terça-feira, 24 de maio de 2022

O Mito

"Poesias e Devaneios", Nº 77

Funciona sim!

Tudo que precisa é confiar em mim
Sem questionamentos ou reclamações
Deixa eu te vender as minhas ilusões

Aceita que é melhor viver
Comigo escolhendo o que é bom pra você
Vontade não é mais uma preocupação
Se estiver comendo aqui na minha mão
Vai ser mais fácil de te controlar

E enquanto eu finjo que me importo com quem enganei
Eu vou vencer

Quem quer liberdade
Quando pode ser igual
É o fim do individual
Que nasce com a morte
Da ideia original
Do pensamento racional
Pra virar só mais um na multidão

E se eu falhar
Deturpam minhas ideias pra me atrapalhar
Nunca é culpa minha talvez foi azar
Ou quem sabe eles querem censurar

Aquilo tudo que eu já falei
E em nome da igualdade alguns corpos eu deixei
Cair ao chão

Quem quer liberdade
Quando pode ser igual
É o fim do individual
Que nasce com a morte
Da ideia original
Do pensamento racional
Pra virar só mais um na multidão

Compartilhe tudo o que o não tem
Só não queira que eu faça também
Se eu omito o mito se mantém
Não vai sobrar nada pra ninguém 

É uma nova era
Concentração liberta
É tudo tão escuro
Não há lugar seguro
Agora eu vejo tudo igual 

 Por Wagner Thomazoni 


"Infelizmente, o autoritarismo ainda é o dono do mundo."
Juahrez Alves




quinta-feira, 5 de maio de 2022

Poucos Dias

"Poesias e Devaneios", Nº 76

Poucos dias
Só duas noites..
Só dois dias
Só dois beijos

Era você mas sem filtros...
nem óticos nem morais...
E me assombra ainda
Cheiro a gente nunca esquece!

Faz, que desse jeito só você sabe fazer
Olhos nos olhos, tanta vida pra viver
Charminho doce, pedacinho de você!

Diz a frase certa, só você sabe me abrir
É só assim que eu consigo descobrir
Como é gostoso me entregar e te sentir

É, quando se ama a gente finge que não vê
Que o tempo passa e mais um pouco de você
Melhor assim, bom pra você, melhor pra mim
E amanhã quem sabe a gente outra vez

Só mais uma vez, amanhã talvez
Só mais uma vez, amanhã não existe!
Só mais uma vez, amanhã acabou!

Amanhã acabou!
Só duas noites...
Só dois dias
Só dois beijos




"Existe uma possiblidade de eu pensar em você, só não sei qual é"

sexta-feira, 18 de março de 2022

Só te amarei até o fim da guerra

"Poesias e Devaneios", Nº 75 

Só te amarei até o fim da guerra
Você sempre soube
Agora mais próximo do fim chego
E nunca quis crer
Você está sozinha novamente
Minha alma estará contigo!

Por que o relógio ainda corre?
Se meu mundo não está mais girando?
Ouço sua voz pela fresta da porta
Você está sofrendo novamente
E eu apenas espero... 

Você despedaça meu coração!
Antes de ir arrepender
Chorei por você!
Minhas lágrimas virando sangue...
Me renderei ao inevitável!
E trago de volta pra você um pedaço do meu coração despedaçado

Eu lhe peço, eu lhe imploro
Quando a minha hora chegar... meu descanso, minha paz...
E quando não estiver mais aqui... lembre de mim!
Só te amarei até o fim da guerra 

"Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra."

Pablo Neruda


domingo, 6 de fevereiro de 2022

Sede

"Poesias e Devaneios", Nº 74

A sede de beber a água
sucumbe a sede de beber você

Mas você secou a fonte
Que a fonte seja você mesma

O ar e a água secou
Igual sua boca como um vento

Secou tudo, sua boca
E sua alma, como secou!

Era você! E nem é mais
Uma imagem distante!

Parece um quadro!
Mosaico mal pintado!

E no final, a sede sumiu
E no final, ela nunca existiu!

A sede de beber a água
sucumbe a sede de beber você

Água da minha sede
Bebo na sua fonte
Sou peixe na sua rede
Pôr do sol no seu horizonte


terça-feira, 21 de dezembro de 2021

O Vôo

"Poesias e Devaneios", Nº 73

É Interessante
Parece que as pessoas
Não notaram,
Ele levantou o vôo 
Em um pequeno espaço.
Subiu igual a um helicóptero,
Também aterrissou 
Com toda segurança 
Sem impacto e desestabilização,
É simplesmente fantástico. 
O problema não é morrer...
O problema é
Alcançar 100 anos
Sem nunca ter  vivido de verdade....



“Sacrifícios precisam ser feitos”

Otto Lilienthal



quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Lebensabschnittspartner

"Poesias e Devaneios", Nº 72

Bis zum fernen Wind!

Ich will dich so sehr wie ein Leben lang
aber was diesen blöden text angeht
der Text kann nichts sagen

Das Vorurteil des Textes sagt nichts
aber ich werde nie Glück sagen
in mein Gesicht gestempelt
wann hast du foto gemacht

auf der Bahnstrecke
und warten auf den Zug
wann hast du foto gemacht

am Rand der Tür
gedrucktes Lächeln
Aber was für ein Lächeln!
das Glück kommt

gerade wenn ich ihn sehe
auf dein Gesicht gedruckt
Ich habe gelernt dich zu lieben
 

liebe dein Lächeln
Du und alles, was es darstellt!
Aber bis jetzt...
Bis zum fernen Wind!

für mein Blume der drei Hügel



Du warst es schon immer!



quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Gitana, Añoranza!

"Poesias e Devaneios", Nº 71

Tu palabra formame
Tu sonrisa tómame
Arrestame, no me dejes ir
Y no quiero que te vayas

Gitana mi amor
Gitana, mi paz
Gitana, mi dulce
Gitana, Añoranza!

Te has ido
Lo dejo ir
No pude parar
De que te vayas

Mañana temprano
Después de que el sol
Sonríe al mundo
Lloraré del otro lado

Arrestame, no me dejes ir
Y no quiero que te vayas
Gitana, mi dulce
Gitana, Añoranza!


Es un amor tan grande
De aquel amor que yo tenía, lo guardaba
Es como un final y volver ayer






terça-feira, 23 de novembro de 2021

Sorriso Indireto

"Poesias e Devaneios", Nº 70


Indiretamente
Te vi, mas não te vi
Eu fingi não te ver

Te vi por um frame
Um lapso ou um segundo
Mas eu estava

Estava lá, pra te ver
Um lapso ou um segundo
Um frame, mas eu estava

Era um sorriso
Você nem sorriu
Era um olhar
E você nem olhou

Era você, real como o vento
Como a chuva que cai
Era você, real como você
Como só você seria de fato

Só você seria assim
Na fotografia é uma coisa
Na realidade é outra coisa
Você respira a cada segundo

Indiretamente
Te vi, mas não te vi
Eu fingi não te ver

"Sei que o meu coração pediria..."



quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Nem sempre será assim

"Reflexões Pessoais", Nº 33


Penso na dor dos amores perdidos. E penso numa fábula oriental. Mais ou menos assim: um rei pede ao homem mais sábio do reino que lhe escreva num papelzinho palavras para ler num momento de extrema aflição, um conforto da adversidade. O sábio cumpre a tarefa. Não muito tempo depois, o reino é invadido. O rei, sem saída, foge. Perdera tudo: poder, dinheiro, relevância. Ele então recorre ao bilhete do sábio. Ali está dito: “Nem sempre será assim”. O rei caído consegue, aos poucos, rearrumar suas forças. Retoma seu reino. E encontra o sábio. Ouve, agora no fausto reconquistado, no poder recuperado, mais uma vez a sentença:

“Nem sempre será assim”.

A frase resume o perpétuo vai-e-vém das elevações e quedas, a inconstância da sorte, a fugacidade de tudo que acontece sob o sol. Todo homem arrasado pelo final de um amor deveria ter no bolso um papelzinho com a advertência do sábio oriental. O sofrimento aparentemente insuportável vai desaparecer. O que parecia ser um inverno eterno dentro de nós receberá a visita redentora do sol que avisa que o verão ou já chegou ou está aí. A tristeza que estávamos certos de ser imortal revela-se frágil e é batida por uma lufada cálida de alegria.

"Rebrilham neles lembranças dos amores esquecidos"




segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Afinal, o quão melhor era a vida nos anos 90? Onde a internet entra nisso?

"Reflexões Pessoais", Nº 32


A vida nos anos 90 era melhor, a resposta rápida é essa. Bem melhor. Opinião obviamente pessoal.

Eu me refiro à vida social, à nossa existência como indivíduos. Sei que parece uma insanidade dizer isso, na época de nossas famigeradas "redes sociais", mas, em realidade, não é. Por quê? Ora, porque a perfeição está na imperfeição. Amor não é idealizar, mas elevar a própria imperfeição em si ao status de perfeição. E no que isto tem a ver com a minha afirmação inicial? Em um bocado de coisa.

A satisfação da internet não está no agora, mas lá no seu início e popularização. A internet era algo excitante até final da década passada. Depois, tornou-se algo invisível. A sua então excepcionalidade foi totalmente incorporada à nossa normalidade. Hoje em dia, a internet é quase como água e luz, algo invisível, que sequer notamos. A única revolução chama-se smartphone. Mas ele não é exatamente novo (foi em 2007 que a Apple lançou o que nós entendemos hoje pelo vocábulo). A verdadeira explosão de novidades se deu nos anos 90.

A nossa felicidade com uma tecnologia está quando ela se encontra no início para meados da sua popularização. Entrar na internet era algo genuinamente excitante nos anos 90 e começo dos 2000. Aí, veio a internet de banda larga e o serviço tornou-se irrelevante. Antigamente, os pacotes de velocidade eram extremamente importantes. Hoje? Quase que irrelevantes. Apenas notem as diferenças de preços entre os pacotes, onde o dobro de velocidade custa apenas uns 10 ou 15% a mais.

Isto é um indicativo mais do que suficiente de que a internet como tecnologia revolucionária desapareceu, ela se tornou o ar que respiramos. E o mesmo vale para o tempo das mercearias. O que sustenta a nossa excitação por algo é a dificuldade de consegui-la. Retire totalmente o obstáculo e o ímpeto por X eventualmente também se esvai consigo. O resultado dos avanços tecnológicos é que estamos mais entediados hoje do que nunca. Éramos felizes quando ainda contemplávamos o porvir, e não quando ele por fim chegou.

Quando contemplamos algo, nos permitimos sonhar com as suas (desconhecidas) possibilidades. Uma vez sabendo de diversos prós e contras de uma coisa plenamente desenvolvida, tudo obviamente muda. Nada nos escravizou mais do que a dobradinha internet + smartphone. Somente o que as redes sociais nos fazem de negativo é qualquer coisa de assombroso. 

Os melhores tempos já passaram. Acabou!


UOL, 22 de julho de 1997


domingo, 31 de outubro de 2021

Vazio Impreenchível

"Poesias e Devaneios", Nº 69

Vazio impreenchível
Vazio que não se preenche
Se tornará mais vazio
A cada tentativa

O copo cheio
O copo vazio
O copo virado...
A próxima rodada...

Mas tudo ser torna
Vazio e sonso
Sem sal
Sem pimenta

Se torna igual
Uma mesa vazia
Uma sala vazia 
Uma alma vazia

Mas o vazio impreenchível
Não vai ser nem nunca se preenche
Se tornará mais vazio
A cada tentativa!


Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim




segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Está trovejando

"Poesias e Devaneios", Nº 68

Está trovejando?

As coisas estão estranhas agora, mas sei que tudo passa!

Em tudo isso nos apegamos à pequenas coisas, ao cheiro da manhã, ao som da chuva, à brisa das cinco da tarde... coisas simples sabe?

A vida se torna pesada, cinza... fica tão chata quanto uma cólica renal... se torna um fardo pesado, como uma mochila carregada de pedras...

Mas sabe de uma coisa, aí lembro dos passarinhos quanto cantam após uma chuva bem pesada, e lembro daquele raio de sol teimoso que rasga as nuvens soturnas de chuva...

Tudo isso me ajuda a juntar forças para acalentar meu coração, e deixa-lo mais forte para enfrentar tudo que vier adiante.

E também eu sempre lerei aquele pedaço de papel, onde está escrito “Nem sempre será assim”... pois nos momentos mais tristes e angustiantes saberei que “Nem sempre será assim”... do mesmo modo, nos momentos mais radiantes e epifânicos, saberei que igualmente “Nem sempre será assim”, tudo é efêmero, da sua maneira, menos a fé, que é perene e sólida!

Ouvi um trovão, está mesmo trovejando? Ouço os pássaros, lá no fundo...

Tudo passa, e tudo fica na memória!

Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.

Salmos 91:10-12


domingo, 19 de setembro de 2021

Licença Poética

"Poesias e Devaneios", Nº 67

Ainda que tudo seja licença poética, nós andamos brincando com fogo e com a sorte recentemente. Até mesmo pensando coisas além da possibilidade...

Seguimos nós dois todos os caminhos errados possíveis, e estamos seguindo nesses caminhos tortos, seguimos assim!

E tudo não passou, no início, de uma conversa mal resolvida! Tudo isso...

Não muda nenhum pingo ou vírgula do nosso desejo, pois te desejei, mas naqueles dias eu te odiei... você seguiu sua vida e eu segui a minha, e em nenhum momento o amor foi embora, só manteve hibernado, enquanto a raiva era simulacro de sentimento!

Mas você sumiu... e se tornou um vício que não tem mais cura.... E de quem a culpa?

Só isso, não tem retorno, o desejo é um só, é tão sólido quando a rocha, e a rocha que se tornou nosso coração, mas que se derrete um pelo outro!

Não sei onde pode dar isso, só sei que te quero, e mais do que nunca...

Por mais infiéis que sejam esses nossos desejos, tornamos tudo que tocamos em algo sagrado, ainda que profano!

Ainda que tudo seja licença poética!



Me apaixonei pelo que eu inventei de você


quinta-feira, 8 de julho de 2021

Carta "As lembranças são melhores"

"Cartas Perdidas", Nº 34


Três Pontas/MG, 21 de Agosto de 2001

Bom demais são as lembranças né

Lembro até hoje, ficou procurando meu carro, deu risada da placa, era cidade de fora, de bem longe aliás, outro estado!

Muitas conversas

Fiquei hesitando, mas te roubei um beijo, depois mais um, depois perdi a conta de quantos foram, e perderemos a conta de muita coisa!

Perdemos a conta de quanto a vida cobra de qualquer forma, e quando não pagamos com dinheiro, vem a moeda do coração!

Você quis insistir em uma fantasia que iria fazer mal pra nós, e eu quis desistir na hora certa, porém fui seduzido pelo seu canto, que não era o da serei, mas era o da mais bela ninfa!

Você cantou, me seduziu, e assim foi, mas duvido muito que a vida poderia seguir assim, dessa forma que você imagina.

A vida seguiu, mas não da forma que a gente achou que deveria seguir né? Vim morar na cidade ao lado e você nem entendeu até hoje o motivo de tudo ter acabado!

Nem eu entendi, e foi o que ocorreu, tudo ocorreu dessa forma! A decepção para alguém moldado pelo romantismo hipócrita é inevitável.

Saímos machucados. E você saiu com meu coração de brinde, e ficará com ele até quando viver aparentemente.

É ruim, e eu vou inclusive participar do 31º Festival da Canção, e talvez você vai ver minhas fotos nos cartazes, eu vou ver suas fotos em meus sonhos!

E vamos ficar vendo essas coisas, sombras um do outro, e nem adianta tentar mudar nada!



Eu te amei, me entreguei
De um jeito que ninguém jamais se entregou




quinta-feira, 3 de junho de 2021

Foi e não voltou

"Poesias e Devaneios", Nº 66

Já pensei em seus lábios
Como você eu pensava

Pensava mal, muito mal confesso
Desprezei e muito não pensei

Era você que eu não queria
Não pensar e não olhar

Muito dias e muitos meses
Nunca mais ouvi falar

Tentei lembrar, tentei mesmo
Nem sabia, cores dos olhos

Era você, veio tudo
Na memória, tudo veio

Escrevi, papel e tinta
Mandei, texto físico e letras

Foi pra não voltar
Não voltou, mas que não voltei

Já pensei em seus lábios
Como você eu pensava



Então, como, quando a natureza te chama para que vás?




 

Coração Negro

"Poesias e Devaneios", Nº 65

Coração negro
Negro de tinta

Feito grafite
Ou carvão

De dor e lágrimas, tinta
Cinza!
Papel queimado

Sentir como era
Como foi
Nunca sentir
Como será
Nunca sentir
Como não foi

Não é
Não doeu
Nem doerá!

Sentir ou não sentir?

Você, leve como uma pluma
A dor, pesada como montanha

Coração negro
Negro de tinta



"O sofrimento eterno é a infelicidade dos homens ignorantes que nunca falham em buscar as profundezas de seus próprios corações e vêem somente a riqueza de um pobre mundo que sofre para esfolar seu próprio dorso com facadas de prata e agradecimento brutal."

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Toque efêmero

"Poesias e Devaneios", Nº 64

Você era tão leve

Quanto vi seu sorriso
E foi tão leve
Quão leve foram seus lábios

Você se foi
Tão rápido
Como Eu fui
E suas batidas

Batidas
De coração
De intenção
E é assim que ficamos

Você soou como sonho
Depois como música
Depois como ruído
No final como um som de um despertador tocando

É  a vida!

Você era tão leve...

"Mas eu estava errado
Se você pudesse dar um jeito
De tentar não mentir
As coisas não seriam tão confusas..."




terça-feira, 13 de abril de 2021

Um dia, Hoje...

"Poesias e Devaneios", Nº 63

Um dia a gente sonhou
com um mundo melhor
mais limpo
mais certo
mais justo

Um dia foi
somos o que somos
mais céticos
mais sórdidos
mais hereges

Hoje somos
esquecidos
atípicos
minimalistas

ainda sei quem você é, ainda sei quem eu sou, mas não sei quem nos tornamos

te amo entretanto...


Mas as flores destilaram, sobreviveram ao inverno,
Ressurgindo, renovadas, com o frescor de sua seiva.






sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Criação Indelével

"Poesias e Devaneios", Nº 62

Em um grão de areia havia um Universo...

Em cada sopro de vento era uma respiração
Em cada trovão, uma batida de coração
Em cada terremoto, um medo
Em cada choro, uma tempestade

Mas cada gota de sangue, um novo rio
Mas cada sonho ruim, uma estiagem
Mas cada vontade, uma ressaca marítima
Mas cada felicidade, uma primavera

Eu sei, e a natureza sabe
Como sabemos, saber coletivo
O saber, e o sentir, como algo sólido
Sabemos algo sólido sem saber

Deus, em sua infinita sabedoria
Deus, em sua inesgotável paciência
Deus, em sua inerrável aceitação...

Ele fez tudo isso
Para que aprendamos
Todo o restante
Todo o que restar

A fé
A fraternidade
A espera
O AMOR

Em um grão de areia havia um Universo...


No princípio criou Deus o céu e a terra.

Gênesis 1:1




segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Liberdade é?

"Curtas", Nº 42

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar... 

Martin Niemöller (1892-1984)

"A liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro. Quando se concorda nisto o resto vem por si."

George Orwell 


quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Vazio Plenitude

"Poesias e Devaneios", Nº 61

E a noite caiu!

Mais uma vez, é noite, é o escurecer... só me faz lembrar, quão só estamos...

Liberdade ou solidão? Plenitude? Solitude? Sim, já se tornou tudo isso... 

Ninguém à vista, ninguém a amar, ninguém a odiar, e ninguém a chorar!

Amores, reais ou não, virtuais ou profanos, e nada real, nada salutar.

Juras ao vento, folhas sem direção. 

Palavras ditas, telas vazias, papéis amassados, celular sem bateria, sentimento insensíveis, fingimentos, trapaças, dramas, traições, hedonismo, luxúria.

O nosso clichê, já em extinção, sem aperto de mão, sem boca a boca, sem o próprio coração!

Talvez todos nós somos sozinhos, até as pessoas mais acompanhadas são sozinhas, solidão é uma condição da vida, somos sozinhos dentro da nossa pele, dentro da nossa cabeça.

Aprendemos a gostar do vazio, sem cobrar a si mesmo, não tendo a necessidade explicar o inexplicável... restando apenas o grito da Minh 'alma, em meio ao silêncio e a satisfação plena circundante... de vazio.

Nossa doce e nobre alma, em silêncio lamenta, as vezes em fome de calor, outras em veisalgia de retiro. Um misto de "bem me quer e mal me quer". 

Talvez a crença incondicional, que nenhuma das histórias tem um grande herói, e todos os heróis eram falsificações, sem esperar um amanhã, que na verdade não há! 

Talvez o nosso grande herói, e nosso grande amor, todos esse símbolos, nem existam na prática, apenas como um desejo pueril, enquanto seguimos entretidos com o enorme caos interior dentro de cada um!

Mais uma vez, é noite, é o escurecer... só me faz lembrar, quão só estamos...


Por Aline Fernandes



"De meros vazios se constrói o recheio da existência humana."
Hugo Hofmannsthal



segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Além do Amor

"Poesias e Devaneios", Nº 60

Era você
E depois não era
Mas sempre foi
E hoje
Você não é
E nem está
Aqui não está
Está aqui sim
E dentro
Ou fora
Mas está aqui
Dentro de mim
E sempre estará
Pra sempre
E sempre
Te Amo
E sempre será
Te amo
E sempre
Pra sempre

Te Amo


A vida não é sobre quão duro você é capaz de bater, mas sobre quão duro 
você é capaz de apanhar e continuar indo em frente. ...



segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Cópia Falsificada

"Poesias e Devaneios", Nº 59

Quando a vida cruza marcha lenta
Quando tudo é igual
Dia após dia

Quando tudo repete
Quando o Sol não aquece
Mês após mês

Quando as ruas são monótonas
Quando as árvores decrescem
Estação após estação

Quando o coração diminui
Quando a pulsação esmaece
Paixão após paixão

Quando o asfalto piora
Quando as ruas se quebram
Mandato após mandato

Quando a lua não mais ilumina
Quando as nuvens não mais fazem sombra
Estiagem após estiagem

Quando cada pedaço
Quando cada lembrança
Lágrima após lágrima

Quando o prazer se tornar raso
E o sorriso se torna efêmero
Texto após texto

Quando eu não mais te amar
Quando você não mais me amar
Segundo após segundo

O amor se tornará cópia, da cópia, da cópia
Da cópia de mais uma outra cópia
E nós nos sentiremos cópias...
De outras cópias falsificadas de nós mesmos


"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Não chores quando for

"Poesias e Devaneios", Nº 58

Não chores quando for, pois, o choro nunca será ouvido

Mesmo que grite lá fora, o teu desespero não poderei ver
Nunca mais me peças desculpas, não posso perdoar.
Uma vez que o calor foi embora, não posso responder. Não me leves flores, não consigo cheira-las. Não importa as cores, também não posso ver.

Não se arrependa na minha ausência.
Não se arrependa do meu afastamento.
Deixa a tua consciência tranquila, pois eu já não terei a minha.
Não pode mudar as coisas.
Não pode melhorar o futuro.
Leve suas rosas para casa; não vou precisar delas, garanto-te.

Não chores quando for, pois, o choro nunca será ouvido

Ame hoje
Abrace hoje.
O amanhã talvez não exista.

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.



sábado, 17 de outubro de 2020

Carta "Você iria amar um passado e eu iria amar uma sombra."

"Cartas Perdidas", Nº 33


Andradina/SP, 18 de Agosto de 2004

Estou pensando ainda, mas vou desabar aqui nesse papel, porque papel aceita tudo. Você fez o que era certo, o que tinha que ser feito

Você satisfez sua alma. Satisfez o que tinha que ser satisfeito.

Aquele amor que eu falei, ele existia, era real em mim, eu sonhava com você todo dia quase, você fazia uma presença constante em meus sonhos. Queria você e queria continuar uma coisa que a gente tinha e queria continuar com todas as forças.

Daí surge uma questão mais estranha ainda: “qual era o sonho, quem era? ”

Achava que era você, mas factualmente tem coisa para se analisar. Nunca foi.

Você deixou de existir assim que me viu com outra pessoa. A partir daquele momento você passou a não mais existir.

“Você” é a figura de linguagem necessária para mostrar que sim, você não é “você”.

Não adianta o santo e a missa que fosse, você nunca ia ser aquela que eu conheci. É outra, apesar de negar. 

Você mudou.

Vai negar, e negar, e negar, e negar até a morte.

Mas sim, é assim a vida, a gente as vezes sofre apunhaladas tão fortes que a morremos, quase que literalmente. Depois renascemos, pois nosso corpo é resiliente como pedra, e depois percebemos que nem somos mais a mesma pessoa.

Você fez o que era exatamente o que EU iria fazer se eu tivesse no seu lugar.

Quanto o que eu sentia, esse sentimento existia, era real, e precisou ser colocado a prova, para ser destruído, como o meu ego, o qual também foi destruído, como um processo, isso é importante para o ser humano, e a psicologia Jungiana sempre prega isso. Tem suas bases.

E de fato era isso que eu amava esse tempo todo, uma sombra.... Aprendi a amar alguém quem perdoaria até mesmo eu amar uma sombra, isso é a maior prova de amor, o perdão, e vai ser assim. Isso foi prova.

Eu agradeço você e também a Deus por nada ter sido como um desejo vã e leviano, isso seria o maior erro, tanto para você quanto para mim. 

Você iria amar um passado e eu iria amar uma sombra.


"Aqui estamos
Conversando sobre a eternidade
Nós dois sabemos muito bem
Não é fácil ficar juntos
Nós já sentimos o amor
Nós já sentimos a dor
Mas vou fazer o sol brilhar
Depois da chuva"




quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Então você não tem que me amar mais

"Poesias e Devaneios", Nº 57

Eu lembrava.... cada vez que você me cobrava um sorriso

Uma risada, algo diferente, de minha cara séria....

Eu lembro de tudo, suas risadas fora de hora, seu humor negro destemperado....

Nunca esqueci de você, de suas crises de ódio por eu odiar o personagem errado

Eu sempre vou lembrar de você, eu fiquei um mês tentando te convencer, então....

Lembro que você era diferenciada, mas nunca quis me ceder seus segredos...

Não antes que eu tivesse cedido todos os meus...

 Eu te amo tanto, e sempre vou continuar te amando

Assim para o sempre, e todo o sempre

Assim como eu acho que você vai continuar me amando

Eu te amo tanto, mas tanto!

Nos aprendemos a amar naquele lago, naquele lugar, nem lembro!

Aprendemos tudo errado

Mas eu fico mais chateado ainda

Pois você me deixou

Você era forte

Mas quis ser mais forte que a vida

Você era minha vida...

Mas soube ser alguém além dela....

Você FOI....

Então você não tem que me amar mais


"Te amo, muito embora de forma velada... mas te amo!"



quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A ultima e também a primeira luz do horizonte

"Poesias e Devaneios", Nº 56

Nessa sensação eterna
De eterno pertencimento
Em eterna busca...

Em meu rosto senti...
Sua brisa, doce perfume
Em cada passo, andamos
A cada esquina, ruas...
Lembranças nuas
Jogadas...

Demorei pra dizer, mas disse
No seu rosto demorei
Saber quem és...
Destino pronto!

É seu cheio
Minha aura! De paz?
Amor de destino
É meu lugar final...

Coração aqui deixei...
Em cada esquina
Em cada porto
Em cada píer
Deixei aqui
Aqui mesmo, com Você...

Deixei minh'alma
Eu deixei meu amor pra você
Deixei minha alma enterrada 
Cada grão de terra
Eu sou você e você é eu
Somos um só

Quando pudemos enfim
Sentir!
Eu no seu rosto
E você no meu rosto
Sua pulsação!
Pudemos enfim entender

Eu estou longe
Mas meu lugar é aqui
A cada esquina, ruas...
Lembranças nuas
Jogadas... em você

Em você é só você...
Sempre foi...

Seus lábios de brisa
De águas calmas
E lábios quentes
Das calmas águas

Sonhei
Nessa sensação eterna
De eterno pertencimento
Senti em meu rosto sua brisa
Seu doce perfume!
E lábios quentes
Das calmas águas...

Sua brisa...
Seu cheiro...
Sua paz...


Vou por onde o vento me tocar
Vou soltar as asas pra voar
Liberdade, liberdade pra sonhar



domingo, 10 de maio de 2020

O moço, o Trem e o Destino

"Poesias e Devaneios", Nº 55


O moço olha a locomotiva
Que o espera sem hesitar
O coração bate forte
Sem saber o que fazer

As lembranças vêm à tona
Das histórias que viveu
Mas o medo o impede
De seguir o que já conheceu

O trem apita impaciente
Chama para a viagem
O moço se sente pequeno
Diante dessa passagem

Mas algo nele desperta
E o faz dar o primeiro passo
Entra no trem sem olhar pra trás
Deixa o passado e o espaço

O destino agora é incerto
Mas o trem segue em frente
O moço confia na estrada
E se entrega ao que vem pela frente.

Por Graciela Camargo



"Na vida podemos escolher vários caminhos, pessoas e como queremos viver, mas os batimentos do nosso coração é involuntário, não escolhemos por quem ele vai bater e quando vai parar de bater."

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Profundo e Platônico

"Curtas", Nº 41


Como eu te disse uma vez
"Platônico"
Mas o contrário disso seria o que exatamente?
"Profano" ou "carnal"
Não sabemos explicar
Expectativas crescem, e vontades também
E descressem na mesma velocidade.
E seu coração permanece um mistério absoluto.
Como fossas oceânicas abissais.
Mais ainda me permito tentar descobri-lo.
Aos poucos.
Devagar.
Sem pressa.
Dia a Dia.
Da forma que os dias passam.
Sem você perceber.
Sem perceber.
Sem....perceber....


E de onde viemos portas estão fechadas
E para onde vamos e ninguém sabe


quinta-feira, 9 de abril de 2020

Te falta algo, mas não ligo, a cidade nunca para!

"Poesias e Devaneios", Nº 54


Te falta algo, mas esse algo, não me é necessário, não está vazia, o que te preenche agora, é outra coisa.

Quando eu te vi pera primeira vez, eras outra

Sair a caminhar pela ruas, sem rumo, para conhecer a cidade, e fui parar rapidamente no vale no Anhangabaú, que onde vão parar todas as almas e águas,

Olhei para esse mar e não conheci entre por que parte da ponte tinha crianças dormindo na rua e la na parte de cima de prédios gigantes, helicópteros voavam

E quanto eu entrei no metrô de Santa Cecília, vi uns cartazes com fotos de 1918, que diziam: "São Paulo não pode parar!", é difícil para quem já vinha de fora
e difícil para quem já está.

Dizem que a natureza poderia tomar conta de tudo em pouco tempo, eu gostaria de ver mas acho que consigo imaginar...
  
... Pois posso ver pássaro carcomendo cimento, posso ver trepadeiras abraçando e destruindo esse império...

Vim como muitos... Para dar certo

Torço para dar certo, minha vida se foi pra dar certo.

Mas não ligo se der tudo errado...a natureza sempre toma tudo que a gente acha que a gente achou que era nosso... Só espero que os pássaros vençam essa batalha.

"Vês a glória do mundo? É glória vã,
nada tem de estável, tudo passa!
Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa!"