamor."


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Acerca do Ódio

"Reflexões Pessoais", Nº 21



Hipocrisia, todos cânticos são ecos destoantes de palavras vis.  Ideologias imbecis. Alias, não são bem as ideologias, são coisas que falamos e que ouvimos, e nos enojamos de tanto ouvir e ouvir e simplesmente cansamos de tanta nojeira epistemológica. Me canso de ouvir palavras de ordem e palavras improvisadas.

Não falaremos agora de negativismo, mas eu falarei de coisas e sentimentos que me enervam à flor da pele. Eu, você e o resto, puro ódio disfarçado de um amor falso de filme romântico barato clichê.

Odiamos o ódio ou nós odiamos o fato de que odiar é “errado” no politicamente correto vigente atualmente? Eu não odeio o ódio, ele é mais útil que o desespero. Só basta saber cultivá-lo de forma correta, vamos conseguir canaliza-lo de forma eficiente, assim como se canaliza a energia atômica pra produzir energia elétrica ao invés de bombas mortais.

A vida é curta, muito curta, e a espera é longa. As estrelas, lá no alto desaparecem com o amanhecer, e sempre somem, porque eu estou lá praticamente todos os dias, vejo o céu negro se tornar azul escuro aos poucos, e ir esclarecendo, eu percebo que o mundo não para pra nos esperar.


Tão latente como o ódio é o amor, mas esse, prefiro não comentar.

Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra.



sábado, 30 de janeiro de 2016

Querer Coisa Boba

"Poesias e Devaneios", Nº 32


Queria ser isso, isso que é ser o que eu queria, um amor único perfeito de filme, novela livro, essas ideias bobas.

Queria ser o que eu queria, uma ideia que não se concretiza, uma ideia boba, mas que bobeira.

Queria muito ter amor de quem não tem amor, amor pra poder me dar, pra poder me ser.
Queria ser e ser, cada raio de sol, mas ele nem nasceu, então ele fica preso na colina, e eu fico preso em mim.

Queria muito ser coisas que eu não sou, amor de quem eu queria ser e não sou, eu não sou o amor mas sou o ódio, ou tento ser.

Queria ser você pra poder me odiar, pois nem isso, mas isso que é, eu amo, você não ama, e a circunstância odeia.


Queria poder jogar fora tudo isso, lápis, papel, sentimento.

"Não adiantou eu querer"

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A tempestade vai passar

"Reflexões Pessoais", Nº 20


Os mares estão agitados, e apreensivo em vigília, se posta o navegante, que com grande angústia observa tua frágil caravela balançar perigosamente de um lado para o outro. 

A metáfora é condizente com nossas tempestades, nossas tormentas, que mesmo sem água, ondes, chuva e vento, é igualmente aterrorizante.

E  que as tormentas passem, elas passam, sobreviva a elas feliz por estar aprendendo a enfrentá-las.

Devemos saber que com choro e lamentos de desespero não farás a tempestade acalmar ou desaparecer. 

Avante, mesmo porque mares calmos não fazem bons marinheiros.

Eu irei, vencerei, voltarei.


"Reduziu a tempestade a uma brisa, e serenou as ondas."
Salmos 107:29

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Ardor

"Curtas", Nº 26


Como sol do meio dia, esquentava me e queimava o peito, um ardor de paixão misturado a ódio, e com a leveza de uma pluma, me tocou e descobria meu exterior, olhos chamativos para o pecado me consumia...

Por Emely Harz


"Dá uma vontade...de gritar seu nome"


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Carta: "Cansaço"

"Cartas Perdidas", Nº 16


São Borja/RS - 04 de Abril de 1998


Não lembro o que  escrevi anteriormente, peguei o papel, depois que li e reli,  rasguei-o.  Estava, uma droga, um lixo. Texto imbecil.

Pra falar a verdade eu escrevi com algum propósito escuso. Estamos de certa forma correndo e ficando no mesmo lugar, mas estamos equivocados, na verdade só eu estou, extremamente equivocado sobre muita coisa.

Eu continuei escrevendo e continuei falando muitas coisas que eu não devia, mas não me importei de fazer papel de bobo, alias é o que eu tenho feito com muita frequência, desde que resolvi começar a te enviar textos bobos, independente das distâncias, elas podem ser grandes, mas se tornam pequenas diante dos meus pensamentos.

Não adianta eu falar nada, pois você ser tornou profissional na arte de desviar assuntos importantes e redirecionar pra assuntos imbecis e bobos, a gente fala sobre filmes, sobre músicas, sobre livros, sobre astronomia e as órbitas dos planetas distantes, mas infelizmente você tende a querer distanciar a órbita de eu e você, somos dois corpos celestes que por órbita perfeita nunca se encontram.

E ainda ontem falei sobre fatos e casos com outras pessoas, você acaba vindo em mente a torna o escopo dos meus assuntos, sempre, e isso é direto, isso está me cansando. Estou ficando cansado a medida do que eu falo sobre algo que é imbecil e tanso eu ficar comentando toda hora.

Você não é real, não é real em mim

“...não haveriam planos, nem vontades, nem ciúmes, nem coração magoado...não haveria desejo, nem o medo da solidão
...não haveria saudade, nem o meu pensamento o tempo todo em você"

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Carta: "Conclusões óbvias"

"Cartas Perdidas", Nº 15


Araxá/MG - 15 de Maio de 2002


Costumava sempre te dizer que as pessoas, sabe, elas inevitavelmente apaixonam. Sim, isso vai acontecer independente do quão frio ou quão soberbo você for. A frequência  que isso acontecer vai depender da maleabilidade do seu coração e seus sentimentos, porém curiosamente o quão mais duro for o coração e o quão menos maleável forem os sentimentos, mais forte e marcante vai ser essa paixão que vai surgir. 

A inerência da impenetrabilidade torna aquilo que a penetra algo indubitavelmente forte.

Visto isso e tendo em vista o que (pouco) já vi, a gente vê que as reações são realmente claras.

Em uma contrapartida, você mesma disse uma vez que “gosta de minhas palavras”, por mais que eu tenha sérias duvidas a respeito disso.

Um refúgio, uma ilha em um oceano desértico de confirmações do que eu já nem me preocupo mais, muito me espanta você gostar de “palavras”, pois de igual forma eu também gosto muito de “palavras” de pessoas que já se foram a praticamente 400 anos atrás, como o próprio Shakespeare, o qual escreve “Pois as graças do mundo em abandono, Morrem ao ver nascendo a graça nova. Contra a foice do Tempo é vão combate, Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.”.

Porquanto muito lhe são aparentadas as palavras de pessoas românticas que outrora existiram, hoje nem existem mais. Porquanto muito é interessante eu pensar que, enquanto embalado por baladas românticas oitentistas eu penso que utopia é realidade, mas eu obviamente sei que não é.

E como posso concluir, não sou nem mesmo o mais conhecido, mais bonito, mais romântico, mais habilidoso, nem a melhor pessoa que vai passar pela tua vida, tirando o fato de “passar pela tua vida”, sendo que sequer passar, só vou despejar meu niilismo eterno de saber que conforme profetizado por  “versos íntimos” como foi dito em “Vês! Ninguém assistiu ao formidável, Enterro de tua última quimera.” 

Algumas poesias niilistas fazem todo sentido e  que conduz-se facilmente a crença alheia quando se tenta direcioná-las no rumo de suas tendências naturais: seus desejos e medos, e as pessoas acreditam facilmente no que temem e no que desejam, não há conclusão.

E quando um "eu te amo" não é mais realmente um "eu te amo" porque ele foi jogado ao vento, esquece e desconsidere!

Não há conclusão senão a óbvia por trás dessa carta tão prolixa.




"um mundo de água onde você sabe que morrerá de sede se nele ficar, algo sem fim sobre o próprio fim de algo."



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Carta: "Não é a imagem que eu tenho de você, é você!"

"Cartas Perdidas", Nº 14


Água Clara/MS - 10 de Setembro de 1999

É algo que praticamente ninguém nota, praticamente é ninguém mesmo, mas não quer dizer que inexista, mas sim tem a ver com o quanto eu escondo isso de tudo e de todos. Quanto mais o tempo passa, mais aumenta o que posso descrever como uma "ebulição" dentro de mim, e mais aumenta a graça em poder te viver!

E a simples expectativa de ter você por perto, de só de saber que você está na iminência de trocar um olhar comigo? O coração dispara, e em atropelo ele quase para, algo infantil, quase primitivo.

E cada vez que você estava, perto ou não, pode estar cada vez mais forte dentro de mim, coisa rara de acontecer, você martelando em minha mente 24h por dia, e fazendo meu coração martelar ainda mais forte, por consequência.

Você me olhou? Com os olhos olhava o que eu não sei bem, olhos de águas vindas de outros oceanos. Quem sabe seria com você, que eu poderia ter todas as tardes, aquelas que sempre me faltaram, como miragens, como invenção. Se eu não posso ter, eu fico imaginando, eu fico me perguntando, se as simples palavras, pois sei que são meras palavras, causam algum efeito sequer em você. 

Portanto tudo isso que eu sinto, tudo é algo que cresce sem meu consentimento. Desculpa, não pude impedir. Eu amo você.

"eu nunca vou me despedir de você"

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A Destruidora de Mundos

"Poesias e Devaneios", Nº 31


Lembro bastante, como esquecer? Cada traço de lembrança sórdida.
100 milhões de toneladas do puro ódio. 
Lenta e silenciosamente rastejou para cima…
Lenta e silenciosamente tornou tudo a nada...

E misturando-se a camadas mais grossas das nuvens, prosseguiu a subir e a aumentar. 
Parecia sugar toda a terra nele. O assombramento foi fantástico, irreal, sobrenatural.
Enorme clarão sobre o horizonte, e após longo período ouve-se um sopro distante e pesado. 
Como se a terra tivesse sido morta

A neve derreteu, as bordas e as rochas ficaram brilhantes como se fosse lapidadas. 
Não há um traço desigual sequer, tudo moldados por mãos divinas talvez.
As nuvens a uma grande distância abaixo e acima foram iluminadas pelo clarão do fogo.
E por um instante tornaram-se transparentes.

A propagação da luz incandescente sobre o mar. 
Impressionante indizível.
Nesse momento por maior e mais grosseiro que fosse, tudo se tornou tão delicado como pétala de rosa.
Por um instante, um pico segundo, pra depois os sonhos dissolver.

Sabíamos que o mundo não mais seria o mesmo. 
Algumas pessoas riram, algumas pessoas choraram, a maioria ficou em silêncio.
A alma se desnuda no puro ardor hecatombico.
De longe, ou de perto, não importa.

Nada mais importa, o amor, a dor, a esperança, saudade e sonho.
Nada mais importa, fundem-se corpo e alma em fogo puro. 
Agora, eu me tornei a Morte, o destruidor de mundos...
Suponho que todos nós pensamos isso, de uma maneira ou de outra...


"A esfera era tão poderosa e tão arrogante como Júpiter."


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Alegria se tornou efêmera?

"Curtas", Nº 25


Acabo me lembrando de como a alegria se tornou complicada de ser sentida. Era tão simples e agora é complicada, muito complicada.

Simplesmente a gente sentia o cheiro da terra molhada pela chuva, a brisa gelada no rosto depois de tomar banho, quando a gente comia nossa comida preferida, a sensação gostosa de deitar na cama e descansar depois de um dia cheio.

A alegria se tornou algo tão difícil de entender que nos tornamos efêmeros, nos tornamos finos, esticados como uma pequena porção de manteiga espalhada num pedaço muito grande de pão. Vamos ficando sufocados por nós mesmos.

Buscando refúgio em algo que não sabemos nem se vamos encontrar e nem mesmo o que é, aos poucos perdendo nossa própria essência, e nem mesmo sabendo explicar o que sentimos.

É, a alegria se tornou também algo efêmero, ou não é ela, fui eu que me tornei.

 
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Acerca do Tempo

"Poesias e Devaneios", Nº 30


Não podemos ver, nem sentir,
Não  podemos cheirar, não podemos ouvir.
Está sob as colinas e além das estrelas,

Fossas vazias - ele vai preenchê-las.

De corações antes cheios, que de amor esvaziara-las
De tudo vem antes e vem em seguida,

De cada espaço que do nada volta ao nada
De cada doçura e a beleza que se abandonam

Ele é a coisa que dizima tudo
As árvores, antes verdes, que se postam secas
Aço, ferro, da mais dura joia
E a mais dura das pedra por ele é macerada


Das maiores cidades de outrora

Dos menores devaneios dentro de si
De cada pedaço do caminho que você passou
E a alta montanha faz um campo, plano, nunca existiu


Se você um dia me disse, que não o sente passar
Ele passou, mas continua
Pois tudo no mundo é efêmero
Exceto ele, Tempo, senhor de Tudo

Pois por um só dia apenas nós existimos
Do sorriso finda na morte, é o fim da vida

"E nada, contra a foice de tempo, pode fazer defesa, salvo teus filhos, 
os quais permanecem, quando o tempo te leva daqui."


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Nem Amar Nem Sofrer

"Poesias e Devaneios", Nº 29


Tudo isso é bobagem, nunca passou disso.
Poderia arriscar uma palavra, ou outra.
Mandaria flores, ou uma carta?
Besteira!

Flores morrem, viram nada no final.
E cartas nunca conquistaram ninguém.
No final é tudo bobagem.
Porque a gente se esvai a cada segundo...
Como cada grão dentro de uma ampulheta.

No final é você, sou eu, mas nunca eu e você.
No final utopia vira distopia...
Que vira realidade no final das contas.
A mesma história se repetindo várias vezes.

Que seja realmente importante.
Que nem eu nem você, nenhum de nós.
Sejamos fracos, nem mesmo tansos.
A ponto de querer por algum momento.
Amar, e depois sofrer.



"Por mais rebuscadas que sejam as palavras, de nada adianta.
De nada adiantaria despejar supostos sentimentos travestidos de letras."


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Confie em Mim

"Poesias e Devaneios", Nº 28


Nem na prática nem na teoria, precisa de mais nada.
Agora que você me iluminou, com o que você tem, seu amor imenso.
Tanto dentro como fora.
Confie em mim desta vez
Confie em mim porque

Confie em mim e verá
Confie em mim e não acabará mais....
Tenho um desejo escrito em um lugar bem guardado
Inclusive que já está voando
Meu pensamento não depende do meu corpo

Um grande espaço entre você e eu
Um céu abertos que já, haverá
Nos prende a nós dois, fortemente
Pois sabemos o que é necessidade

Viva minha vida sem medo agora
Que seja uma vida ou seja uma hora, um momento
Que sinta que eu poderei aparecer aí
Não deixe livre, aqui vazio, totalmente!
Meu novo espaço que agora é você. Eu te imploro!

Me viva sem mais vergonha
Mesmo que todo mundo esteja contra
Deixe a aparência e pegue o sentido

E sinta o que levo aqui dentro

"Me viva sem medo agora, mesmo que todo mundo esteja contra"


domingo, 18 de outubro de 2015

Jamais Falha

"Curtas", Nº 24


Sinto que estão me levando...
Mas eu não consigo ver
Já vi essa cena antes, várias vezes
Mas não desse jeito...
Porque estão correndo?
Eu sei que as emergências não salvam ninguém
Eu não to com medo
Meu coração jamais falha
E também não estou pronto pra morrer

"meu coração jamais falha"




quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Me deixe num canto

"Poesias e Devaneios", Nº 27


Se, por mil demônios, me encontrar num canto
Não chores por mim, não se dê ao trabalho
Não ampare o corpo que jaze no assoalho
Não se preocupe em me enterrar na vala
Na primeira oportunidade apenas me abandone
E se hesitar e ficar me encarando
Verá sua vida que também vai se acabando
Vai chorando, vai rezando
Sai correndo, vai embora procurar ajuda
Mas não me acuda. Eu morri.
Não estou ali, não preciso estar
Vou te agradecer, minha boa moça 
Se você apenas me deixar em paz.

Por Alice Gonçalves
"então me deixe aqui, me deixe num canto"